Cascudo Musicólogo

III- Personalidades da Cultura do RN

CASCUDO VIVE

Cascudo vive no coração e mente de todos aqueles que conseguiram penetrar em seu Universo. De sonhos, crendices, superstições, gestos, arte, ciência e música. Cascudo vive em seus livros. Agora, em boa hora, reeditados por uma grande editora, a Global. Na estante, ao lado dos grandes clássicos da humanidade, a cascudiana tem lugar de destaque. Em cima uma jangada convida a navegar por este universo maravilhoso de nós mesmos, onde o passaporte não é necessário.

Da cascudiana vou retirando algumas pérolas garimpadas ao longo de toda uma vida. Algumas precisam de restauro e nova encadernação. E o medo de me separar destas relíquias e desaparecer. Eu não resistiria. No mesmo final de semana, na estante da Gazeta Mercantil vejo o informe da reedição dos Contos tradicionais do Brasil. Uma bela edição que irá se juntar a outras cinco da coleção. Leio no Galo matéria muito boa do amigo Roberto Silva – relembrando uma amizade-, entre dois grandes estudiosos da cultura popular, e que ajudaram a gente a ser mais brasileiro.

Sem querer comparar, Almirante – a maior patente do rádio-, construiu um acervo grandioso, vivendo na metrópole e com ajuda das ondas Hertzianas. Através de seus programas educativos e informativos ele, não só transmitia cultura como solicitava dados em todos os cantos do país. Cascudo, vivendo na província, só podia dispor dos livros, amizades e muitas “cartas perguntadeiras”. Construiu uma obra gigantesca e única.

Agora vou dormir numa tipóia véia verde num canto de muro ouvindo No tempo de Noel Rosa, transmitido na voz possante do cantor e locutor Almirante. Parece que estou na década de 50, quando houve um renascimento da obra de Noel. E que beleza: Cascudo lendo oito vezes o delicioso “No tempo de Noel Rosa”, escrito por Almirante. A cada dia é revelada mais uma nova faceta do musicólogo Cascudo. Toda obra de Cascudo, como toda grande arte e ciência aspira à Música. Antes de dormir olho para uma velha fotografia do Cascudo colocada junto à cascudiana. Sonho colorido com Cascudo. Ele está na sua casa de pijamas verdes e não escuta quase nada.

A comunicação não é prejudicada porque ele também nos ensinou que os gestos falam mais que as palavras. A casa estava desarrumada, mas transmitia uma grande alegria. Ele mostra-me uma aquarela inacabada e me oferta. Eu quase desfaleci de felicidade e agora não sei o que fazer com esta preciosidade. Não sei como preservá-la nem como terminá-la, só sei que não vou deixar descolorir. É assim a obra de um grande escritor. Inacabada e vive para sempre em cada um dos seus leitores. Que belo final de semana. Ao som de uma melodia conhecida: vamos comer, vamos beber, vamos sonhar Cascudo.

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