Cesare Pavese e o suicídio

Existe apenas um único problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida significa responder à questão fundamental da filosofia.”

Albert Camus in O Mito de Sisifo

Faz um lustro, num Setembro, comemoramos o centenário do grande escritor, tradutor italiano Cesare Pavese. Tradutor e grande admirador de Joyce, Melville, Faulkner, Dickens, Sinclair Lewis, John dos Passos, Gertrude Stein e outros. Um escritor que lutou contra o fascismo e cometeu suicídio num triste agosto de 1950. Cesare Pavese nasceu no ano de 1908 em Santo Estefano Belbo. Não podendo escrever livremente no governo do ditador Mussolini , dedicou-se com afinco à tradução e divulgação na Itália dos clássicos de língua inglesa.
Escrevendo sobre o autor de a “ Lua e as fogueiras”, o escritor Ítalo Calvino relacionou o narrador excluído como o escritor. O Narrador sem nome ( “ Eu” ) retorna dos EUA para potencializar sua condição outsider. A exclusão observa Calvino em Por que Ler os Clássicos, era um tema obsessivo em Pavese e o romance A Lua e as Fogueiras é repleto de “signos emblemático” da vida de Pavese. Escreve Calvino:

O pesado fundo fatalista de Pavese é ideológico só como ponto de chegada. A zona cheia de colinas do Baixo Piemonte onde nasce ( “ A Langa” ) é famosa não só pelos vinhos e trufas, mas também pelas crises de desespero que golpeiam endemicamente as famílias de camponeses. Pode-se dizer em que não há semana em que os jornais de Turim não noticiem que se enforcou ou se jogou no poço, ou então ( como no episódio que está no centro desse romance ) pos fogo na casa, dentro do qual estavam ele mesmo, os animais e a família.

O grande escritor Ítalo Calvino também reuniu toda a poesia de Pavese e as publicou em um único volume.

Cesare Pavese considerava “Dialogos con Leucó”, publicado em 1947, um de seus livros mais preciosos. Nesse livro existe um profundo interesse pelo mito, os símbolos e sua dimensão antropológica e psicanalítica. Para comemorar essa data, algumas frases de sua autoria:

“Todos os pecados têm origem num sentido de inferioridade, também chamado ambição”.

“Em suma, todo o problema da vida é este: como romper a própria solidão, como comunicar-se com os outros”.

“A dificuldade de praticar o suicídio está nisto: é um ato de ambição que só pode ser realizado depois de superada toda a espécie de ambição”.

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