Cheiro de brisa

Sinto cheiro de brisa marítima. Se cores a pintassem, seria esverdeado escuro. Da cor dos mares de minha ilusão de menino. Deve ser a saudade da praia-refúgio. De minha varanda, salgada pelo tempo. Talvez amanhã eu a reencontre. Estará colorida pelas cores indecisas de setembro. A prefiro perfumada pelo cinza invernal, em dias de frio. Parece mais minha. Os dias de setembro são transitórios, sem graça. Mas há uma vontade de fugir da redoma da metrópole. Esquecer a silhueta da cidade e provar o gosto da praia. E por algum instante esquecer o real. Viver é melhor que sonhar, sim. Ma há que se viver de ilusões. Pascal acreditava que se sonhássemos 12 horas ao dia seríamos metade sonho e metade realidade, sem distinguir qual das duas partes seria a verdadeira. Eu acataria minhas divagações. Sobretudo as que provoco numa rede de varanda: sonhos de navegante.

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