Carta a um amigo em viagem

Amigo, essa viagem inesperada que você foi obrigado a fazer de última hora impossibilitou que conversássemos nos últimos dias.

Se estivesse aqui, provavelmente falaríamos do projeto em que trabalharemos juntos, daqui algum tempo. Esse que a Carla gentilmente nos convidou a fazer com o Antônio Francisco para o Quintas das Artes.

Mas a vida é mesmo imprevisível e sua estadia à cidade dos sonhos foi uma dessas coisas repentinas que fomos obrigados a enfrentar.

Conhecendo você, sei que esse lugar onde se hóspeda por força das circunstâncias deve ter um céu pacífico e uma natureza vibrante. Há uma rede, certamente e você se balança nela, descansando desses dias assustadores. Haverá uma praia? Creio que sim, tendo em vista que você, assim como eu, nasceu nas Rocas, à beira mar.

Imagino que caminhe pela areia todos os dias, enquanto pensa em uma nova história. Se virar um livro, já estou curiosa sobre o tema, pois você já escreveu tantas coisas maravilhosas: dramas, comédias, poemas, autobiografia…

Amigo, queria te pedir uma coisa: quando voltar, traz pra mim uma lembrança?

“Amigo, essa viagem inesperada que você foi obrigado a fazer de última hora impossibilitou que conversássemos nos últimos dias.”

Algo bem simples e representativo desse tempo. Pode ser uma concha, um pouquinho de areia, um pedacinho de nuvem… pode ser a transcrição de um sonho, ou uma lágrima que desceu pelo seu rosto nesse tempo. Pode ser um pouco da água do mar onde você, todos os dias, observa o nascer e o pôr do sol, enquanto seu corpo se recupera.

Qualquer coisa que trouxer será sagrado pra mim, sabe por que? Porque significará que você voltou. Eu porei essa lembrança ao lado dos seus livros na minha estante e agradecerei todos os dias por meu amigo estar novamente entre nós.

Agora estou chorando, porque estou com medo e com saudades. E também porque me lembrei da raposa do Pequeno Príncipe que disse: “se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz”. Acho que já vou começar a me alegrar. Vai que você já volta amanhã. A vida é tão imprevisível… é preciso acreditar…

Beijos,

Ana Cláudia

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