Carnaval multicultural, só em PE

Quem tem Mombojo, Nação Zumbi, Otto, um investimento de R$ 45 milhões somente no Carnaval de Olinda (só pra lembrar: aqui é R$ 1,5 milhão), pode se dar ao luxo de importar bandas sem risco de perda de identidade e sem nenhum pernambucano reclamar, nem mesmo os músicos locais. Vejam aí:

“Mundialmente conhecido por abrigar o Carnaval mais autêntico do Brasil – com o maior bloco do mundo, o Galo da Madrugada – a folia de Momo recifense vai muito além do culto ao frevo, ritmo que é símbolo máximo da pernambucanidade. Há tempos, a cidade adotou a ideia de multiculturalidade, na qual ritmos como o coco de roda e o heavy metal podem conviver pacificamente. Nesse ano de 2010, a programação carnavalesca não poderia ser diferente e recebe nomes internacionais como Sting e brasileiros pesos pesados, como é o caso dos Titãs.

O quinteto (formado por Sérgio Britto, Branco Mello, Paulo Miklos, Tony Bellotto e Charles Gavin) traz ao Recife o lançamento de “Sacos Plásticos”, primeiro disco de inéditas desde “Como Estão Vocês?” (de 2003). O grupo se apresenta no Guaiamum Treloso, no próximo 29 de Janeiro, bloco recifense de renome nacional, e faz um grande balanço dos seus 27 anos de carreira. Com canções inspiradas, letras diretas e a mistura rítmica de rock, reggae, funk, punk e pop, os Titãs mostram força criativa, capacidade de permanência e reinvenção na história da música brasileira.

Ao lado deles se apresenta a sambista Tereza Cristina. Responsável pelo renascimento do samba, na Lapa (Rio de Janeiro), ela lançou no ano passado seu segundo disco “A Vida Me Fez Assim”, com repertório autoral e que passa por todas as vertentes do gênero

O mesmo acontece com a estreante Maria Gadú, com 23 anos. A intérprete vem arrebatando fãs entusiasmados em todo país, principalmente pelo seu carisma cênico. Ganhadora do prêmio APCA de revelação e melhor cantora, e citada por Nelson Mota como a maior promessa de 2010, ela faz MPB com jeito de rock, com a predominância de timbres acústicos. No currículo, tem ainda participações na minissérie Maísa e está na trilha da novela “Viver a Vida” com a música Shibalaiê (da personagem Sandrinha, irmã de Helena). Ela também se apresenta no Guaiamum Treloso.

Outro bloco carnavalesco que vem participando dessa invasão roqueira ao Carnaval recifense é o Sala da Justiça. Famoso por abrigar foliões fantasiados de super heróis de todos os tipos, a agremiação recebe os músicos da Nação Zumbi em apresentação que conta com a participação de Arnaldo Antunes, B Negão, Eddie, a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério e a Orquestra do Homem da Meia Noite. O destaque, contudo, fica nas mãos da carioca Mart’nália.

Festival

Um dos principais espaços para as manifestações alternativas é o Festival Recbeat que esse ano completa 15 anos e promete dar um tempero especial ao Carnaval, explorando novas fronteiras sonoras. Ovacionado por ser o espaço que vem desvelando novas bandas, o Festival, realizado no Cais da Alfândega, Recife Antigo, entre 13 e 16 de fevereiro, receberá atrações internacionais. Os colombianos Puerto Candelaria e os mexicanos Cabezas de Cera são os representantes da América Latina desta edição, tradição que o festival começou alguns anos atrás. A terceira banda internacional confirmada é a Madensuyu, da Bélgica. Já a artista nacional com presença garantida nos 15 anos de Recbeat é a cantora Stela Campos, trazendo seu mais novo disco, “Mustang Bar”. A programação contará ainda com outras 20 atrações.

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