“Cascudo, camisa verde”

Por Luiz Gonzaga Cortez

Eis a capa do livro “Cascudo, camisa verde”, editora do autor, edição de 2004, onde foram estão inseridas as matérias sobre o lado político de Luís da Camara Cascudo. A foto da capa desagradou a muitas pessoas que acreditavam que era uma montagem.Ela foi produzida com base numa foto em preto e branco feita na frente da casa do pai de Augusto Severo Neto, o integralista Sérgio Severo de Albuquerque Maranhão, na rua Junqueira Ayres, por volta de 1934/35. A casa foi demolida. O livro contém algumas reportagens publicadas em Diário de Natal/O POTI e Tribuna do Norte, nos anos 1988/1992 e 2000.

Um abraço.

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 17 de janeiro de 2012 20:09

    Caro Henrique Violi,

    Ainda não foi inoportuno o seu comentário sobre esse assunto já fartamente discutido por nós. Tenho pouco a dizer diante do exposto pelo colega. Inegavelmente Cascudo vestiu a camisa verde assim com outros grandes intelectuais brasileiros. Em artigo anteriormente escrito argumentei que essa posição equivocada de Cascudo era mais cultural que ideológica. Entendo também como o colega, que essa posição momentânea não nega a sua obra. Um viés conservador assim como outros o tiveram. Como negar a obra de um Borges ou Heidegger, defensores de ideais com os quais não comungamos.

    Tive oportunidade de escrever uma dezena de artigos sobre o mestre potiguar, que o amigo ombreia com Machado de Assis. Como cascudiano fico feliz, mas não diria tanto no que tange ao escritor. Sem – no entanto – negar que Cascudo foi, sim, um grande estilista e escreve gostosamente sobre um grande universo de temas e assuntos do qual somos eternamente leitores de sua obra. E imensamente feliz desse legado que ajuda muito a compreender o que somos. Disso eu tenho interesse.
    Um forte abraço de Natal.

  2. Henrique Violi 16 de janeiro de 2012 21:39

    Vejo este tipo comum de publicação, que busca sempre enfatizar unicamente alguma aventura intelectual menos importante (e sem quaisquer consequências práticas) da vida de uma figura pública (seja lá quem for o personagem e seu caráter) como obras pobres e esvaziadas de seriedade.
    É como analisar a obra de um Drummond, ou qualquer outro poeta, músico, político, pintor, pensador, etc apenas sob o ponto de vista de sua pior obra, sem considerar a existência daquilo de melhor que essa pessoa produziu.
    Vale apenas e tão somente como registro de um momento da vida de Cascudo e, de certa forma, até o valoriza, pois mostra que foi um homem raro, com a capacidade de transformação, aprendizado e crescimento humano muito acima de quase todos os outros de seu tempo. Aliás, mais do que os de hoje também.
    Só aumenta a fiança de que, sem considerarmos gêneros literários e universos estudados, podemos afirmar com toda certeza que o mestre potiguar foi, juntamente com Machado de Assis, o maior escritor brasileiro de todos os tempos.

  3. Marcos Silva 17 de fevereiro de 2011 5:34

    Uma das mais belas canções da bossa nova é:

    Samba de uma nota só

    (Tom Jobim e Newton Mendonça)

    Eis aqui este sambinha feito numa nota só.
    Outras notas vão entrar, mas a base é uma só.
    Esta outra é conseqüência do que acabo de dizer.
    Como eu sou a conseqüência inevitável de você.

    Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada,
    Ou quase nada.
    Já me utilizei de toda a escala e no final não sobrou nada,
    Não deu em nada.

    E voltei pra minha nota como eu volto pra você.
    Vou contar com uma nota como eu gosto de você.
    E quem quer todas as notas: ré, mi, fá, sol, lá, si, dó.
    Fica sempre sem nenhuma, fique numa nota só.

    xxxxx

    Gosto especialmente da integração letra/música nessa canção. Os versos parecem comentar a melodia e a harmonia que os sustentam. O canto minimalista de João Gilberto muito a valorizou e até realçou aquela auto-reflexão musical.
    Metaforicamente, o texto da canção sugere uma coisa: dizer muito com pouco, síntese do programa inicial da bossa-nova. Sua memória findou consolidando uma idéia diferente da que a música elabora: mais parece, hoje em dia, inútil repetição.
    É possível fazer muito com pouco. Ou não.
    Fique numa nota só se vc for Tom Jobim e Newton Mendonça (na voz de João Gilberto)! Caso contrário, como diziam Caetano e Gil, na voz de Gal Costa, é preciso estar atento e forte.

  4. Lívio Oliveira 16 de fevereiro de 2011 21:48

    Esse tipo de obra me lembra um livro que foi feito em 1975 (‘A Verdade Sobre Pelé’), do jornalista santista Adriano Neiva, que buscava descaracterizar a todo custo e com argumentos baseados na pior “teoria da conspiração”, a glória do craque.

    Perdeu-se no limbo do tempo. E só.

    Vamos e convenhamos: o Integralismo não teve essa força toda, não. Não conheço grandes efeitos desse movimento ultra-conservador na história do nosso país, além de um ou outro minguado movimento ou levante, sem quaisquer resultados concretos. Vargas os desmoralizou, mesmo tendo, em algum momento, flertado politicamente com os seus líderes (à frente, o risível Plínio Salgado). É um fato. Não passa disso.

    Portanto, abraçar ingenuamente, e na juventude, uma utopia sem maiores importâncias factuais e históricas, é parecido com…nada.

    Ou será que estou enganado?

    Que falem os nossos grandes historiadores. Desmintam-me.

    Ah! E digam qual o verdadeiro objeto de estudo que está por trás da pesquisa. É que fiquei na dúvida…

    p.s. E que capinha feia e sensacionalista (a começar do título) a desse livro, hein?!

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