Cartão em vão

Há uma estrela, uma luz, um meio de contemplar o Natal,
mas nem todos conseguem vê-lo.
Certas pessoas têm dificuldade em sentir o Natal,
daí passam a ensiná-lo:
o Natal é o nascimento de Cristo, uma estrela,
uma árvore iluminada, uma farta ceia em família.
Além disso, há outra questão: cada Natal é dois.
Há Natal dos pobres e dos ricos.
Um está na cruz, sem teto e sem pão,
sem nada que possa esconder a catarse dos aflitos;
o outro está na festa, no presente e na ceia farta,
como se a vida fosse uma eterna fantasia.
Por trás de cada Natal a vida não cessa:
é o esforço no sentido do cume, a ação,
o que não pode ser negado.
Cada passo que damos segue o passado
como um rio que nunca passa,
apesar do peso crescente da vida.
Esse retarde não é visível, mas rigoroso;
tece a duração em mil e uma noites
e nos prende ao futuro, à espera,
ao que na vida se vai fazendo idade.
Neste voo, incessante e tremendo,
que envolve as coisas mais profundas,
o Natal devia ser igualzinho aos sinos:
extremos que se tocam, contrários que se abraçam.

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