Carta ao meu corpo

Parnamirim, 30 de outubro de 2020.

Querido corpo,

Hoje estive pensando em você e em tudo o que já passamos juntos. Lembro de quando eu era pequena e isso era motivo para não participar das brincadeiras do meu irmão. Tipo quando estávamos no pula-pula do meu aniversário e eu era tão leve que quando ele pulava junto com o amigo, eu ficava quicando o tempo todo. Eu mal conseguia ficar em pé.

Quando cresci, os desafios mudaram. Aos 13 anos menstruei pela primeira vez. Eu queria que fosse o mais tarde possível, porque pelo que minha mãe dizia era horrível, mas foi nessa época que você começou a mudar.

Algumas vezes fiquei com raiva de você, porque eu queria ter características que minhas amigas tinham e você não e para piorar os meninos da minha turma começaram a dizer que eu era magra demais. Já até ouvi eles dizendo que achavam que eu tinha anorexia. Quando fiz 15 anos, ganhei maturidade e aprendi a não ligar pra esses comentários. Comecei a te dar mais valor.

Tenho uma tia-avó que vivia dizendo que eu precisava tomar algum remédio para engordar e não era só comigo, porque ela sempre falava para um primo que ele estava gordo e precisava emagrecer. Foi ouvindo esse tipo de comentário que comecei a perceber que tenho muito a agradecer a você, porque já tem gente suficiente insatisfeita com seu corpo e o dos outros. Não vou ser mais uma.

Nas redes sociais sempre vejo meninas que tem corpos considerados “perfeitos”, mas eu nem imagino o que pensam e se estão satisfeitas. Pode até ser que elas não gostem deles, porque a sociedade pressiona as mulheres a serem perfeitas. Isso é terrível!

Hoje em dia sei que não posso ter todas as características que desejo, mas ao mesmo tempo fico feliz quando olho no espelho e sou satisfeita em ver como você é. Sei que se consegui chegar a esse nível de satisfação, é porque superei os obstáculos até agora: a opinião dos outros sobre você, que é meu e de mais ninguém.

Com amor,

Gigi

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