Choro a morte da amiga Fernanda Jales

Antônia Fernanda Jales era uma das dezesseis vítimas do trágico acidente na ultima quarta feira (13 de julho ) com o avião da Noar Linhas Aéreas, em Boa Viagem ( Recife – PE).

Uma pessoa linda em todos os sentidos. Uma profissional competente. Estivemos juntos na batalha da educação. Estivemos juntos em Brasília, certa vez, defendendo a causa da educação. O pouco tempo que ela passou pela ADURN deixou marcas. O tempo que ela viveu será eternizado no coração dos amigos e no muito que ela fez em prol da educação básica. Perde o NEI, perde mais ainda a UFRN. Ficamos mais tristes, seus amigos.

Na matéria televisiva do seu velório, o depoimento dilacerante de sua filhinha de doze anos. Que Deus a proteja.
O sentimento do sopro que é a vida. O sentimento de como os homens a despreza. A impunidade daqueles que não cuidam das aeronaves que transportam vidas. A tristeza.

No velório os amigos cantaram a música “João e Maria” de Chico Buarque e Sivuca.

João e Maria / Chico Buarque / Sivuca

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Anne Guimarães 20 de julho de 2011 10:54

    João, querido…
    Difícil falar de perda, de adeus. daquilo que ainda não aprendi a lidar.
    Mas, receba o meu abraço bem apertado, com desejo de muita paz no seu coração. Imagino a dor na despedida e o quanto “João e Maria” significou na vida de muitos ali presentes, amigos e familiares de Fernanda… eu não a conhecia pessoalmente, meu filho estuda no NEI e senti demais por todos daquela escola especial. Essa canção de Chico toca todos os dias lá e hoje no primeiro dia de aula, após as férias das crianças, certamente soará com muita emoção. Que Deus conforte a ti e a todos que a amavam.

  2. José Saddock de Albuquerque 19 de julho de 2011 23:39

    Amigo João, a morte de um amigo sempre nos leva a pensar no que dizia Vinícius “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.” Talvez, Ednar esteja certa: eles precisam de espaço, de muito espaço, por isso não cabem aqui. Abraço fraterno.

  3. Ednar Andrade 19 de julho de 2011 21:05

    Da Mata, meu amigo querido.

    Um Abraço Bem Verdadeiro para ti.

    É Realmente Triste… Sei o que é perder pessoas queridas. Dói mesmo e muito… Mas já descobri que pessoas boas partem cedo. Talvez, porque aqui não há espaço para elas, por serem Grandes… Tão belas que não cabem neste nosso pequeno mundo. Já perdi pessoas assim tão grandes… Que precisam de espaço (do espaço). “Elas permanecem vivas.”

    Mas em meio a esta dor, me fizestes lembrar momentos sublimes com esta canção do Chico, em outro contexto; um contexto feliz. Esta é a canção com que fiz meus netos dormirem… E eles amam ouvi-la até hoje (Júlia & Gabriel) que conheces… Esta é uma linda canção… Cheinha de amor e sentimentos… Não devemos ficar tristes com a partida de pessoas felizes… Elas não morrem; encantam-se. São como eternos poemas…

    Beijos, querido amigo.
    Estava já com saudades de ti…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo