Cervantes na Cultura Brasileira

damata@ufrnet.br

VI Colóquio de Estudos Barrocos

Em 2005, o mundo inteiro comemorou os 400 anos da 1ª ed. do Dom Quixote de la Mancha, escrito pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes. Livro fundador do romance moderno, e um rico manancial de cultura popular e das novelas de cavalaria da idade média. A literatura de cordel está, inicialmente, ligada a Romances e Novelas Cavalaria. Das novelas citadas por Cervantes, o Bernardo del Carpio fez muito sucesso no Brasil e vinha como capítulo final do livro Carlos Magno e os 12 pares de França (Cascudo). Devido à grande influencia que Cervantes tem na cultura popular brasileira, é importante que o Dom Quixote seja amplamente lido e divulgado em todos os níveis de escolaridade. O Objetivo desse trabalho é mostrar esse rico manancial de cultura popular e divulgar um dos livros mais importantes da literatura mundial. Livro que também é um verdadeiro tratado de provérbios, adágios, anexins, etc.

Palavras- Chaves: Dom Quixote, Cultura Popular, Literatura

A Espanha do Século de Ouro.

No séc. XVI a Espanha vivia o seu apogeu literário, político e cultural. A Espanha era um país rico e poderoso. Para lá iam todo o ouro e a prata retirada das civilizações indígenas americanas recém dominadas, e sob o comando de Felipe II (1527-1598) o império estendia-se pelo Caribe, pelas Américas, e outras partes do continente. Em 1580, quando Portugal é anexado à Espanha, esse império ainda vive seu apogeu. O primeiro livro de Cervantes – “La Galatea”-, é uma novela pastoril e foi publicado em 1585. Antes, em 1571, Cervantes participa da memorável batalha de Lepanto contra os Turcos, vencida pelos Espanhóis em 7 de outubro. Nessa batalha, Cervantes perde o uso da mão esquerda para “a glória de la diestra”. A invencível armada é derrotada pelos ingleses em 1588, e a Espanha começa o seu ocaso. Cervantes foi preso, junto com o seu irmão Rodrigo, por piratas berberescos, que os levaram para uma prisão em Argel, onde ficou cativo entre 1575-77. Miguel de Cervantes Saavedra (1547- 1616) tentou fugir várias vezes, e, provavelmente, começou a escrever o Quixote durante esse período. A 1ª ed. da primeira parte do “Dom Quixote” foi publicada em 1605, com o título de “El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha”, e a segunda parte saiu em 1615, com o título “El Ingenioso Caballero Don Quijote de la Mancha”. Desde então o livro não parou de ser editado e foi traduzido em todas as línguas do planeta. No ano do IV centenário do famoso livro já foram publicadas dezenas de edições de luxo, populares, recontadas, em quadrinhos, cordel e com novas ilustrações. O objetivo deste trabalho é dar uma visão geral da importância do Quixote para a história da literatura mundial, e da cultura popular em particular. Consultamos e estudamos em torno de quinhentos livros de /e sobre Quixote e comentamos alguns aspectos no que diz respeito às ilustrações, edições e recepção do Quixote no Brasil messes quatro séculos de andanças e encantamentos. Inicialmente fazemos uma rápida explanação da Espanha do Século de Ouro, onde havia outros grandes escritores além de Miguel de Cervantes. Grandes cientistas e universidades. Depois fazemos um levantamento de algumas das principais edições ilustradas do Quixote no mundo. Comentamos a grande influencia do escritor Miguel de Cervantes em vários escritores brasileiros e o grande manancial de cultura popular que é o Quixote. Um caleidoscópio de gêneros literários, paremiologia, contos, fábulas, histórias sem fim, títeres, contos de “exemplum”, etc. Tudo isso, contado com muito humor, estilo e graça sem fim. Comentamos, também, o Livro Legenda Dourada do século XIII com um belo “exemplum”, aproveitado por Cervantes no Dom Quixote.

As Personagens

Numa pequena aldeia da Mancha, província Espanhola, vivia um fidalgo. Homem de costumes rigorosos e decadente fortuna. Don Quijada, Quesada ou Quejano, nisto discordam alguns autores que escreveram sobre o caso. Só mais ao final da novela ficamos sabendo que trata -se de Alonso Quijano. Vivia da exploração de suas propriedades, que mal lhe rendiam para manter uma simples aparência de abastança. Morava com uma sobrinha com menos de 20 anos, uma criada quarentona e um criado que cuidava do seu cavalo e fazia os serviços do campo. Aos 50 anos, magro, alto, de gestos imponentes e uma certa altivez estudada, era mais conhecido por sua enorme biblioteca, onde empenhava toda a moeda conseguida nas colheitas ou pela venda sucessiva de suas terras. De tanto ler foi se distanciando da vida cotidiana e entrando naquele mundo fantástico de encantamentos, batalhas com gigantes e amparo a donzelas. Eram seus amigos o padre da aldeia, o barbeiro e Sansão Carrasco. Para nossa sorte, Quixote sai três vezes de casa. A primeira, sozinho, e duas outras, acompanhado do bom Sancho Pança. Todo cavaleiro precisa ter um fiel escudeiro, e os dois:- Dom Quixote e Sancho Pança-, formam um dos pares mais famosos de toda a literatura. À força de tanto ler-imaginar, foi-se distanciando da realidade a ponto de já não poder distinguir em que dimensão vivia. Varando noites e noites à luz de candeeiro, lia e relia e reconstruía, á sua maneira, o desenrolar dos famosos livros de cavalaria.

Dom Quixote – Um incorrigível apaixonado.

O Dom Quixote é um personagem de ficção que se transforma num mito. Um personagem que encarna alguns dos bens mais preciosos de ser humano: a luta por justiça, a generosidade e a ética. Apesar de todo o sofrimento e loucura do herói, a saga do personagem é mostrada por Cervantes com muito humor.Sigmund Freud aprendeu o espanhol para ler o livro e diz que o leu com muito gozo, explica: Dom Quixote é uma figura que não possui humor por si mesma, mas produz com toda obstinação um prazer que podemos qualificar de humorístico, muito embora seu engenho (grifo nosso) esteja longe do humor. (Freud, obras completas tomo I). Tudo é artifício e traça, diz D. Quixote.
O que é verdade?- Pergunta D. Q. a Sancho Pança, na célebre discussão sobre o Elmo de Mambrino e ele mesmo responde;
– A mim parece assim, ou assado, e a outro de outra maneira. Uma bacia de barbeiro vale tanto um Elmo de Mambrino se cumpre a função, se permite a mesma ilusão.

O poeta Heine, num famoso prefácio a uma edição alemã de 1837, ilustrada por Tony Johannot, lembra os doces momentos da infância passados na companhia do grande livro e diz que chorou quando leu a obra. “Na minha sinceridade de criança, levava tudo muito a sério; quanto mais grotescamente o destino tratasse o pobre herói, mas eu achava que era preciso ser assim, que o destino de ser ridicularizado fazia parte do heroísmo” Alguns estudiosos e leitores do livro identificaram-se mais com um ou outro personagem. Miguel de Unamuno escreve a “Vida de Don Quijote y Sancho”.Franz Kafka, na Muralha da China, diz que Sancho Pança ler um grande número de livros de Cavalaria e aventuras, visando afastar o seu demônio, que chamará posteriormente de D. Quixote. Borges, em diálogos com Osvaldo Ferrari, fala da sua identificação com Alonso Quijano, e escreve um belo poema em sua homenagem (Sonha Alonso Quijano in A rosa profunda 1975) J. L. Borges comenta: “Alonso Quijano tomou a decisão de ser D. Q., e saiu da sua biblioteca. Em compensação, eu sou um tímido Alonso Quijano que não saiu da sua biblioteca – “ou livraria”-, como se dizia então”.E Voltaire, outro apaixonado pelo personagem, dizia: “ Eu , como o Quixote, invento paixões para exercitar-me”.

A Livraria do Quixote

O Quixote também é prática da crítica literária. No escrutínio na biblioteca do protagonista feito pelo cura e o barbeiro (Parte I, 6), Cervantes comenta a bibliografia de sua obra: as literaturas de Cavalaria, pastoril e épica, em que se formou como leitor e escritor. Através de seus personagens segue exercendo crítica aos livros de cavalaria (I, 32, 47). O Quixote é uma antologia dos gêneros literários do renascimento e da idade média. No Quixote estão presentes a novela pastoril (a Diana Enamorada, a Galatéia), a novela psicológica Italiana, os contos folclóricos, e autobiografia de um soldado (Capitão Cativo, muito autobiográfico) e a novela picaresca. Alguns livros são salvos da fogueira: Tirant lo Blanc (“em verdade vos digo em questão de estilo não existe livro melhor”), Diana Enamorada (“o melhor entre os semelhantes, que não merecem serem queimados porque são livros de entendimento sem prejuízo de terceiros”), Amadis de Gaula (um dos mais famosos heróis de cavalaria a quem Dom Quixote sempre faz referencia e procura imitar), El Cid (1140, relato fabuloso da vida de um guerreiro cristão), e outros que acabaram por “deixar mole os miolos do engenhoso fidalgo”.

O Engenhoso Fidalgo nas artes e na literatura

A figura do grande cavaleiro inspirou muitos romances, peças de teatro, balés, óperas, filmes, canções e musicais. O Homem de la Mancha foi eleito o melhor musical dos Estados Unidos em 1966. A versão brasileira desse musical teve Bibi Ferreira como Dulcinéia e Paulo Autran como o Quixote. Massenet (1910), compôs a ópera D. Quixote baseado em um libreto inspirado livremente no grande personagem. Desde o séc. XVII, com o Purcell, até os dias atuais, muitas composições musicais foram inspiradas no “Cavaleiro da Triste Figura”. Manuel de Falla, inspirado no cap. XXVI, 2a parte, compôs o “El Retablo de Maese Pedro”. Nas artes plásticas, o Dom Quixote e seus personagens foram registrados, a seu estilo, em todos os movimentos artísticos. A primeira edição de luxo ilustrada do D. Quixote apareceu em Londres, em 1738, com 67 gravuras de Vanderbank e uma biografia de Cervantes pelo valenciano Gregório Mayans y Siscar. As 370 ilustrações românticas de Gustave Doré (1833- 1883), foram publicadas inicialmente numa bela edição francesa da L. Hachette (1863). Esses desenhos são copiados na maioria das edições modernas, muitas vezes em péssimas impressões e reproduções, Ainda no Romantismo, foi publicada uma ed. em Madrid com 48 litografias coloridas do litógrafo francês Celestino Nanteuil (1813- 1873). O pintor e aquarelista Honoré Daumier (1808- 1879), dedicou parte da sua obra a ilustrar de forma sublime cenas do Quixote. O pintor, músico, poeta e jardineiro catalão Apeles Mestres, ilustrou a edição monumental Barcelonesa de 1879. Em seguida, sairam as belas ilustrações de José Moreno Carbonero (1898), Daniel Urrabieta Vierge (1901-02), Gus Bofa (1926-27), Salvador Dali (1946), Picasso (1955), Portinari (21 desenhos a lápis-de-cor – 1956), Vasco Prado (RS), Newton Navarro, Dorian Gray, Marcelus Bob, Serrâo e muitos outros no Rio Grande do Norte e no mundo que também concorreram para eternizar o Engenhoso Fidalgo e seu par inesquecível.
Mesmo quem não conhece a história tem idéia da personagem que povoa a imaginação coletiva da humanidade. .Em um livro recente – “Don Quijote en Arte y Pensamiento de occidente” dos autores Allen, J. J. e Finch P. Madrid, Cátedra 2004-, aparece uma ilustração do Quixote, como de autor não identificado. É simplesmente uma ilustração do Candido Portinari que faz parte da série de 21 desenhos que o pintor realizou e foi publicado com glosas de Drummond (RJ 1972/73). É incrível que o nosso maior pintor esteja como autor não identificado num livro de circulação mundial, onde constam grandes pintores, ilustradores e outros nem tanto. Até quando o Brasil vai ser desconhecido, e os nossos grandes pintores não vão constar dos catálogos de ilustradores do célebre personagem?

Dom Quixote Imitado, parodiado e criticado.

Desde a sua publicação, há quatro séculos, nunca faltaram imitadores, estudiosos, analistas e podadores do belo texto castelhano. O romance é mesmo um caleidoscópio que dá margem a muitas interpretações e leituras. O livro foi adaptado e traduzido nos mais diferentes idiomas: existe o Quixote para crianças, da família, historia de antigamente e da carochinha. Não existe um mesmo leitor para cada leitura do livro. Há quem veja no Quixote a figura do Cristo, piedoso e bom, ou um El Cid, generoso e nobre, sempre a socorrer quem precisa e libertar os oprimidos, nunca esquecendo as regras da cavalaria andante. Para outros, observa Agrippino Grieco em D. Quixote: Madraço e parasita: Na sátira aos cavaleiros andantes, o autor mostrar-se-ia, antes de Flaubert, atacado pelo mal do bovarysmo, combatendo aquilo que mais amava interiormente, praticando aquele grande erro do “eu” sobre si mesmo, que é a essência da filosofia de Jules Gautier. Para Erich Auerbach, ele não tinha rival na representação da realidade comum como uma festa contínua. Cervantes continua sendo até hoje o grande mágico do riso e das lágrimas e, o D. Q., não é louco nem idiota, mas alguém que joga de cavaleiro andante, e jogar é uma atividade voluntária, ao contrário da loucura e da idiotice, diz Huizinga em Homo Ludens (1944). Outro grande leitor de Cervantes é Miguel de Unamuno, um dos leitores mais referidos e comentados. O cavaleiro da triste figura de Unamuno é um homem que busca a sobrevivência, e cuja loucura é uma cruzada contra a morte. “Grandiosa era a loucura de D. Q. , e grandiosa porque grandiosa era a raiz de onde brotava o inextinguível anseio de sobreviver, fonte das mais extravagantes loucuras, e também dos mais heróicos atos”. “La libertad Sancho, es uno de los más preciosos dones que a los hombres dieram los cielos”(Dom Quixote II, 58). Não há em toda literatura personagem mais livre. Concordamos com Dostoievski em diário de um escritor, não existe nada mais profundo e poderoso que este livro.

Cervantes na Cultura Popular.

Do Romanceiro ibérico, a literatura de Cordel do NE recebeu forte influência. A literatura de cordel esta, inicialmente, ligada a Romances ou novelas de Cavalaria, histórias de amor, narrativas de guerras, etc. Posteriormente foram incorporados fatos recentes e acontecimentos Sociais. Na Espanha a literatura de Cordel era chamada de “Pliegos Sueltos” (Folhas volantes). Na França, literatura de Colportage. Das novelas citadas por Cervantes, o Bernardo del Carpio fez muito sucesso no Brasil e vinha como capítulo final do Carlos Magno e os 12 pares de França (Flaviense RJ s/d ). Tenho uma edição em tres pliegos do séc. XIX, da História Verdadera Del Valiente Bernardo Del Carpio (Madrid 1879). Ainda no séc. XIX eram editados em Pliegos Sueltos, o Orlando Furioso, Los siete Dabios de Roma, Bastardo de Castilla, Historia de Oliveros de Castilla, El Cid Campeados,etc). O que mostra a vitalidade e perenidade do gênero de cavalaria na Espanha. No séc. XX foram impressos no Brasil muitos folhetos de cordel com as historias de cavalaria, principalmente O Carlos Magno cuja história alimentava o imaginário das crianças e estimularia futuros escritores, como aconteceu com José Lins do Rego que com Carlos Magno aprendeu a temer mais a Deus do que com o catecismo. Que grande coisa era ser cristão, filho legítimo de Deus, e brigar com os mouros, turcos, os infiéis.(Rego em Doidinho, 1976). Dom Quixote cita a princesa Megalona na história de Pierres y la Linda Megalona. No entremez Pedro Urdemallas, esse personagem corresponde ao nosso Pedro Malazarte. O Retábulo das Maravilhas é inspirada num conto folclórico antigo. Um enganador profissional que exibia para diversas pessoas uma pintura capaz de identificar os que fossem bastardos. A propriedade desta pintura era ser invisível apenas para os bastardos. Os personagens simulam o tempo todo dizendo ver o que não vêem. No ano do quarto centenário do Quixote (2005), saíram dezenas de edições novas, inclusive em cordel. O renomado escritor e ilustrador J. Borges (1935) escreveu uma versão do Quixote, com ilustrações do também pernambucano Jô Oliveira. Começa assim o Quixote de Borges:

Existia uma grande aldeia /igual a outras que havia / e lá tinha um fidalgo / magro, mas sempre comia /carnes, fritos e lentilhas / ovos e tudo que existia.

Lia tanto que ficava / delirando a vida inteira / e via em sua frente /bruxos, dragão, feiticeira / combates e desafios / que terminavam em asneira.

Dom Quixote luta com os cangaceiros do nordeste e Dulcinéia (sua amada imaginada) vira Maria Bonita

Lutou com os cangaceiros / perdeu na luta maldita / pensou ser a Dulcinéia /que seu coração palpita / mas quando levantou / era Maria bonita.

Dom Quixote pede para que lhe passasse p ungüento de Ferrabrás, pois tava todo ferido da luta com os cangaceiros. Depois D. Quixote luta com o cavaleiro da Branca Lua, em campina Grande. Nesse episodio, um dos mais comoventes do Quixote, D. Quixote perde a batalha. O cavaleiro da Branca Lua era o seu amigo Sansão Carrasco, que lutou para que o Quixote vencido voltasse para casa, como havia sido o trato que é cumprido rigorosamente pela cavalaria andante. D. Quixote volta para casa e passa ser novamente Alonso Quijano. Logo morre, pois sua vida era o pelejar e lutar contra as injustiças do mundo.

Outra versão cordelizada adaptada do Quixote foi feita pelo Cearense Antônio Klévisson Viana, poeta popular, cartunista e tesoureiro da Academia Brasileira de Cordel. As aventuras de D. Quixote em versos de cordel,

Espanha belo pais / foi lá que viveu Miguel / De Cervantes, que escreveu / Com nanquim, pena e papel / A história de Dom Quixote / Que eu refiz em cordel.

O Autor pergunta quem foi D. Quixote, para concluir que:- Quem ler o livro / tira algumas boas lições.

Quem foi esse Dom Quixote? / Foi um louco, um sonhador? / visionário ou lunático /em um mundo enganador? / ou foi alguém que buscava /Pra vida um real valor?

História sem FIM.

Era uma vez um Cabreiro,
Dizia meu pai quem conta um conto sempre lhe acrescenta um ponto. Sancho (I, 20) conta uma História sem fim ao D. Q. Trezentas cabras precisam atravessar um rio. Chamava-se o cabreiro Lopo Ruiz, que se deixou embeiçar por uma pastora Torralva, Só encontrou uma canoa que cabia uma única cabra. O pescador veio e passou uma cabra, volveu dali a pouco e passou a Segunda, tornou a vir, tornou a passar. Vossa mercê vá contando com todo cuidado as cabras que o cabreiro passa, porque se erra não há forma de reatar a história e acabou-se a história….
– Homem parte do princípio que já passou todas, interrompeu D. Q. com impaciência.
– Quantas é que passaram até agora?
– Com o diabo querias tu que as contasse?
[…]
Não contou, assim eu não posso passar adiante. Bendito e louvado, estar meu conto acabado.

Cascudo (1972), registra uma variante dessa história em Deixe os patos passar.

Chove muito e se formou um rio muito largo. A 1a fila entrou na água, mas havia correnteza e os bichos custavam e custavam e custavam a vencer, andando.

Em Portugal, Teófilo Braga em Contos Tradicionais de Portugal, registrou uma versão parecida. Era uma vez um pastor, e andava no mato com duzentos carneiros, veio uma trovoada, e ele quis recolher o rebanho para o curral, chamou o carneiro e pôs – se a caminho. Chegou ao pé de um rio muito fundo, onde havia uma ponte, e de cada vez só podia passar um carneiro.

Dom Quixote no Brasil.

No Brasil, a 1a referência explicita ao livro de Cervantes, se encontra em Gregório de Matos, quando ele descreve num poema “as festas a cavalo que se fizeram no terreyro em louvor das onze mil virgens.

[…]
Uma aguilhada por lança
trabalhava a meio trote,
qual o moço de Dom Quixote,
a quem chamam Sancho Pança:
[…]
Num outro poema, Gregório fala: “nas manhas que ele tem de D. Q.”.

Em 1705, Antonio José da Silva, o Judeu, escreveu a peça “A vida do Grande D. Q. de la Mancha e do gordo Sancho Pança”. Peça de teatro, ou ópera jocosa que estreou em 1733 no teatro do Bairro alto, em Lisboa, pela companhia do cômico Espanhol Antonio Rodriguez. […] Antonio José ver a novela de Cervantes como uma peça cômica, sem maiores significações filosóficas. Em 1794, sai a 1a tradução do D. Q. para o Português. Tradução anônima em 6v. Em 1876- 1878 é publicada a vulgata das edições do Quixote em língua portuguesa: A edição monumental com tradução dos Viscondes de Castilho e de Azevedo, e prefácio de Pinheiros Chagas que também colaborou na tradução da 2a parte..

Muitos escritores brasileiros referiram, fizeram citações e poemas em homenagem ao D. Q. e seus personagens. Machado de Assis faz referencia inúmeras vezes ao livro D.Q. em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Em sua biblioteca particular tinha uma edição do Quixote em Francês. Num poema da juventude, Machado de Assis, escreve:
[…]
“Cognac! – inspirador de ledos sonhos,
Excitante licor de amor ardente,
Uma tua garrafa e o Dom Quixote,
É passatempo amável!”

Dom Quixote comparece ao sítio do pica pau amarelo, no D. Q. das crianças de Monteiro Lobato. O próprio Cervantes aparece nas Minas de Prata de José de Alencar, e o Capitão Vitorino – um dos personagens de Fogo Morto-, de José Lins do Rego, anda nos campos com seu cavalo debilitado (tipo o Rocinante do Quixote), sempre a defender seus princípios, mesmo que com isso tenha que se haver com encrencas. Encontramos a dupla Quixote-Sancho nas artes e literatura, bem como na vida. Um complementa o outro. No romance “O Missionário” (1891), de Inglês de Sousa, a dupla formada por Antonio Morais – Macário (padre e sacristão) tem correspondência nos protagonistas da imortal novela Cervantina. Quanto ao ensaio Brasileiro, pode-se destacar os trabalhos de Brito Broca, Josué Montello, Tiago Dantas, Agrippino Grieco, Viana Moog, João Alexandre Barbosa, Edgar Barbosa, João da Mata e Maria Augusta da Costa Vieira, todos referidos na bibliografia..

Usos e Costumes:

– Pouco Sal na moleira – pouco juízo

– Hojas de Romero (folhas de alecrim). Mastigadas e com um pouco de sal, posto na orelha sangrenta. Esse ungüento semelhava ao de Ferrabraz que a tudo curava.

– Estava apaixonado até os fígados. O fígado era para o povo a víscera essencial. (Horácio – Odes)

– Alho: Não comer alho para que não tomem por odor a vilania.
Na Espanha de Cervantes, o alho era um alimento de pessoas humildes e do campo. No livro “O Folklore nos Autos Camoneanos” (1950), Cascudo encontra nos Autos de Camões, a expressão: “No Alho a Mis Male Culpa”, comenta: “O Alho possui uma literatura universal e vasta. Seu olor afastava os feitiços e também as amorosas o detestavam” Por seu odor forte os namorados evitam.Continua Cascudo, evitava tempestades e seres sobrenaturais.

Dom Quixote toma a decisão de se fazer pastor. Depois de desencantado com a vida de cavaleiro errante e ter perdido a batalha com o cavaleiro da Branca Lua, Dom Quixote resolve ser pastor.

A minha filha Sanchica nos levará comida no aprisco. Mas, esperem lá, a pequena não é nenhuma peste e há pastores que são mais manhosos do que parecem, e não queria que fosse buscar lã e voltasse tosquiada, porque tanto no campo como nas cidades andam amores de companhia com os maus desejos; e nas choças dos pegureiros (guardador de gados) acontece o mesmo que no palácio dos reis; e, tirada a causa tira- se o efeito, e olhos que não vêem coração que não suspira, e mais vale salteador que sai a estrada, que namorado que ajoelha.

-Basta de rifões, Sancho – acudiu D. Q.; um só dos que disseste é suficiente pra nos fazer o teu pensamento; e muitas vezes te tenho aconselhado que não sejas tão pródigo de provérbios; mas parece-me que é pregar no deserto. Minha mãe a castigar-me e eu com o pião às voltas.

– Parece-me, respondeu Sancho, que vossa mercê é como o outro que diz:
Disse a sertã à caldeira, tira-te pra lá que me enfarruscas (Sancho II, 67)

-Está-me a repreender e a aconselhar que não diga rifões e enfia-nos aos pares.

-nota, Sancho – disse D. Quixote.
– que eu trago os rifões a propósito e ajeitam-se ao que digo, como os anéis aos dedos; mas tu, tanto os puxa pelos cabelos que os arrastas, em vez de os guiar; e, se bem me lembro, já de outra vez te disse que os rifões são sentenças breves, tiradas da experiência e das especulações dos nossos sábios, e os rifões que não vem de molde é mais disparate que sentença.

Paramiologia

O Dom Quixote é um tratado de paramiologia, onde abundam os rifões, provérbios, frases proverbiais, anexins e outros tipos de parêmias.

1-As sentenças ou máximas contém uma sabedoria popular
Mas vale bom nome que muita riqueza (Sancho II, 33) Eclesiastes VII, 2

2-Provérbio
Sempre ouvi dizer: Quem canta seus males espanta (I, 22)
Virgílio – Geórgica I, 293 (Cascudo 1952)

3- Adágio
[…] cumprindo-se o adágio de que às vezes paga o justo pelo pecador (I, 7.)

Una golondrina sola não hace verano (I, 13),
Uma andorinha só não faz verão
Uma andorinha só não faz primavera

Parece-me, Sancho, que não há rifão que não seja verdadeiro, porque todos eles contêm sentenças consagradas pela experiência, mãe de todo o saber, teoriza, diz Dom Quixote. . A valorização da experiência é uma prática comum no renascimento.

Conselhos de Dom Quixote a Sancho Pança, antes que seu escudeiro fosse governar a ilha baratária.

-Nunca interpretes arbitrariamente a lei, como costumam fazer os ignorantes que têm presunção de ter grandeza.

-Anda devagar, fala pausadamente, mas não de forma que pareça que te escutas a ti mesmo, porque toda afetação é má.

A Legenda Áurea, Dom Quixote e o Exemplum.

Lenda (de “legenda”, do verbo latino “légere”= ler)era o nome dado antigamente a uma narrativa sobre a vida dos santos e mártires. Da Legenda áurea derivam o nome de todas as outras lendas.

Após um período de mais de 700 anos é lançado no Brasil pela Companhia das Letras, um dos livros mais importantes do medievo: “Legenda Áurea”. Legenda áurea, legenda dourada, legendæ sanctorum, é obra fundamental da cultura ocidental e seus 178 capítulos constituem a suma hagiográfica latina da idade média. O Brasil caricia de uma tradução desta obra magna da cultura cristã. A bela edição brasileira foi traduzida do Latim e comentada por Hilário Franco Júnior, e lançada pela Companhia das Letras. O livro, escrito no século XIII pelo frei Dominicano Jacopo de Varazze, latinizado para “Jacobus de Voragine”, conta a vida e história dos santos mais conhecidos: São Jorge, São Nicolau, Santo Antônio, São Francisco, São João Batista e São Sebastião. A edição brasileira traz um rico material iconográfico e reproduções de belas iluminuras, seguindo outras milhares de edições. Esse livro, escrito numa linguagem acessível ao grande público, fez muito sucesso e influenciou definitivamente a arte cristã. É impossível imaginar um quadro de Fra Angélico, Andrea de Castagno, Pierro della Francesca ou um afresco de Giotto sem a forte influência desse livro de inspiração divina. Até mesmo as grandes catedrais e seus belos vitrais têm inspiração no “Legenda Áurea”. A morte dos santos pode ser trágica, mas o demônio, em geral, sai vencido como nas lendas populares do demônio logrado. Na apresentação à edição Brasileira foi escolhido um belo “exemplum” que está na vida de São Nicolau: “De Sancto Nicholao” – Nicholaus dicitur a nichos, inde Nicholaus quasi uictoria populi-, Nicolau vem de nikos, que significa “vitória” e de laos, ”povo”, i.e., vitória do povo.

Um Homem havia tomado de um judeu certa soma de dinheiro, em falta de outra garantia jurara sobre o altar de São Nicolau que a devolveria assim que pudesse. Muito tempo depois o judeu reclamou o dinheiro, mas o devedor alegou que já havia pagado dívida. O Judeu levou-o a juízo e exigiu que afirmasse sob juramento que havia devolvido o dinheiro. Como precisasse de apoio para andar, o homem ali compareceu com uma bengala, que era oca e que ele havia enchido de moedas de ouro. Quando foi prestar juramento, pediu que o judeu a segurasse e jurou ter restituído mais do que havia recebido. Após o juramento, reclamou a bengala de volta e o judeu, que não suspeitava da artimanha, devolveu-a. No caminho de volta para casa, o culpado sentiu um sono repentino, adormeceu num cruzamento e uma carroça que vinha com velocidade matou-o, quebrou a bengala, e o ouro que a enchia espalhou-se pelo chão. Avisado, o judeu acorreu ao local e entendeu a artimanha de que havia sido vítima. Tendo alguém sugerido que pegasse seu ouro, recusou taxativamente, a não ser que o morto voltasse à vida pelos méritos do bem aventurado. Nicolau, acrescentando que se tal acontecesse ele receberia o batismo e se tornaria cristão. incontinenti, o morto ressuscitou e o judeu foi batizado em nome de cristo. [cap. III]
O “exemplum” medieval é uma historieta edificante, na maioria das vezes para uso dos pregadores, que gostam de introduzir exempla nos seus discursos para que os ouvintes assimilem melhor uma lição salutar (Jacques le Goff). O século XIII foi o grande século dos “exemplum”, mas a fórmula continuaria sendo empregada nas narrativas romanescas e historietas populares. Mais de três séculos após o lançamento do livro Legenda Áurea, Miguel de Cervantes Saavedra lança, em 1605 – 1615, o “Dom Quixote de la Mancha. No Dom Quixote, o “exemplum” de São Nicolau é recontado por Cervantes:
Perante o governador da ilha Baratária, Sancho Pança, apresentam – se dois anciões, um dos quais trazia uma cana por báculo, e o sem bordão disse:
 Senhor a este bom homem emprestei há dias dez escudos de ouro, do bom, para dar-lhe prazer e fazer boa obra, com a condição de os devolvesse quando lhos pedisse. Passaram-se muitos dias sem que eu reclamasse, pra o não colocar em maior necessidade, por mos devolver, mais do que a que ele tinha quando eu lhos emprestei. Pareceu-me, porém, que se descuidava na paga e reclamei- os uma e muitas vezes. Nega-se, contudo, a pagar-me e diz que nunca lhe emprestei tais dez escudos e, se os emprestei, já os devolveu. Não tenho testemunhas, nem do pagamento, porque não me pagou. Quereria que vosmecê o fizesse prestar juramento; se jurar que me pagou, perdôo- lho a divida, perante os homens e perante Deus.
 Que dizeis a isso, bom velho do báculo?  perguntou Sancho. A isso respondeu o velho:
 Eu, senhor, confesso que ele mos emprestou. Baixe vosmecê essa vara, pois, como ele confia em meu juramento, jurarei como os devolvi e paguei, real e verdadeiramente.
Baixou o governador a vara e, entretanto, o velho do báculo entregou a cana a outro velho, para que a segurasse enquanto jurava, pois o embaraçava muito. Em seguida pôs a mão sobre a cruz da vara, dizendo ser verdade haverem-lhe emprestado aqueles dez escudos que lhe reclamavam; ele os havia devolvido, de mão para mão, e era por não se lembrar disso que de vez em quando voltava o credor a pedi-los. Vendo isso, o grande governador perguntou ao credor que respondia ao afirmado por seu oponente. Disse ele que, sem dúvida alguma, seu devedor estava dizendo a verdade, pois o considerava homem de bem e bom cristão; ele, por certo se esquecera de como e quando os havia recebido. Tornou o devedor a tomar seu báculo e, baixando a cabeça, saiu. […].
Sancho esteve pensativo por algum momento. Em seguida, mandou chamarem o velho do bordão, que já se fora.
 Daí- me, bom homem, esse báculo, pois preciso dele.
 De muita boa – vontade  respondeu o velho.  Eí-lo aqui, senhor..
E colocou a cana na mão. Apanhou-a Sancho e, dando-a ao outro velho, falou:
Ide com Deus que já estás pago.
 Eu, senhor?  redargüiu o velho  Pois esta cana vale dez escudos de ouro?
 Sim  disse o governador. - E se não valer sou o maior asno do mundo. E agora se verá se tenho ou não miolos para governar todo um reino.
E mandou que, ali, diante de todos se quebrasse e abrisse a cana. Assim se fez, e dentro dela foram achados dez escudos de ouro. Ficaram todos admirados e tiveram seu governador por um novo Salomão. (II, XLV).
Os contos e histórias de “exemplum” são milenares. Na idade média, os religiosos e professores faziam grande uso de contos morais e/ou de exemplos, quando desejavam transmitir uma mensagem edificante, de astúcia ou agudeza de caráter. Multiplicavam-se as coleções dos Las Vitæ Patrum, el Valério Máximo, La Gesta Romanorum e Las Disciplinas Clericales, do judeu convertido Pedro Afonso (séc. XIII). Na divisão e seleção de contos perpetuada por Cascudo, os contos de exemplos aparecem na sua divisão, onde estão incluídos os célebres Joãozinho e Maria, o Pequeno Polegar e as Aventuras de Pedro Malazarte. Todos os povos possuem os seus contos de exemplos, e é interessante observar como esses contos são transplantados de região para região, de país para país, mantendo as suas matrizes originais que remontam à origem homem imaginando e sonhando. São variações sem fim de um mesmo tema, sempre com o mesmo objetivo: o EXEMPLUM.

Conclusões

Nos seus quatros séculos de existência, o livro Dom Quixote de la Mancha do escrito espanhol Miguel de Cervantes continua atualíssimo e sendo editado nos quatro cantos do mundo. No ano do seu 4º centenário foram editadas dezenas de edições nas mais diferentes formas. Edições de Luxo, populares e em cordel. O Dom Quixote está muito presente na cultura brasileira e é uma fonte inesgotável de gêneros literários, ditos populares, romances de cavalaria, novelas e contos populares que remontam à idade média, e estão muito presentes na cultura popular o oral do nordeste brasileiro. Câmara Cascudo fez a ponte entre o medievo e a cultura popular brasileira, através do Quixote. A vulgarização desse livro-fundador é o que pretende esse trabalho que vem sendo feito acompanhado de palestras, exposições, comemorações do dia mundial do livro em homenagem a Cervantes e o seu livro eterno. A leitura desse livro delicioso é fundamental para criar o gosto pela leitura, aguçar a imaginação e despertar na juventude a busca por justiça, solidariedade e um mundo mais ético e amigo. É isso que mostra o Quixote e era isso que pretendíamos nesse trabalho que é para toda vida, Continuamos estudando o Quixote, uma fonte inesgotável de prazer, exemplos e encantamentos.

Bibliografia

A Morte dos 12 pares de França Editor-Proprietário José Bernardo da Silva Cordel 32p. Juazeiro -CE 1963. preço: 50 cruzeiros
Abreu, M. F. Cervantes no Romantismo Português Editora Estampa Lisboa 1994
ALENCAR, José de As minas de prata vol. 2/3 3a ed. Prefácio de Pedro Calmon e Wilson Lousada. RJ Livraria José Olympio Editora Ilust.: Santa Rosa
ANGELI, José Adaptação em Portugues do Dom Quixote – O cavaleiro da triste figura. Série reencontro Ed. Scipione 20o ed. 1998. Il.
ANDRADE, Carlos Drummond Disquisição na Insônia In D. Quixote: Cervantes, Portinari e Drummond. RJ. Diagraphis Editora Ltda 1972-3.
ASSIS, Machado Cognac in: Poesias coligidas / dispersas Obra Completa Vol. III Ed. Nova Aguilar S.A 1992 RJ
______. Aquiles, Enéas, Dom Quixote, Rocambole in: Crônicas/ História de 15 dias/ Livro II Obra Completa Vol. II RJ Ed. Nova Aguilar S. A. 1992.
AUERBACH, Erich. A Dulcinéia Encantada. In: Mimesis: A representação da realidade na literatura ocidental. Trad. Suzi Sperber 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1987. p. 299-320.
AZEVÊDO, Alvares de (1831- 1852) Namoro a Cavalo in: Magalhães Junior, Raymundo Antologia de Humorismo e Sátira Ed. Civilização Brasileira S.A Col. Vera Cruz (Literatura Brasileira) 1957
BARBOSA, Edgar O cavaleiro Cervantes in: Imagens do Tempo Natal Imprensa Universitária 1966
______.Três Ensaios: Camões Lírico, A justiça no Reino de Quixote e Machado de Assis em alguns dos seus tipos Natal Tempo Universitário Revista de Cultura da UFRN Vol. 1 No 2 1976.
BARBOSA, João Alexandre Dimensões do Quixote in: Alguma Crítica- Ateliê Editorial 2002.
______.Ainda Cervantes in: Alguma Crítica Ateliê-Editorial 2002
______.Borges, Leitor do Quixote in: Alguma Crítica Ateliê Editorial 2002
Nota: Esses ensaios foram publicados inicialmente na Revista Cult Ano II, No 21 e 22 e Ano III No 25
BILAC, Olavo Conferências Literárias RJ Kosmos 1906
BORGES J. Dom Quixote adaptado da obra de Miguel de Cervantes em Cordel Ilustrador Jô Oliveira Entrelivros Livraria Brasília 2005
BROCA, Brito Introdução ao Dom Quixote de la Mancha RJ 2a ed., Livraria José Olympio Editora.
CASCUDO, Luis da Câmara Com Dom Quixote no Folclore Nacional Introdução ao Dom Quixote de la Mancha RJ 2a ed., Livraria José Olympio Publicado inicialmente en la Revista de Dialectologia e Tradiciones Populares Tomo VIII. Madrid Cuaderno 3o C. Bermejo, Impressor 1952
______. Dom Quixote de la Mancha: Hipeerstesia do Real. In: Prelúdio e Fuga do Real. Natal: Fundação José Augusto, 1974. p. 157-164.
______. Cinco livros do Povo RJ José Olympio 1953
______. Dicionário do Folclore Brasileiro EDIOURO 1972
CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de O engenhoso fidalgo D. Quixote de la Mancha ed. bilíngüe, com trad. Sérgio Molina. Gravuras de Gustave Doré Editora 34 736 p 2002
______. Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha. Trad. Viscondes de Castilho e de Azevedo, com desenhos de Gustave Doré. Porto 1876-1878 2v in fólio,
______. Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha Lello e Irmão Editores, Porto 1962.
______. Dom Quixote de La Mancha trad. Almir de Andrade e Milton Amado.
Int. Brito Broca. Ediouro 3v 1412 p 2002
______. O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha. Trad. Eugênio Amado. 2ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia; Brasília: INL, Fundação Nacional Pró-Memória, 1984. 2v
______. O Engenhoso Fidalgo D. Quichote de la Mancha. Tradução do Visconde de Benalcanfor. Auxiliado para mais fácil interpretação do texto por D. Luis Breton y Vedra. Desenhos de Manuel de Macedo – Gravuras de D. José Severini. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira, 1930, 2 vols. de 24 x 16,8 cm., (68) 445 pp., 1 folha s/n., (9) 524 pp., 1 folha s/n.; 30 pranchas.
______. L’ INGENIEUX HIDALGO DON QUICHOTTE DE LA MANCHE Paris Librairie de L. Hachette 1869. Two large volume set 37×28.5 cm, in folio. Pages XXIV, 586p, 636p with 370 illustrations by Gustave Doré.
______.Don Quichotte, Gérard Garouste a illustré ce grand texte de l’humanité de cent cinquante magnifiques gouaches. Ed. Diane Selliers França. 1998
______. Editions Bordas Paris 1949 in12 2 volumes reliure editeur, préface de Ventura Garcia Calderon, edition illustrée, annoté Robert Larrieur 416/ 441 pages
COSTA, João da Mata QUIXOTE: Quatro Séculos de Encantamento. Revista de Cultura Preá No 15 nov/dez 2005 Fundação José Augusto Natal – RN
CRESPO, Antônio Cândido Gonçalves A morte de D.Quixote In: Quaresma, Custódio Primores da Poesia Portuguesa RJ Livraria Quaresma 1922, 1924 (reed.)
Cunha, Euclides da D.Quixote In: Cadernos de Literatura Brasileira SP Instituto Moeira Sales 2002.
DANTAS, San Tiago D. Quixote um apólogo da alma Brasília Fundação UNB Série Mneumósis 1997 Reed. da Conferencia realizada em comemoração ao 4o Centenário de Cervantes (1947).
Diversos – Cervantes (Biografia) Gigantes da Literatura Universal Editorial Verbo Encadernação de Editor 26 volumes
FLAVIENSE, A.C.G. História do Imperador Carlos Magno e dos doze pares de França dividida em duas partes e nove livros e seguida da de Bernardo Del Carpio que venceu em batalha aos doze pares de Francça. Livraria Império RJ s.d.
FREIRE, Gilberto O Exemplo de Cervantes. In: Seleta para jovens. Organizada pelo Autor com a colaboração de Maria Elisa Dias Collier. 4.ed. Rio de Janeiro: J. Olympio; Brasília: INL, 1980. p. 22-25.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda e RÓNAI, Paulo Riconete e Cortadillo da Novelas exemplares de Miguel de Cervantes Saavedra in: Mar de Histórias 2a ed. Antologia do Conto Mundial
GAYANGOS, Don Pascual de Catalogo Razonado de los Libros de Caballerias que hay em lengua castellana o portuguesa, hasta el año 1800. Madrid 1874
GRIECO, Agrippino Dom Quixote Madraço e Parasita in: Estrangeiros Obras Completas Vol. 5 2a ed. Livraria José Olympio EdItora 1947
GULLAR, Ferreira Traduação e adaptação do Dom Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes Ed. Revan 2002
Hª. VERDADERA DEL VALIENTE BERNARDO DEL CARPIO. his/Anónimo.
Sacada con toda individualidad de los más insignes historiadores españoles. Nueva edición corregida y aumentada. (Tres pliegos). Reproduce la edición de 1879
LESSA, Orígenes Traduação e adaptação do Dom Quixote de la Mancha de
LIMA, Augusto (1858-1934) Dom Quixote in: Biblioteca Internacional de Obras Célebres 24v. Vol. XI p. 5357.
LIMA Junior, Augusto (1882-1948) Dom Quixote in: Canções do Tempo Antigo
BH Edições do Autor 1966
LOBATO, Monteiro (1882- 1948) D. Quixote das Crianças contada por Dona Benta Vol. 9 Obras Completas de Monteiro Lobato Ed. Brasiliense Limitada 1950
MACHADO, Aníbal Monteiro (1894-1964) Dom Quixote in: A Arte de Viver e de Outras artes Cadernos de João, ensaios, crítica dispersa, auto retratos Graphia Editorial 1994
MARIANO, Olegário Cavaleiro da Triste Figura in: Cantigas de encurtar Caminhos Poemas Portugal Lello & Irmãos – Editores Porto 1954
MATOS, Gregório de Poema que descreve as festas de cavalo que se fizeram no terreiro [de Jesus] em louvor das onze mil virgens ~1694/ 1687 in: Obras Completas p. 489 vol.1
MAYANS, Gregorio. VIDA DE MIGUEL DE CERVANTES SAAVEDRA.
Edición facsímil. – Enc. guaflex, con orla dorada.
MENDES, Murilo Homenagem a Cervantes in: Tempo Espanhol (1955-1958) RJ Poesia Completa & Prosa Ed. Nova Aguillar 1994
MEYER, Augusto A Sobra do Leitor in: A sombra da estante RJ Liv. José Olynpio Ed. 1947, p. 45-58
MONTEMAYOR, Jorge de. DIANA, LA. Seguida de LA DIANA ENAMORADA. Enc. tela.
MOOG, Viana Heróis da Decadência in: Obras de Vianna Moog Vol 5 RJ Ed. Delta 1966
PAES, José Paulo Soneto Quixotesco in: Um por Todos Poesia Reunida Ed. Brasiliense 1986
PORTINARI, Cândido Reprodução dos 21 desenhos ilustrando cenas do D. Quixote de la mancha in: Diagraphis Editora RJ 1973 /1974.
REGO, José Lins do Fogo Morto Ficção Completa Vol 2 Ed. Nova Aguilar RJ 1976
______. Doidinho Ficção completa vol. 1 Ed. Nova Aguilar RJ 1976
ROJAS, Fernando de. CELESTINA, LA. Libro de Calizto y melibea y de la puta vieja Celestina. Introducción y notas Manuel Criado de Val. 20
UNAMUNO, Miguel de. La vida es Sueño; El Sepulcro de Don Quijote; Don Quijote y Bolívar. In:. Antología. Prólogo de José Luis L. Aranguren. México: Fondo de Cultura Económica, 1992. p. 234-243; 244-255; 256-263.
______. Vida de Don Quijote y Sancho. Madrid: Alianza Editorial, 1987.
VAZZARI, Jacopo Legenda áurea Tradução de Hilário Franco Junior. Companhia das Letras 2003
VIANA, A. K. As aventuras de Dom Quixote em verso de cordel Tupyinanquim Editora – Edições livro Técnico Editora Coqueiro Fortaleza – CE 2005.
VIEIRA, Maria Augusta da Costa. O Dito pelo Não-dito: Paradoxos de Dom Quixote. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Fapesp, Ensaios de Cultura 14, 192 pp 1998.

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × dois =

ao topo