Celebridades no congresso

A posse de novos deputados e senadores brasileiros mereceu grande atenção da Imprensa em relação a celebridades eleitas: Tiririca, Romário, Popó (foto), um ganhador de BBB… O tema não nasceu agora, noutras legislaturas celebridades similares foram eleitas – Agnaldo Timóteo, Clodovil, Moacir Franco…

Essas pessoas são cidadãs, candidataram-se, receberam votos. Nesse sentido, seus mandatos são legítimos. O problema é o day-after. Que esperar delas no congresso?

Ser deputado ou senador é exercer determinadas funções profissionais: elaborar projetos, examinar projetos de outrem, participar de comissões e debates, debater a ação do Executivo. Não vale a pena desqualificar antecipadamente nenhum eleito. Vale a pena cobrar dos eleitos o exercício de suas funções.

Cabe lembrar que noutras ocasiões, celebridades conseguiram desempenhos interessantes como deputados: Marta Suplicy, por exemplo, foi eleita a partir de sua presença marcante no programa TV Mulher, da Rede Globo, e propôs projetos de interesse público.

Em contrapartida, alguns políticos mais tradicionais gostam de se comportar como celebridades: Eduardo Suplicy, que já apresentou no congresso propostas de interesse público, apareceu agora com o projeto de uma luta entre ele e Popó, evento interessante para revistas tipo Caras ou programas televisivos de mexericos e piadas (não sei se merecerá o registro de programas esportivos) mas absolutamente vazio em relação às funções públicas de ambos.

É impossível impedir que celebridades sejam eleitas para o congresso: elas são cidadãs, têm o direito à candidatura e ao voto, a cultura das celebridades está aí – a platéia ainda aplaude e ainda pede bis. É necessário cobrar que o congresso seja congresso e não um clube de entretenimento muito caro e pago pelos demais cidadãos.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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