Carestia é inflação?

Por François Silvestre
NO NOVO JORNAL

Se não, tudo bem. O Governo promete cuidar e eu acredito. Mas se carestia for inflação, faz tempo que ela disparou de planalto abaixo e ninguém segura a fera.

Basta comparar os preços dos últimos cinco anos. Tá muito? Dos últimos três anos. Ainda tá muito? Pois dos últimos dois anos.

Comparemos. Quanto custava um bujão de gás há dois anos? E o pão francês? E a cerveja? E o feijão? E o milho? E o óleo de soja?

Ano passado, por essa época, o saco de milho, aqui no sertão, custava entre 25 e 32 reais. Hoje custa de 48 a 55 reais. No mesmo período. Fim do inverno. Se a safra for boa, oscila pra baixo. Nunca para chegar perto do preço passado. Há um limite que não permite voltar ao preço antigo. Nunca. Mas pode passar do limite na subida, se a safra for fraca. Isso é carestia. Não é inflação?

Você vai com cem reais ao mercado e compra trinta quilos de alimentos. Amanhã, com os mesmo cem reais, compra vinte e nove quilos. É carestia. Não é inflação?

Qual a diferença real, sem retórica do economês, entre a desvalorização do poder de compra e o desgaste monetário da moeda? “A diferença está nos índices de medição inflacionária”. Ora, no açougue ou na bomba de gasolina essa conversa de “índice medidor” sai pela tripa cagaiteira.

Os produtos importados ganham competição. Onde? Nos grandes centros. Aqui, continuam os mesmos importados do Paraguai. Ou uísque de Igapó, dos velhos tempos de Carrapicho.

Já foi dito que a Escócia não faz tanto uísque. Nem há tanto leite disponível para fazer queijo de manteiga só de leite e manteiga. O danado é que a batata do queijo já tá ficando tão cara quanto a coalhada pura. Tem gente pensando em produzir jerimum branco. Antes que o jerimum dispare. Isso é carestia. Não é inflação?

Quanto custava há seis meses o litro de gasolina? Quanto é hoje? No país que se declara auto-suficiente em petróleo. O pré-sal elegeu um discurso. E o pós sal? Quem vai medir a pressão arterial da mentira?

Quanto custava há seis meses o litro de álcool? Quanto custa hoje? No país que possui a maior quantidade de terra agricultável para a cana-de-açúcar. E antes do pré-sal o Presidente da República saiu pelo mundo vendendo a necessidade de implantar um consumo universal do biocombustível. Era inesgotável, não poluente e sustentável.

Depois do pré-sal, o combustível vegetal perdeu o sentido e a defesa. Foram viagens e palavras jogadas aos ares.

Num país de vocação rodoviária, marítima e aeroviária, toda mercadoria circula às custas dos combustíveis do petróleo ou da cana. Então é no frete que o transportador vai compensar o abastecimento. E antes de chegar ao consumidor final, há um leque de acréscimos de preços. Isso é carestia. Não é inflação?

Se for é. Se não, violão! Té mais.

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Eurico M. Lima 28 de fevereiro de 2018 11:24

    Tácito,
    Inflação e Carestia, embora sejam aumentos de preços e pareçam a mesma coisa, são dois fenômenos completamente diferentes.
    A inflação é um fenomeno ligado ao dinheiro e por ela os preços podem subir muitos sem afetar a economia.
    Por inflação, os preços subiram mais de trilhão de vezes sem afetar muito a economia.
    Já a CARESTIA é mortal para a economia. pequenos aumentos geram grandes prejuízos.
    Veja meu blog “Inflação e Carestia”

  2. Tácito Costa 2 de maio de 2011 17:23

    DE PAULO BARRA NETO, POR E-MAIL:

    Caro amigo François,
    É com imenso prazer que acabo de ler o seu artigo no Novo Jornal, intitulado: Carestia é Inflação?
    Como sempre, voce escreve com uma pureza de espírito que contagia qualquer leitor. Com efeito, o seu artigo é imensamente mais claro e verdadeiro sobre a inflação do que qualquer escrito dos economistas de plantão que esbanjam os editorais dos principais jornais do pais com economês enigmático sem que a população entenda bulhufas nenhuma, e com isso tentando enganar o povo.
    Continue brilhante assim, e que o seu artigo seja transcrito em grandes jornais, aqueles que fazem opinião e que cheguem aos ouvidos dos que governam.
    sds

  3. Tácito Costa 1 de maio de 2011 22:08

    DE GERALDO BATISTA, POR E-MAIL:

    Prezado François:
    Dei grandes gargalhadas lendo sua gostosa crônica da hoje.
    Vou falar com Gustavo, meu filho, para a EMPRAPA desenvolver jerimum branco, pois se desenvolveram macaxeira vermelha podem muito bem desenvolver jerimum branco para se fazer queijo mais barato.
    Quanto ao uísque, li em dezembro um artigo em a Folha de SãoPaulo, onde um jornalista listava as coisas nas quais ele não acreditava mais.
    Uma delas era o uísque escorcês, principalmente o John Woker, pois segundo ele, em todas as cidades do mundo, há milhões de garrafas dessa bebida de tal forma que é impossível serem todas fabricadas na Escócia.
    Um grande abarço,
    Geraldo Batista, seu criado.

  4. Eduardo Alexandre 1 de maio de 2011 11:43

    Muito bom ler François, nosso mestre de Marista.
    Difícil vai ser pra dona Dilma esconder a herança maldita que o governo Lula escondia com mentiras e manipulação de mídia e movimentos sociais.

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