Capiba , tambem um grande compositor de valsas e sambas – canções

As vogais possuem cores poetou o grande Rimbaud

A poesia do poeta Carlos Pena Filho – Carlinhos – tem as cores do céu de Pernambuco. Sua poesia está tatuada em cada canto e paisagem da sua Recife amada. Cidade que se dissolve em rios cabralinos. Tudo lembra dele. Na solidão do Savoy a sua poesia.

Teve o destino de uma flor da noite que logo murchou fisicamente para deixar marcada em cada um de nós vazio de sua ausência. O oco que o soneto não consegue preencher. Entro no túnel do vento e canto “A Mesma Rosa Amarela ” em parceria com Capiba. “Quando eu morrer não quero choro nem vela”, quero uma “Rosa Amarela” e na lapela escrito o nome que não era o dela.

A mesma rosa amarela / Carlos Pena Filho

Você tem quase tudo dela,
o mesmo perfume, a mesma cor,
a mesma rosa amarela,
só não tem o meu amor.

Mas nestes dias de carnaval
para mim, você vai ser ela.
O mesmo perfume, a mesma cor,
a mesma rosa amarela.
Mas não sei o que será
quando chega a lembrança dela
e de você apenas restar
a mesma rosa amarela,
a mesma rosa amarela.

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Comentários

Há 13 comentários para esta postagem
  1. Carlos Wanderley 10 de fevereiro de 2011 21:27

    Caríssimos Da Mata e Laélio, a propósito do diálogo de vocês acerca de grafia, bem como por estarmos aqui no Substantivo Plural, etc., vejam esse pensamento de Baudelaire:

    “A gramática, a mesma árida gramática, transforma-se em algo parecido a uma feitiçaria evocatória; as palavras ressuscitam revestidas de carne e osso, o substantivo, em sua majestade substancial, o adjectivo, roupa transparente que o veste e dá cor como um verniz, e o verbo, anjo do movimento que dá impulso á frase.”

    Charles Baudelaire

    Grande abraço! Carlos Wanderley.

  2. Carlos Wanderley 10 de fevereiro de 2011 21:04

    Muito obrigado, Laélio e Da Mata! Grande abraço a todos!

  3. Laélio Ferreira 10 de fevereiro de 2011 12:56

    Belo soneto do “hômi”, João!

  4. Laélio Ferreira 10 de fevereiro de 2011 12:54

    João.
    Vosmecê está mais do que certo, tem toda razão!
    Todavia, acho, há uma diferença fundamental: quando erro a grafia de uma palavra (o que é muito raro, hão de convirem, todos!), boto o meu galho dentro, confesso o pecado e saio para outra. Todo mundo faz isso aqui, canso de ver. Errare humanum est .Afinal, não sou doutor, tampouco professor – que têm, ambos, o professor e o doutor, a obrigação primeira de conhecer o tal vernáculo (epa!), complicadíssimo para muitos…
    Vossa Mercê, já lhe disse umas trezentas vezes, é que é ,pelo menos presumo, muito displicente ao traçar as suas linhas, além de escrever e conversar muita besteira, principalmente quando, teimosamente, se acha “poeta”.
    Tome tenência, João, tenha mais cuidado no que produz, compre, pelo menos, um bom corretor ortográfico (ajuda muito, garanto!). Embora não lhe conheça pessoalmente, sei que é uma alma boa e querida por muita gente, não é rancoroso e é respeitado como físico.
    Una cosita más, por final: chamar Carlos Pena Filho de “Carlinhos” é do cacete!
    Será que você, João, de calças curtas, pequenininho, tomou uns chopes com ele e Newton Navarro, no Recife, no Savoy?
    É dose!
    Cordialmente,
    Laélio Ferreira

  5. João da Mata 10 de fevereiro de 2011 12:24

    Valeu Carlos e Laélio,

    Dificil encontrar esse belo poema na íntegra.

    Amei o Livro de Carlos do Edilberto Coutinho. Lembras!

    Mais um poema colorido de Carlinhos

    SONETO DO DESMANTELO AZUL / Carlos Pena Filho

    Então, pintei de azul os meus sapatos
    por não poder de azul pintar as ruas,
    depois, vesti meus gestos insensatos
    e colori as minhas mãos e as tuas,

    Para extinguir em nós o azul ausente
    e aprisionar no azul as coisas gratas,
    enfim, nós derramamos simplesmente
    azul sobre os vestidos e as gravatas.

    E afogados em nós, nem nos lembramos
    que no excesso que havia em nosso espaço
    pudesse haver de azul também cansaço.

    E perdidos de azul nos contemplamos
    e vimos que entre nós nascia um sul
    vertiginosamente azul. Azul.

  6. Laélio Ferreira 10 de fevereiro de 2011 12:16

    Carlos Wanderley.

    Muito feliz a sua lembrança!
    Abaixo, o poema, na íntegra:

    CHOPP

    Na avenida Guararapes,
    o Recife vai marchando.
    O bairro de Santo Antonio,
    tanto se foi transformando
    que, agora, às cinco da tarde,
    mais se assemelha a um festim,
    nas mesas do Bar Savoy,
    o refrão tem sido assim:
    São trinta copos de chopp,
    são trinta homens sentados,
    trezentos desejos presos,
    trinta mil sonhos frustrados.
    Ah, mas se a gente pudesse
    fazer o que tem vontade:
    espiar o banho de uma,
    a outra amar pela metade
    e daquela que é mais linda
    quebrar a rija vaidade.
    Mas como a gente não pode
    fazer o que tem vontade,
    o jeito é mudar a vida
    num diabólico festim.
    Por isso no Bar Savoy,
    o refrão é sempre assim:
    São trinta copos de chopp,
    são trinta homens sentados,
    trezentos desejos presos,
    trinta mil sonhos frustrados

    Carlos Pena Filho

  7. João da Mata 10 de fevereiro de 2011 12:15

    Bem feito Laélio, foi buscar lã e voltou tosquiado

    Não sei se voce sabe. O D. Quixote é tambem um tratado de provérbios.
    A sua referencia parcial é um dos anexins ou provérbios do Quixote.

    “Não estaria melhor estar-se manso e pacífico em sua casa, em vez de ir pelo mundo procurar pão fino, sem se lembrar de que muitos vão buscar lã e vêm tosquiados?” – Miguel de Cervantes, D. Quixote de la Mancha, Livro I (1605), cap. VII.

  8. Carlos Wanderley 10 de fevereiro de 2011 11:33

    Caríssimos Da Mata e demais “substantivistas pluralistas”, lembrei-me de quando morei em Recife, de 1976 a 1978, e me encantei com o refrão de Carlos Pena Filho, emplacado numa das paredes interiores do Bar Savoy:

    […]
    E então no Bar Savoy
    O refrão tem sido assim
    São trinta copos de chope
    São trinta homens sentados
    Trezentos desejos presos
    Trinta mil sonhos frustados
    […]

    Se a memória não me falha, é assim…

    Abraço a todos/as! Carlos Wanderley.

  9. Laélio Ferreira 10 de fevereiro de 2011 11:03

    Confio no seu taco (epa!), Tácito!
    São os neurônios. Será que o “alemão” ( Alzheimer) anda se aprochegando, como quem não quer querendo ? Vai-te!
    Gratíssimo,
    Laélio

  10. João da Mata 10 de fevereiro de 2011 10:46

    Tácito, favor retificar

    Sambas – canções.

    Obrigado, Laélio

  11. João da Mata 10 de fevereiro de 2011 10:38

    Caro Laélio,

    Não, claro que não, o verso não é de Carlinhos.
    È que ficou tudo enganchado e desejei citar um outro poeta e uma outra cor amarela
    O verso entre aspas é do grande poeta da Vila, Noel Rosa. Desculpe.

    Fita amarela
    (Noel Rosa)

    Quando eu morrer não quero choro nem vela
    Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
    Se existe alma, se há outra encarnação
    Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão
    Não quero flores, nem coroa de espinho
    Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho
    Estou contente consolado por saber
    Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer
    Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
    Eu vivi devendo a todos mas não paguei nada a ninguém
    Meus inimigos que hoje falam mal de mim
    Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim
    Quero que o sol não visite o meu caixão
    Para a minha pobre alma não morrer de insolação

  12. Laélio Ferreira 10 de fevereiro de 2011 10:26

    Meu caro Professor-Doutor João da Mata.
    Ogunhê pra vosmecê!

    Perdoe-me, mas grassou por aí uma ressaca dos diabos, um surto de “coisa estragada”. Ontem, foi Lívio – hoje você, João!
    Aqui, na “Esquina”, na ocara grande, o único cara que tinha liberdades com Carlos Pena Filho para chamá-lo de “Carlinhos”, era meu amigo Newton Navarro (1928), companheiro de boemia do grande poeta pernambucano (1929), contemporâneo, no Recife, e amigo íntimo, ambos fregueses de caderneta do Savoy – que, por sinal, nada tinha de “solidão”: era uma zorra, uma zona do carilho…
    Espero que, no seu texto, o verso “Quando eu morrer não quero choro nem vela” não tenha sido atribuído aos pernambucanos (Capiba e Carlos Pena). Trata-se – não é possível que não lembre! – de parte de uma estrofe do antológico samba carnavalesco (1933) “Fita Amarela”, do gênio Noel Rosa, poetinha maior da Vila Isabel.
    Por fim – indo ao pai dos burros -, não encontrei (Houaiss e Aurélio) essa forma que você empregou para o plural de “samba-canção” (“samba-canções”!). Estão lá, cravadas, nos dois “bichões”, as duas formas corretas: “sambas-canções” e “sambas-canção”, só!
    Muito cordialmente, o seu admirador não-doutor,
    Laélio Ferreira

    • Tácito Costa 10 de fevereiro de 2011 10:40

      Prezado Laélio, tomei a liberdade de corrigir “comtemporâneo” grafado por você com “m” no comentário.

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