Cidade (In)festa

Distante releva um desejo
que pulsa aberto – fronte/testa
epílogo torto que embaça
os olhos vesgos do asfalto
e um jeito ancestral
de colmatar tristeza.

Difere (a razão):
prima defunta pura e
santificada das gentes
aturdida em esgares
em cada prédio é banida.

Nas ruas o escuro
os bordéis e as loucas
da calçada o bêbado so(u)be
becos que toleram entulhos
os que piso na noite vazia.

Ouvi uma estranha conversa
que jamais tinha olvido
e que se engendra
pouco amistosa
nos sopés dos altares.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Ângela Magna 1 de dezembro de 2012 16:08

    Lívio Oliveira e Paulo de Tarso, que nem conheço, pessoa e verso, estão aprovados. Quem vai duvidar do árbitro da poesia? Havia o árbitro da elegância em Roma, há o árbitro da poesia no RN. Aprovou, tá aprovado! Ô vida boa…ola lá!

  2. Jarbas Martins 1 de dezembro de 2012 12:33

    Repito o que disse aqui antes, Depois do livro TEOREMA DA FEIRA, de Lívio Olíveira (uma revelação para mim), chega-nos o livro MISTO CÓDICE, de Paulo de Tarso Correia de Melo, velho conhecido. Ambos têm em comum a poesia multivalente do século XXI. Chegam por vias diferentes.Em Lívio, detecta-se a busca da síntese, entre a tradição do Modernismo e os signos da Pós-Vanguarda.Em Paulo de Tarso prepondera o peso da tradição – uma espécie de tornaviagem às nossas raízes ibéricas. Há muito o que dizer, ainda, sobre esses dois importantes poetas norte-rio-grandenses, responsáveis por dois dos mais importantes lançamentos, este ano, no campo da poesia.

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