Cellina Muniz lança novo livro de contos

Cellina Muniz lançou na manhã de ontem (06) seu novo livro, “Quase Contos”, o quarto no gênero e o nono título publicado pela autora, dentre literários e acadêmicos. São 16 histórias, maioria escrita durante a pandemia, contempladas na Lei Aldir Blanc/Funcarte.

“Quase Contos” tem como posfácio um pequeno ensaio crítico de Alves de Aquino, poeta e editor cearense, além de professor de Filosofia da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA).

Para adquirir o livro basta entrar em contato com a autora pelas redes sociais.

Conhecido ironicamente como Poeta de Meia-Tigela, Alves de Aquino se debruça também sobre os livros anteriores de Cellina Muniz e assinala como foco dos textos da autora: “a falta, a falha, a incompletude — essa carência perpétua mediante a qual se procura transcender o conhecido já escrito rumo ao contar possível e vindouro”.

O livro também tem na capa ilustração da filha da autora, Rosa Maria, marcando assim o debut da jovem desenhista que, junto com a mãe, veio de Fortaleza morar em Natal há dez anos.

A autora autografou o livro em lançamento simbólico, no Sebo CataLivros, no Mercado de Petrópolis, na manhã de ontem (sábado).

Trecho do conto O aro era 14, o Chevette 76:

No momento exato e preciso em que ela anunciou a grande revelação – “tu sabe que eu tenho uma fossa ilíaca problemática, né?” – o pneu do Chevette 76 de Romilson voou longe, pra lá da rua Manoel Dantas.

Isso tudo só porque Romeu, às 16:16 lá na oficina da Esperança, não apertou devidamente os parafusos. Desparafusado como qualquer um poderia ser, também o aro do pneu não colou e nem cantou no coração da boa sorte. Cantou foi no asfalto quente e deixou marca, voando longe, solto e só …

Mas, antes daquele pneu rolar, ele, Romilson, gostou dela como uma aranha gosta de sua trigésima segunda teia. Como foi mesmo que foram se encontrar? Sabe Deus e Exu desconfia. O que se sabe é que eram dois: ele sepultador e ela operadora de telemarketing.

Em outras palavras, sem muitas firulas: o coveiro e a telefonista.

(…)

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