“Cinco celebrações da lua cheia”, de Horácio Paiva

LUA CHEIA

 

abram as janelas e as tarrafas

que o vinho salta das garrafas

e o amor borbulha

 

aviem todos e todas

já se consumam as bodas

do luar e a noite alta

 

e vocês em casa a dormitar

acordem de suas trevas

abram portas e janelas

para o cortejo lunar

 

 

CANTO INÓQUO

 

Cada poema é um desafio

ante tua nudez gelada

e o teu encanto frio

 

 

ACERTOS NOTURNOS

           

estavam os três reunidos:

o mistério

o galo

e a madrugada

 

e assim dispôs o mistério

dizendo ao galo:

 

“serás a lua

e cantarás

em raios de prata”

 

e à madrugada:

 

“ serás minha sombra

e te recolherás

ao indizível”

 

e separadas se foram:

 

no trem noturno

em silêncio

a sombra

 

e acima

no alto

a lua

 

destinada a cantar

e a iluminar o caminho

 

 

O INUSITADO

 

A lua se levanta!…

Alguém se aproxima

 

Quem vem lá

pelos caminhos da Alva

pelos caminhos do Mar?

 

Vejam!

Sou eu

essa criança

que ainda não viveu

 

E vem ao meu encontro

 

Mas não me encontrará

 

Outro a espera

 

de cabelos brancos

e a  longa barba

que lhe trouxe o mar

do tear das águas

 

ensolarada e branca

como o sal

 

 

PLENILÚNIO

 

madrugada de plenilúnio:

canta o luar

ou o galo?

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