Centenário Dom José Adelino Dantas

Ad Lucem Versus

Em 2010 também se comemora o centenário do ilustre Bispo Dom José Adelino Dantas. Segundo Bispo de Caicó (RN), depois Garanhuns (PE) sua segunda diocese e, finalmente, Rui Barbosa (BA). Escreveu os livros “Formação do Seminarista” ( 1947, livro muito raro), “Homens e Fatos do Seridó Antigo” e o “Coronel de Milícias Caetano Dantas Correia”.

Sobre ele escreveu o escritor Aluízio Azevedo. Nascido no dia 17 de março de 1910, na povoação “Saco de Luiza”, município de Flores, hoje município de São Vicente.

Dom Adelino foi um homem culto, professor, latinista e conhecedor do Grego. Escreveu diversos artigos nos jornais da capital do estado do RN, tratando de temas polêmicos, educação, tradições populares, massacre de Uruaçu, etc. No artigo “Educar é Amar”, publicado na revista lusa Flama escreveu: o magistério só existe e se exercita, em função de uma missão altíssima. Só deve exercê-lo, os que se revestem das prerrogativas excelsas da paciência da abnegação, do amor e da compreensão.

Ingressou na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras em 1949, como sucessor do grande sábio Luis Monte, e foi saudado por Luis da Câmara Cascudo. Sobre a beleza do lema da ANRL “Ad Lucem Versus”, ele escreveu que a melhor tradução seria “Buscando a Luz”, em vez de voltado para a Luz.

No terceiro centenário da matança de Cunhaú e de Uruaçu, perpetrada pelos holandeses, aliados dos Tapuios, a 16 de julho e 16 de outubro de 1645, no Engenho Cunhaú e nas matas de Uruaçu, no RN, ele escreveu um belo poema em latim: O Christi Patriaeque decus, salve, o Potigurae…

Também em 1949, no transcurso dos 350 anos da fundação da cidade de Natal e 352 anos da construção do Forte dos Reis Magos , o então cônego José Adelino Dantas escreveu o Texto Latino em homenagem à primeira sede do governo do estado do RN.

TEXTO LATINO

AD ARGEM TRIUM REGUM MAGORUM GENTIS DECUS LUSITANAE NOSTRARUMQUE GLORIA RERUM CARMEM

O Arx, quae nomen dilecta Triumque Magorum
Tempus in omne decus servas nostrumque perenne!

Gloria quaeque Potiguarum, tibi dico salutem!

Terque quaterque colendi, nunc salvete vetusti

Acquati coelo muri, quos nocte dieque

Verberat unda maris, quos el sol lumine vestit!

Illius nomen Populi pietate sereni

Imperioque superbi qui olim primus ab oris

Et vento profugus Lusis haec litora venit,

Servas et famam terracum clara per orbem.

Grata Potiguaranas, sicut Stella, ferebas

Hás Lusitanos terras gentesque petentes.

Nunc vigi! nautae cursum tu pandis al altum!

Quamquam fracta ruinis, Arx, sic alta manebis,

Quo rerum sonet altius usque poema tuarum

Arma, lápis, muri tenuere silentia cuncti,

Sed restans antiqua fidelis testis imago,

O Arx, tu memorato nostro corde sedebis!

Rerum nostrarum sub tegmine celsa recumbens,

Salve! Quae nobis famam nomenque dedisti.

Natalensis praesidum gentisque saluto,

Urbis quae nomen Cristi deducit ab ortu.

Stellarum sub lumine nocte quiesce silente!

Illud opus tradis nobis aliisque relinquis,

Imber quod nec edax poterit delere vetustas.

Quasque Patet Per Terras Nostri Fama Celebris

Hic nostrorumque tuumque erit indelebile nomen.

O utinam te longa per omnia saecla canendam

Postera Gens habeat, nostrarum gloria Rerum!

(Pro tricent, quinquages, recolendo anno ab Urbe Natalensi sub Chisti glorioso Nomine condita)

TEXTO EM VERNÁCULO

“No abandono, sem armas nem paiol,
O Forte — lutador de eras passadas —
Vê desfilar, das vagas no lençol,
O pacato cortejo das jangadas”.
E, evocando:
“Em segredo conserva o poema antigo
das guerras holandesas, das batalhas
Sustentadas com o bátavo inimigo. . .
Vezes, porém, parece que se alteia,
Perdida no silêncio das muralhas,
A voz de Pedro Mendes de Gouveia”.

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 4 comments for this article
  1. gilberto 13 de Setembro de 2010 23:17

    Senhor: não é “Formação dos Seminaristas” e sim “Formação do Seminarista”. Edição da Vozes, datado de 1947. Livro raríssimo, por sinal. Lamento na sua nota, também, a falta de aspas na menção dos títulos. Regra das mais comezinhas.

  2. João da Mata
    João da Mata 14 de Setembro de 2010 10:06

    “aspados”

    Senhor, Gilberto ( de que? )

    Muito obrigado pela leitura do texto-homenagem.

    Correções aceitas. Não aspei e datei as referencias para o texto ficar mais leve. Em se tratando de um artigo para publicação, sou sabedor dessas convençoes comezinhas ( sic)
    Ja enviei o texto corrigido

    Obrigado mais uma vez.

    Abraços fraternos

    ps O Senhor tem essa edição da “Formação do Seminarista? Desejo uma cópia

    Gostei muito do livro do Aluizio Azevedo

  3. gilberto furtado 14 de Setembro de 2010 16:15

    Senhor: Observo que, agora, que o título do livro (“Formação do Seminarista”, Editora Vozes, Petrópolis: 1947), está grafado corretamente.

    Informo-lhe que tenho a Edição. Mas se lhe ofertasse cópia, estaria malferindo os direitos autorais de Dom Adelino Dantas. Demais disso, se não fosse crime tal cópia, danificaria meu exemplar, tão antigo (1947).

    – N.B. Nâo escrevi “Convençoes” (que etá sem o acento de Convenções) e sim “Regras das mais comezinhas”. O Senhor transcreveu equivocadamente com este “sic” expressão que não usei. Por favor, mais atenção, porque sei que o senhor é preparado. Mas de tanta informalidade, a correção da língua se esvai tristemente.

    Tenha uma boa tarde. Gilberto Furtado.

  4. João da Mata
    João da Mata 10 de Julho de 2012 19:49

    De Acari, um Padre.
    Dom Eugenio Sales
    Seridoense como são
    Eles, os meus irmãos.
    Meu parente, eu Pobre.
    Sem dotes e santidades.
    A benção meu Padre
    Com as verdades de
    Antigamente. Salve.
    Sales. Um Dom.

    ab imo corde

    DaMata

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