Cinema Novo já é velho

Câmera na mão e uma idéia na cabeça funcionaram maravilhosamente com o Cinema Novo de Glauber Rocha, nos idos de 60-70. Fosse assim no tempo-hoje, muitos projetos de documentários no Estado seriam concebidos sem problema. Infelizmente (?) as novas tecnologias clamam por qualidade, que requer dinheiro, incentivo. Este ano, somente no nosso RN cerca de 20 roteiros foram apresentados ao projeto Doc TV, do Governo Federal. Todo ano o vencedor recebe aproximados R$ 100 mil para montar o documentário. Os “derrotados” têm seus projetos afundados ou filmados em qualidade duvidosa devido à falta de recursos. E mais das vezes são roteiros inteligentes, que renderiam ótimos projetos.

Sangue de Barro foi o roteiro contemplado com a 4 edição do Doc TV aqui no Rio Grande de Poti. O projeto é da jornalista Mary Land Brito. Trata da vida de um antigo serial-killer de São Gonçalo do Amarante. É uma história curiosa e trágica. Pode render excelente documentário. A lástima, como disse, é o esquecimento dos outros roteiros. Um em especial, me chamou atenção. O documentarista Paulo Laguardia está pronto para iniciar filmagens da vida de Djalma Maranhão. A seleção do Doc TV deste ano escanteou biografias e o projeto sobre Djalma ficou de fora. Sem recursos desejados, Laguardia espera concretizar sua idéia sem a estrutura necessária, como microfones externos, iluminadores e a qualidade do audiovisual comprometida.

Resta ainda uma segunda chance. O roteiro também foi encaminhado à análise da seleção para projetos aprovados pela Lei Municipal de Cultura Djalma Maranhão – parece ironia o documentário tratar do homenageado com a lei de incentivo à cultura. Se aprovado, Laguardia vai tentar patrocínio com empresas privadas. Quem conhece o trabalho do documentarista pode comprovar a competência. Assisti recentemente o documentário O Vôo Silenciado do Jucurutu, produzido por ele sobre a cineasta potiguar Jussara Queiroz. Muito bom.

Durante o lançamento do Doc TV 4, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel, em maio, o diretor geral da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, prometeu, na frente de jornalistas, roteiristas e diretores, patrocinar o segundo colocado. Voltou atrás com a palavra – coisa que no interior é a moeda de mais valia. Quis fazer a velha média. Seria uma excelente idéia da FJA. Talvez até repartir a grana e contribuir com mais dois projetos.

Mesmo sem patrocínio, Laguardia filmará o documentário. Sob a sombra do conceitualismo do Cinema Novo, que já é velho. Como a falta de incentivo à cultura também é. O foco principal do roteiro será a campanha de alfabetização promovida por Djalma Maranhão. E se De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, com uma câmara na mão e uma idéia na cabeça também se filma um documentário.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comments

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  1. Adriana Amorim 4 de Setembro de 2008 15:43

    Muito bom, Vilar!! Paulo Laguardia tem levado muito a sério a idéia do documentário sobre Djalma Maranhão e merece, sim, apoio do Estado. Com a Lei vai ser possível uma ligeira facilidade em angariar recursos junto a empresas privadas e talvez seja a única opção para viabilizar o projeto. Vamos ver no que vai dar!!

    😉

  2. Adriana Amorim 4 de Setembro de 2008 15:47

    Ah! É bom ressaltar que, além dos acessórios, gente competente é cara e, principalmente, uma câmera que filme em alta resolução que e puxa outros itens básicos, como uma boa ilha… enfim, uma coisa puxa outra e assim o projeto, para garantir qualidade técnica e estética, precisa de grana, investimento, gente, enfim…

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