Ceiça Fraga

Andreia Braz
CrônicaDestaque

E o que mais posso desejar para uma amiga tão querida e especial? Ceiça Fraga é daquelas pessoas que sempre faz uma análise pertinente das situações e suas reflexões são sinônimo de aprendizado.

Ceiça Fraga

Ceiça Fraga é mestre em Ciências Sociais e doutora em Sociologia, professora do Departamento de História da UFRN; Ela está cursando Direito, especialização em Direito Penal e Processual Penal e Pós-doutorado em Direito Constitucional.

Trabalhamos dois anos no mesmo setor e não lembro de ter travado nenhuma conversa mais demorada com ela durante esse período. Nessa época, eu era estudante do curso de Letras e atuava como bolsista na Pró-Reitoria de Extensão da UFRN; ela ocupava o cargo de Pró-Reitora Adjunta de Extensão.

Dois anos depois, voltamos a trabalhar juntas em outro setor; dessa vez eu já não era mais bolsista, mas sim revisora contratada pela universidade. Nosso reencontro marcou o início de uma grande amizade, além de uma frutífera parceria de trabalho.

Desde então, passei a revisar seus livros, e isso me trouxe muito aprendizado, não só do ponto de vista profissional, mas também em relação a outros aspectos. Explico.

Ceiça Fraga é daquelas pessoas que sempre faz uma análise pertinente das situações e suas reflexões são sinônimo de aprendizado para mim. Adoro conversar com ela sobre qualquer assunto.

Esse nosso segundo encontro foi breve (ela deixou o setor pouco tempo depois que cheguei), mas nossa amizade permaneceu e sou muito grata por isso. Desde então, ela se tornou uma referência para mim.

Além de admirá-la por sua conduta profissional, passei a admirá-la também pela forma como conduz suas relações de amizade, sempre com muito respeito e cordialidade. Isso sem falar na sua solidariedade.

Um cinema, uma praia ou um simples café

Ceiça é daquelas pessoas que está sempre disposta a ajudar e proporcionar bons momentos aos seus amigos. Quantas vezes eu não estava desanimada e ela chegou com um convite inesperado para um cinema, um passeio na praia, ou mesmo um simples café na sua casa. Isso sem saber o que estava acontecendo.

É daquele tipo de pessoa que diz muito mais com suas atitudes do que mesmo com palavras, e isso me cativa bastante.

Outra característica que admiro nela é a capacidade de falar em público, é uma oradora brilhante. Escutá-la é sempre sinônimo de aprendizado.

Longe de ser uma pessoa arrogante pelo conhecimento que tem e pela posição que ocupa, sempre encontra uma maneira simples de explicar as coisas mais complexas. Alguns termos jurídicos ou mesmo situações da esfera política, por exemplo, ganham uma roupagem mais leve quando explicados por ela.

Demonstra total segurança em relação ao que diz, e defende seus pontos de vista de forma equilibrada, sempre respeitando os que pensam de forma diferente.

E foi por todos esses motivos que decidi homenageá-la nesta crônica, mas também, e especialmente, pela proximidade de duas datas importantes: a defesa do seu Memorial para Professor Titular da UFRN, que aconteceu no último dia 29, e pela passagem do seu aniversário, neste 31 de agosto.

Ceiça Fraga, graduada e mestre em Ciências Sociais e doutora em Sociologia, é professora do Departamento de História da UFRN. Mas ela não parou por aí.

Sua sede de conhecimento a fez mergulhar em uma nova área: o Direito. Está cursando graduação em Direito, Especialização em Direito Penal e Processual Penal e Pós-doutorado em Direito Constitucional, este último na UFRN.

Seu objeto de estudo é o Supremo Tribunal Federal e a Lei da Ficha Limpa.

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Ilustração: JW Anderson

Ceiça e os irmãos

Talvez o aniversário seja o momento ideal para demonstrarmos nossos sentimentos e espero que esta crônica sintetize o que significa a nossa amizade.

Na verdade, Ceiça é muito mais que uma amiga, é um misto de mãe, irmã, e suas palavras, sempre ponderadas, me fazem refletir muito mais sobre a vida. Sou grata por tê-la encontrado e por desfrutar de sua confiança e de suas lições de sabedoria, sempre transmitidas com muito equilíbrio e afeto.

E por falar no significado da amizade, meu sentimento de gratidão também é extensivo à sua família, que considero um pouco minha também, pela forma carinhosa com que sempre me tratam cada vez que vou até sua casa para trabalhar na revisão de um novo texto ou mesmo para desfrutar de uma boa conversa, quase sempre regada a café.

Admiro profundamente a relação de afeto entre Ceiça e seus irmãos. É comovente o zelo que ela demonstra para com eles e vice-versa. Basta dizer que quatro deles moram no mesmo condomínio, incluindo Ceiça, e o cuidado constante uns com os outros é a marca maior dessa relação.

Se vai chegar um pouco mais tarde em casa, ela telefona para avisá-los, por exemplo. Outro dia estávamos no cinema e sua irmã Lúcia telefonou perguntando a que horas chegaria em casa. Achei tão delicado aquele gesto.

Conheço poucos irmãos tão unidos quanto os cinco filhos de dona Mariinha e seu Zé Roxinho, que, apesar do pouco estudo e dos parcos recursos, transmitiram à sua prole o que há de mais valioso: mostraram aos seus filhos a importância da honestidade, do estudo, da solidariedade.

Ceiça Fraga.3Relação com a família

Outro dia Ceiça me contou que Eulália, sua irmã mais velha, quando conseguiu seu primeiro emprego, vinha até sua casa na hora do almoço, todos os dias, para dividir a marmita com os irmãos. Eulália, Sérgio, João Maria, Lúcia e Ceiça, tenho certeza de que seus pais deixaram este mundo muito orgulhosos de vocês, homens e mulheres íntegros, solidários, éticos, trabalhadores.

Quando Ceiça me conta as histórias de sua família, fico imaginando como seria bom ter conhecido sua mãe, cuja imagem que tenho é a de uma mulher forte, trabalhadora, corajosa, honesta e de muita fé.

Dona Mariinha criou seus filhos trabalhando como costureira e, mesmo nos dois anos em que o marido fora dado como morto, na época em que trabalhava na Marinha Mercante, ela continuou firme e forte em sua luta diária para manter o objetivo de ver todos os filhos estudando.

A empresa na qual seu zé Roxinho trabalhava faliu e ele, que não sabia ler nem escrever, não teve como dar notícias à família nesse período. Até que um dia, um amigo da família, que morava em Recife, o viu no porto e foi conversar com ele, que explicou toda a situação e em pouco tempo voltou para casa, para a alegria e surpresa da família.

E o resultado não poderia ter sido diferente: todos eles são funcionários públicos concursados, Ceiça e Eulália são professoras universitárias (Eulália é professora do curso de Letras da Universidade Federal do Ceará), João Maria e Lúcia são professores da rede básica de ensino de Natal (História e Língua Portuguesa, respectivamente), e Sérgio, bacharel em Direito, é aposentado pela Companhia de Habitação População do Rio Grande do Norte – Cohab. Recentemente, João Maria também se tornou advogado.

Ceiça Fraga.2Alegria maior não pode existir

Se continuasse falando da família de Ceiça, e do quanto a admiro, escreveria muito mais sobre o assunto e certamente fugiria ao propósito desta crônica, que é homenageá-la pela defesa do seu Memorial e pelo seu aniversário.

Bem, voltemos ao tema central. Desejo sucesso na apresentação do Memorial, um momento de reconhecimento ao seu tempo de trabalho dedicado ao ensino, à pesquisa e à extensão (dezesseis anos na UFRN). Atividade que aliás você começou na Universidade do Amazonas, na década de 1990, onde trabalhou por dez anos, tempo em que sofreu com a distância, mas também alegrou-se por suas conquistas, especialmente por ajudar seus pais, pelos novos amigos conquistados e pela certeza do reencontro com os seus…

Um tempo em que você chorava ao escutar as canções de Luiz Gonzaga (especialmente “Asa Branca”), mas um tempo em que você também sorria, emocionada, quando chegava em Natal e fazia questão de dar um passeio na orla antes de qualquer coisa. Uma forma de agradecer e se reenergizar. Afinal, o mar é parte de você, de sua história.

Também desejo sucesso no lançamento do seu livro Da Clandestinidade ao Parlamento, resultado de sua tese de doutorado, defendida na UFC há mais de duas décadas, um trabalhoso primoroso, escrito em uma linguagem simples, que pode ser lido tanto por um especialista da área como por um estudante do ensino médio.

Você escreve para ser lida e sua escrita não dificulta o entendimento do leitor. Seu texto é tão cativante que sinto saudade da convivência diária com ele quando a revisão de um livro seu chega ao fim. E assim foi com os quatro livros seus que tive o privilégio de revisar.

E o que mais posso desejar para uma amiga tão querida e especial? Saúde, paz, amor, viagens, filmes e equilíbrio para enfrentar as adversidades… Sei que você não é muito ligada nesse lance de datas e não faz questão de presentes e/ou festa de aniversário, mas quero deixar registrada minha homenagem pelo seu natalício.

Reproduzo aqui uma sentença do mestre Rubem Alves que pode resumir meu sentimento de gratidão pela nossa amizade e tudo que ela significa para mim: “Diante do amigo sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir”.

Feliz Aniversário!

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Andreia Braz

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