Cinco razões

Tenho cinco gatos. Algumas pessoas me acham meio louca por isso. Sempre fui meio louca. Mas não por isso. Se você, caro leitor, tem preconceitos com gatos, acha que gatos fedem ou são traiçoeiros ou interesseiros, você tem um sério problema, ou nunca conviveu com esses mamíferos peludos de quatro patas que são, injustamente, comparados com outra espécie de mamífero, aquele que abana o rabinho e late e que é realmente muito fofo, mas não é melhor que outros animais só por causa do seu amor servil.
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Todos os meus bichanos são adotados. Todos vieram das ruas. Todos são castrados. Nunca comprei bicho, nem nunca comprarei, assim como jamais colocarei um pássaro na gaiola. Essa é minha índole, se você pensa diferente, ao menos respeite minhas escolhas. E, talvez repense as suas. Natal é uma cidade que possui milhares de colônias de gatos abandonados, que nascem, crescem e se reproduzem em proporções geométricas. E isso sim é um grande problema. Animais nas ruas, à mercê da rara bondade humana, passam muita fome e tornam-se portadores de doenças que podem prejudicar as pessoas. Mas isso não é culpa deles. Tem gente que diz “gato se vira”, e eu cá comigo imagino um gato entrando no restaurante, senta à mesa e diz “garçom, me vê um filé com fritas!”. E pronto, tudo está resolvido. Vale também para outras espécies. Existem cães na mesma situação. E burrinhos sendo enxotados e espancados por carroceiros, maltrato esse financiado pela falta de educação de gente que contrata esses serviços.

O vereador Sandro Pimentel conseguiu através de emenda parlamentar que a Prefeitura de Natal faça a aquisição ainda esse ano de dois veículos castramóveis, os quais circularão pela cidade para castrar animais de rua. Ele também preside a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos dos Animais na Câmara dos Vereadores e participado de maneira sistemática de campanhas de adoção. Tem minha admiração por isso. A defesa dos direitos humanos passa pelo respeito aos direitos dos outros seres. Não vivemos isolados da natureza, fazemos parte dela. Somos também o meio ambiente. Não consigo ficar indiferente à fome e ao abandono. Minha vontade era de poder adotar mais cães e gatos.

Minha relação com os animais é muito particular, eu sei. Tem pessoas que não se sentem prontas para cuidar, para ter um animal em suas casas. Respeito isso. Só faço um apelo aos mais sensíveis: adote um animal de rua. Se não puder ou não quiser, ajude as ONG´s  protetoras, que acolhem não só cães e gatos, incluindo aí animais aleijados, atropelados, machucados e velhos. Cumprindo um papel que deveria ser do Executivo. Um quilo de ração, um remédio faz muita diferença para o trabalho dessas pessoas.

Jornalista formada pela UFRN desde 2000. Trabalhou em veículos como Diário de Natal, Mult TV!, Novo Jornal, Tribuna do Norte e em assessorias de comunicação e imprensa política durante muitos anos. Em 2013 lançou pelo Caravela Selo Cultural o ensaio biográfico, "Navarro - um anjo feito sereno", editado em 2014 pela Edufrn. Atualmente é jornalista free-lancer. Fanpage: bichoesquisito; insta @bicho_esquisito [ View all posts ]

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