Cascudeando por ai ..

Por Roberto Cardoso (Maracajá)

Na onda de uma Natal Literária, na onda do Natal em Natal, ressurgem ideias e pensamentos. Natal a terra dos acontecimentos, e Natal do renascimento. Natal que renasce a cada dia, e a cada momento. Um nascimento em cada ocupação: por fortes, canhões e artilharia. E por simples ocupação: por um argumento de posição e geografia. Uma história de caserna e de campanha. Estratégias internacionais e intercontinentais, com argumento de benefícios nacionais. Um renascimento por presenças e ausências, ocupações e desocupações. Um olhar sobre a cidade tal como fez Cascudo. Com um resumo e uma análise em Cascudeando por ai… Uma visão do Homo natalensis.

Um olhar sobre a Ribeira, onde hoje ainda, os ônibus urbanos fazem a volta. Em um linguajar local, um linguajar das ruas, dir-se-ia que os transportes rebolam ali. Ali chegam e voltam aos seus destinos, que já foram origens, com seus embarques e desembarque ao longo de um percurso. E até um dia, ali era feita a volta do bonde, o rebolar do bonde, depois de um subir e descer ladeiras, com chapéus de passageiros, soprados pelos ventos. O contraste da Cidade Alta e a cidade baixa. As disputas de Xarias e Canguleiros. O lugar da volta daqueles que chegavam e partiam, por caminhos ferroviários e rodoviários, e alguns aquaviários, marítimos ou fluviais. Ribeira onde o mundo de Natal faz a volta. A volta dada por cima, e para cima. Uma volta e um arribar. A Ribeira ao alcance de Cascudo, de Augusto Severo, e de Alberto Maranhão. Uma trilogia em Natal, enraizada na Ribeira. A presença da feira literária, com personagens a sua volta. É preciso rebolar na pista.

Natal/RN, terra e cidade de Luís da Câmara Cascudo. Cascudo, Cascudinho e Luís de Natal, alguns nomes que era conhecido. Um homem, um cidadão, um pesquisador, um escritor, um personagem de sua própria literatura, em seus livros escreveu a sua história, radicado e enraizado em sua cidade. Não arredou o pé daqui ou de lá (referenciais de quem lê ou quem escreve, de quem está aqui ou acolá). A cidade onde existe um poeta em cada rua, e em cada esquina um jornal, assim Natal foi citada e reconhecida um dia. A cidade que era a tal. E na tal cidade, nomes são permanentemente relembrados.

E vez por outra o nome de Cascudo é citado. Segundo Carlos Eduardo, prefeito de Natal, em entrevista ao vivo na TV (Bom Dia RN, 05/11/15), Cascudo denominava Natal, a cidade Noiva do Sol, embora naquele momento (07:00 LT), houvesse uma chuva breve e passageira, com pingos de chuvas denunciados ao vivo em sua camisa, tradicionalmente azul, como um dia claro pelo Sol, sem nuvens encobrindo o céu matinal. Aqui uma nova modalidade de informação, conhecimento e pesquisa, uma informação que chega no momento, e ao vivo. A informação sempre chegou, e o diferencial é que agora pode ser incluída no momento de uma escrita. A coincidência do momento, da informação e da escrita. A era da Informação. Uma triangulação, entre Câmara Cascudo, Aluísio Alves e Carlos Eduardo.

E inúmeras casas remetem uma memória ao seu nome, o nome de Cascudo: ANL – Academia Norte-rio-grandense de Letras; IHGRN – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte; Instituto Ludovicus e Memorial de Câmara Cascudo; e um tanto de ruas espalhadas pela cidade. E uma das casas de Cascudo (ANL), acaba de criar um prêmio, dando referência a outro filho da terra, lembrado e reconhecido em cidades da Grande Natal, inclusive na capital federal. O prêmio jornalista AA, com pesquisa e inovação, descobriremos uma nova triangulação.
Mas o momento agora é literário, com invasões de livros, com autores e editores de outras armas e praças. Um marco para uma nova ocupação e um novo renascimento: depois da feira de novembro, e depois do Natal de dezembro. Em janeiro, uma nova Natal.

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