Chabrol fará falta ao presente do cinema francês

Por Ricardo Calil

Com a morte de Claude Chabrol, os jornais se apressaram a lamentar a perda do pioneiro da Nouvelle Vague, de mais um grande representante do passado glorioso do cinema francês. A mim, a perda maior parece ser a do cineasta vital do presente.

Certo, Chabrol realmente teve o privilégio de lançar o filme que inaugurou “oficialmente” a Nouvelle Vague, “Nas Garras do Vício” (1958). E, nos 10 ou 15 anos seguintes, dirigiu os trabalhos que sedimentaram sua fama: “Os Primos” (1959) e “O Açougueiro” (1969).

Mas a derradeira década de sua obra não deve nada a nenhum momento anterior. De quantos cineastas longevos se pode dizer isso? Seus últimos filmes estiveram, a meu ver, sempre entre os melhores lançados em seus respectivos anos.

Filmes como “Uma Garota Dividida em Dois” (2007), “A Comédia do Poder” (2006), “A Dama de Honra” (2004) e “A Teia de Chocolate” (2000) revelam um cineasta no auge da sua forma.

Um artista com um estilo bem definido – uma releitura particular do suspense de Hitchcock, somada a uma crítica da burguesia francesa que pode ter sido herdada de Renoir -, mas nunca conformado, sempre contundente. Aos 80 anos, ele era ainda um dos mais relevantes cineastas em atividade na França, alguém com algo fundamental a dizer sobre seu país e o cinema.

Chabrol não deixará apenas saudades para os fãs do grande cinema francês. Fará muito falta para aquela cinematografia hoje.

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo