Chico César e amor como ato revolucionário em Natal!

No último sábado o produtor cultural Rick Rocha colocou na rua a primeira edição do Festival Música e Paz que movimentou a Rua Chile e o bairro da Ribeira com vários shows locais e o paraibano Chico César como atração principal da atividade.

Voltei muito no tempo com o formato do festival que colocou um palco ao lado do outro utilizando o vão do Largo da Rua Chile para o público. Me remeteu imediatamente ao Festival Dosol no começo e ao MADA, quando também passou por ali. A Ribeira sempre com o papel vocacional de incubar atividades artísticas, só não vê quem não quer!

Já de cara dava para ver bastante cuidado com os horários e estrutura física pros shows. Mesmo sem nenhum luxo (e precisa?) tudo correu muito bem, sem problemas técnicos e com conforto para quem foi ao evento (chuto um público próximo a 1.000 pessoas).

Cheguei perto do fim do show do Rastafeeling, sempre excelentes e ainda ganhei o tão aguardado álbum deles, novela mexicana para sair! Eles são uma das bandas mais promissoras da cidade. Podem voar longe, é só acreditar. Na sequência mais reggae com Marinna & Faya Soul, que faz um mix entre música pop e reggae. Falta acreditar no repertório próprio, mas como o grupo é bastante recente, acredito que com o tempo isso se resolva.

O Rosa de Pedra deu continuidade aos shows mostrando o vigor da música regional. Melhor show deles em muito tempo. Muita energia e vibração do público em volta. Bem massa e fiquei feliz em ver e estar ali no momento. Sempre bom ver grupos locais mexerem com seu próprio público.

Tinha pelo menos 06 anos que não via o Chico César em ação com seu grupo completo e ele lavou a alma de quem foi para Ribeira no sabadão nublado. Primeiro que o baixinho cresce como poucos quando o show começa. Voz poderosa, músico completo com guitarra ou violão na mão e um poder de síntese nas suas composições que encanta quem presta atenção no que ele escreve.

Banda muito redonda e com ótimos timbres a oferecer e um discurso costurado em cima do amor, liberdade e democracia (Chico César é um dos principais ativistas culturais contra o afastamento da presidente Dilma). A cada respiro da banda para uma água se ouvia o #nãovaitergolpe vindo da plateia, que culminou com a interpretação de uma música kilométrica que o artista fez para o atual momento da política brasileira. Histórico e emocionante.

Não faltou nada no repertório, estava tudo lá, para cantar junto, para dançar e para se envolver. Show maravilhoso, nota 10 com louvor. Encerrou a noite o Júlio Lima, com seu set próprio e bem peculiar e que conseguiu segurar boa parte do público do festival.

Saldo final do Música e Paz foi excelente. Iniciativa corajosa e guerreira, que é isso que o país precisa. Já estou em Goiânia e digo para vocês tudo o que está rolando por aqui no Festival Banananda 2016, mas isso é assunto para próxima coluna. Até lá!

Músico, produtor cultural, promotor do Festival Dosol e pronto para contar as vivências intensas da música de Natal e do mundo, porque viver é uma trilha sonora ininterrupta. [ Ver todos os artigos ]

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