Chico Buarque na Caros Amigos

Um time de nada menos que nove jornalistas da revista Caros Amigos entrevistou o mestre Chico Buarque – aquele que compôs as melhores canções na época ditatorial, fala pouco em entrevista e caminha apressado, com os pés apontando dez pras duas. A entrevista é enorme. Do bom trecho que li, separei um que achei bacana, justo as primeiras perguntas. Muitos acham blasé ou classificam como auto-promoção, mas gosto quando os entrevistadores emitem certa opinião ou contextualizam a pergunta a partir de conhecimentos próprios, como nesta primeira. Abaixo, o link da entrevista.

Ana Miranda – Uma das preocupações que tenho é a respeito da função da literatura. Estiveconversando com o Raduan Nassar e ele disse o seguinte: literatura não serve para nada, só serve para divertir o escritor na hora em que está escrevendo e chatear depois que termina, porque se publicar… (risos) Você acha que a literatura tem uma função social?
Tendo a concordar com o Raduan, prezo bastante a inutilidade da literatura como das artes em geral. Concordo também que a função principal é divertir quem escreve. Quando estou escrevendo me divirto à beça, quando estou compondo também, quando estou criando encontro o prazer que não encontro nas férias. As férias, para mim, são um grande aborrecimento, fico aflito, ou porque acabei de concluir um trabalho, ou porque estou procurando o que fazer em seguida – é um intervalo inócuo.

Ana Miranda – Perguntei para o Raduan e pergunto pra você: você seria a mesma pessoa se não tivesse lido os livros que leu?
Não.

Ana Miranda – Então, a literatura tem uma função?
Tem a função de alimentar novos escritores, que terão, por sua vez, o prazer em escrever e o prazer em ler. As duas coisas se misturam, na verdade, quando disse escrever, errei, meu maior prazer é ler o que escrevi, além do prazer da leitura, alimenta a sua vaidade – “fui eu que escrevi isso” –, escrevo para ler. O momento mesmo de escrever não é tão prazeroso assim, é um antegosto, você sabe que está escrevendo para ler depois, “quando ficar bom vai ficar ótimo de ler”.

http://carosamigos.terra.com.br/da_revista/edicoes/ed107/valeapena.asp

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comments

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  1. raimundopaulino 15 de Janeiro de 2009 0:52

    Sérgio, brilhante a entrevista com o Chivo Buarque. Tão logo acesseu seu blog procurei de imediato acessar o link para ler a entrevista na íntegra. Muito obrigado, Raimundo Paulino

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