Chomsky diz que não vai ser fácil avançar

Do La Jornada
Tradução de Denise Queiroz
Colaboração de Sergio Pecci

Fazer uma conferência em Howard Zinn é uma experiência agridoce para mim. Lamento que ele não esteja aqui para participar e revigorar um movimento que seria o sonho de sua vida. Pode-se dizer que ele é o responsável por boa parte dos fundamentos que deram origem a ele.

aqui

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TC

O link acima remete para excelente blog SUBSTANTIVO COMUM, que descobri agora, através do Vi o Mundo. Achei curiosa a coincidência do nome, embora não tenha me surpreendido porque quase nada escapa à vastidão do mundo virtual. Guarda certas semelhanças com o nosso SP.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Jóis Alberto 5 de novembro de 2011 14:47

    Professor Marcos Silva, inicialmente quero destacar o meu respeito e admiração pelo seu trabalho como historiador, dos mais destacados do Brasil. De fato, a palavra socialismo é uma espécie de guarda-chuva sob a qual se abrigam os mais variados tipos de teorias e doutrinas. Do socialismo utópico ao socialismo científico; do socialismo fabiano ao chamado socialismo real; do socialismo implantado por Tito na antiga Iugoslávia ao chamado ‘socialismo de mercado’, em construção na China contemporânea. Mesmo os nazistas se proclamavam nacionalistas e socialistas. Podia até ser uma forma extremista, totalitarista, de nacionalismo, porém de nenhum modo o nazismo pode ser considerado socialista, na medida em que essa noção implica necessariamente a ideia de igualitarismo e fraternidade, como já reivindicavam socialistas precursores, da época da revolução francesa de 1789, como Babeuf, fatos históricos e personagens sobre os quais não me atrevo a discorrer mais, em especial pelo fato de você ser historiador e conhecer dessas questões com muito mais propriedade. Porém, sem dúvidas, os nazistas, ou neonazistas, jamais podem ser considerados socialistas ou mencionados, colocados ao lado destes, pois os nazistas não só negam a igualdade racial, como são violentamente racistas e preconceituosos… E uma das premissas do socialismo científico, pós Marx e Engels, é do internacionalismo entre os trabalhadores, o igualitarismo, a solidariedade e fraternidade entre os povos.

    Não há espaço nem tempo para comentar outras questões pertinentes, como revolução x contra-revolução, bonapartismo, a Primeira Internacional – da qual participaram dois gigantes das ideias socialistas, democráticas, populares – Karl Marx e o anarquista Bakunin, que travaram célebre polêmica acerca do fim do Estado, que ambos defendiam, mas que discordavam da maneira a se alcançar esse objetivo, correto? A Segunda e Terceira Internacional, o leninismo, a divisão entre stalinistas e trotsquistas, a quarta Internacional, proposta por esses últimos, etc.

    Não vejo como um problema o fato de Lênin, após a revolução de 1917, ter implantado o taylorismo – uma das mais modernas formas de administração de empresa, não só naqueles tempos como na atualidade. Pergunto: como Lênin poderia ter liderado, de outra forma, um processo de modernização na economia soviética, tendo encontrado uma Rússia com estrutura feudal, da época dos Czares? Então sair de um modo de produção feudal para um modo de produção capitalista já é uma revolução e tanto, reconhecida pelo próprio Marx, como se sabe! Outro grande marxista, e leninista, Gramsci, também analisou as novas formas de administração, como o fordismo – ver “Americanismo e fordismo” (São Paulo: Hedra, 2008), certo?

    Se Lênin fosse negar a importância de se desenvolver as chamadas forças produtivas – para usar o jargão clássico dos marxistas -, o que ele apresentaria como alternativa para substituir a realidade russa pré 1917? O socialismo cristão de Tolstoi? Bonito, mas nenhum pouco realista. O que se desenvolveu na antiga URSS, após Lênin – capitalismo de Estado ou ‘socialismo real’, totalitarismo, sociedade unidimensional, etc – é um tema que dá oportunidade a vários tipos de interpretações, de acordo com a ideologia, parcialidade ou imparcialidade de quem aborda essas questões. Das teorias sobre o surgimento de ‘nova classe’, como em Djilas às teorias trotsquistas de ‘revolução traída’; das teorias estalinistas ao maoísmo; do legado das experiências revolucionárias posteriores na América Latina ao moderno sistema de economia mista da China; das críticas da instrumentalização da razão em teóricos da Escola de Frankfurt às teses de um liberal-socialismo em Bobbio, etc & etc!

    Quanto à experiência na China, pós Deng Xiao Ping, de fato há muito eu sei que vários acadêmicos não concordam com essa expressão, ‘socialismo de mercado’, não só porque parece ser uma grande contradição, mas também por parecer incompatível. Muitos acreditam que, lá, um dos dois modos de produção terá que ser vencedor: ou um novo tipo de socialismo ou um novo tipo de capitalismo! Veremos nos próximos anos e décadas. Mas afirmar que não existem aspectos de socialismo na China eu não afirmo. Não só pelo fato de lá ter ocorrido uma vitoriosa revolução socialista, em 1949, como também pelo fato de ainda hoje um dos fundamentos desse tipo de sociedade – o Direito socialista, existir naquele País – me corrijam, os advogados aqui do SP, se eu estiver errado!

    Claro, também defendo o multipartidarismo, com sufrágio universal, eleições livres, democráticas, transparentes, mas essas conquistas não são garantias, de fato, de autêntica e maior participação popular, tampouco o é o chamado centralismo democrático proposto por marxistas e leninistas ortodoxos, ok? Critico igualmente condições degradantes de trabalho ou trabalho escravo na China, no Brasil, nos EUA ou qualquer outro país onde ocorrer!

    Uma coisa aprendi com a filosofia, especialmente em Kant e kantianos dos mais variados tipos, é que a melhor forma de se compreender, é evitar não só os preconceitos mas também estereótipos. E um dos estereótipos mais caricatos é o de que socialistas tem que ser contra a riqueza! Na China, especialmente após Deng Xiao Ping, superados os dogmatismos e absurdos da época da ‘revolução cultural’, da qual o próprio Deng foi uma das vítimas (!), os chineses passaram a louvar mais e mais a riqueza. O que, na minha opinião, não é nenhuma heresia, pois considero que socialista contemporâneo não tem que ser contra a riqueza – simbolizada, atualmente, por exemplo, na alegria das massas consumistas nos shoppings centers, supermercados, etc, porém o socialista deve ser, sempre, contra a má distribuição da riqueza, especialmente aquela que gera desemprego em massa, mantém na miséria milhões de pessoas, da mesma forma que, paradoxal e dialeticamente, deve ter consciência crítica para questionar alienação e fetiches da mercadoria… E lá os chineses, com muito pragmatismo, racionalismo e dialética, bom senso confucionista, já retiraram milhões e milhões da miséria, da pobreza – num processo de inclusão social e econômica, que, no Brasil, com as particularidades da realidade brasileira, ganhou maior amplitude com o Programa da Bolsa Família, que beneficia milhões de brasileiros, movimentando um crescente mercado nas classes D e C, correto?

    Muito mais é preciso ser feito, é claro, tanto na China como na Índia – países onde essa tarefa parece ser impossível, porque se trata de bilhões de pessoas, e no caso da Índia ainda mais complicado, devido ao sistema de castas, infinitamente muito mais conservador, em termos de mobilidade social, se comparado à sociedade de classes. Igualmente no Brasil, onde a população embora seja bem menor, se comparada à China e à Índia, a tarefa é gigantesca, porque mesmo com todos os méritos do Bolsa Família, muito precisa ser feito para diminuir as desigualdades econômicas, a perversa concentração de riquezas, de modo a possibilitar o País a se desenvolver também no IDH – Índice de desenvolvimento humano, etc, nos aspectos sociais; além de ampliar o mercado, nos aspectos econômicos, etc.

  2. Marcos Silva 5 de novembro de 2011 7:42

    PS – esplendor do consumo para uma minoria, é claro.

  3. Marcos Silva 5 de novembro de 2011 7:40

    Jóis fez interessantes comentários sobre esse texto e o panorama internacional de hoje. Infelizmente, não concordo no que se refere ao teor socialista da China (e também, retrospectivamente, do antigo bloco soviético). Entendo socialismo como efetivo poder popular. A experiência da ex-URSS e dos países a ela associados incluiu grandes sacrifícios para a população, em nome daquele poder, mas não vi a efetivação do mesmo enquanto aquele bloco de nações existiu e se anunciou como socialista. Pelo contrário, ocorreu uma expressiva industrialização que apelou para a tecnologia capitalista como se esta fosse neutra – v. a introdução do taylorismo na ex-URSS. E o dito socialismo foi depois declarado extinto, com a solene implantação de máfias na Rússia, mais a agressiva presença de neo-nazismo na ex-Iugoslávia. O caso da China é igualmente assustador: crescimento da produção às custas de condições de trabalho e vida mínimas, esplendor do consumo e da diferença social, acumulação de reservas financeiras sem melhoria do padrão de vida geral. E manutenção do poder político super-centralizado.
    Critico o capitalismo e gostaria que ele fosse superado por uma sociedade igualitária, que garanta liberdades e poderes descentralziados. Essa perspectiva ainda me parece muito distante.

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