Carta cifrada a Nina Rizzi

Te amo clandestinamente enquanto o céu desbota de manhã e senhoras em roupas de fitness fazem seu cooper desolado rente aos penhascos da avenida quatro, quando noiados rígidos ajeitam o papelão onde guardam seus desejos-destroços, e velhas de olhares cheios esvaziam suas memórias à luz de abajures apagados. Também clandestinamente, silencio nossos nomes quando, à última voltagem, a pianola boilesen mija-me às calças, ferve-me o pulso, mas não me paralisa o coração, que resiste. Te amo como um rato desvalido no esgoto ama, como os urubus e os mendigos amam, como os assassinos e as prostitutas amam. Te amo o amor mais proibido, mais interditado, mais cheio de guisos e, no entanto, clandestinamente, quando tua boceta inunda em gozo o meu pensamento, entre as paredes desta minha cela, apesar de nosso grito trancafiado na miséria do Doi, a liberdade nos absolve.

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Nina Rizzi 2 de Dezembro de 2011 16:43

    é urgente deixar de respirar sofrido. abre minha cela. desabotoa minha gola.

  2. Jarbas Martins 3 de Dezembro de 2011 10:27

    Nina Rizzi vai para minha ANTOLOGIA VIRTUAL DO SUBSTANTIVO PLURAL- poesia versos prosa”. Poesia mais infográfica, impossível.Tem um video-poema dela em parceria com Carito…caramba…

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