Que cerveja é essa? Tripel Karmeliet

Dubbel, Tripel, Quadruppel…se você é um confrade atento, já deve ter notado essa nomenclatura nos rótulos de algumas cervejas belgas (ou de outros países, mas que seguem um estilo belga) e se perguntado sobre as suas diferenças.

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Receita da Tripel Karmeliet foi inspirada em uma cerveja produzida desde 1679 em um antigo convento carmelita de Dermonde, na província de Flandres Oriental, na Bélgica

A resposta a esse questionamento pode ser ainda mais curiosa, já que não existe uma explicação para ela – quero dizer, não existe SOMENTE uma.

Já fui apresentado a várias teorias, e desconfio que haja ainda mais outras.

Desde a quantidade de malte utilizado (que é a hipótese mais popular), ou quantas vezes a água passa pela caldeira, até mesmo o número de fermentações às quais elas são submetidas… o mistério que envolve essas cervejas originalmente produzidas em monastérios e abadias é uma das coisas fascinantes para quem inicia a sua jornada pelo universo cervejeiro.

Ok, já sabemos que as teorias são várias… mas não estaríamos falando delas aqui se fosse para ficar apenas na teoria, não é mesmo?

Três carmelitas. Três grãos. Três cruzes.

A cerveja de que vamos falar hoje, a Tripel Karmeliet, foi desenvolvida pela cervejaria belga Bosteels, que também produz as lendárias Pauwel Kwak e DeuS Brut des Flandres (que podem, é claro, ser assunto das outras nossas reuniões de sábado).

Sua receita foi inspirada em uma cerveja produzida desde 1679 em um antigo convento carmelita de Dermonde, na província de Flandres Oriental.

Contam as lendas que essa cerveja, que utiliza três grãos em sua composição: cevada, trigo e aveia malteados e não-malteados (mais uma teoria para ser chamada “Tripel”), tinha seus barris marcados com três cruzes a fim de diferenciá-las das outras produções menos alcoólicas (lá vai outra teoria).

Junto ao lúpulo na fervura, são adicionadas cascas de laranja e sementes de coentro.

Parece ser muita informação para uma cerveja?

Acredite, confrade: não é. Equilibrada. Como um tripé.

Até então, temos uma cerveja que usa muitos grãos, é bem alcoólica e que usa laranja e coentro. E o que é surpreendente na Tripel Karmeliet é que tudo isso aparece na degustação ao mesmo tempo, e sem brigar.

No campo visual, ela possui uma coloração dourada intensa e uma belíssima formação de espuma, tão tradicional entre os rótulos belgas.

cervejaria belga Bosteels_No aroma surgem baunilha, laranja, limão e pão.

E no gole, além da cremosidade, vem de um dulçor de início, seguido por um sabor ao mesmo tempo floral, cítrico, frutado e condimentado.

Quando ela vai ganhando temperatura, o álcool se torna mais perceptível, mas ainda assim balanceado. Todo esse conjunto a torna bastante refrescante.

Comentários

Além de ser ilustrativa para mostrar o quão complexa pode ser a composição de uma cerveja, a Tripel Karmeliet é um deleite no campo sensorial.

Desde o belo rótulo a ela sendo servida (no copo certo!), passando pelo aroma e culminando com o paladar, é uma cerveja que entrega muito, mesmo aos paladares iniciantes.

Pelas notas frutadas e traços de tanino que ela apresenta, também acredito que ela seja uma excelente dica para você ou aquele amigo que é amante de vinhos. Que tal fazer uma degustação comparada?

Ein prosit!

Já conhece a Tripel Karmeliet? Ficou com vontade de conhecer, ou provou depois de ler nossa coluna? Tem dicas de lugares para encontrá-la, ou de alguma harmonização interessante? Não deixe de postar seu comentário neste nosso espaço de divulgação da cultura cervejeira.

tripel_karmeliet.2E então, Que cerveja é essa?

Nome: Tripel Karmeliet

Cervejaria: Bosteels

Estilo: Belgian Tripel

Álcool: 8,4% ABV

Harmonização: Carnes vermelhas, queijos casca branca maduros, pastas com molho carbonara.

Temperatura ideal: 8 – 12 °C

Copo: Tulipa ou taça

Média de preço: R$ 20 – 30 (Garrafa de 330 ml)

R$ 80-85 (Garrafa de 750 ml)

Onde encontrar: A Tripel Karmeliet pode ser encontrada em lojas especializadas, lojas de conveniência e supermercados que ofereçam cervejas especiais.

Gostou dela? Recomendo a Westmalle Tripel e a Gouden Carolus Tripel

Sommelier de Cervejas e Técnico Cervejeiro [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Marcus Campos 3 de Julho de 2016 9:28

    Que aula, Breno!! Excelente artigo!! Abraço, Marcus

  2. Gustavo Guedes 6 de Julho de 2016 12:22

    Sou fã das cervejas estilo belga. Alcoólicas, aromáticas, encorpadas, complexas e, acima de tudo, muito democráticas quanto ao que se pode usar como ingrediente cervejeiro e libertárias no que se refere ao primário conceito de pureza alemã.

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