Cascudo: erudito e popular

Caros amigos:

Uma das discussões mais interessantes de Câmara Cascudo, em meu entendimento, diz respeito à erudição da cultura popular (e à popularidade da cultura erudita, é claro). Os cantadores não são sujeitos ignorantes e atrasados, pelo contrário, possuem uma vastíssima cultura acumulada e transformam essa cultura através de suas novas criações. A erudição mundial circulava e continua a circular oralmente e or outras vias entre lavadeiras, cozinheiras e passadeiras, que recontavam e recontam mitos egípcios, babilônicos, gregos e alemães (dentre outros) no sertão nordestino conhecido por Luís em sua infância e no nordeste que conhecemos hoje. A relação dos intelectuais brasileiros modernistas – e Cãmara Cascudo se destacava entre eles – com a cultura popula não era de mero uso (matéria prima) mas de diálogo.

Macumba é bom e eu gosto, considero-a eruditíssima. Dominar aqueles requintados saberes musicais, culinários e teológicos inclui existir uma elite nela, sim. Que pode ser boa ou ruim, dependendo de engenho, arte e projetos efetivos.

Abraços:

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