Clarice Lispector/Biografia

benjamin moserLivraria da Folha – Você ficou impressionado com Clarice?

Moser – Fiquei deslumbrado logo na primeira página. É um amor. Quando você ama uma pessoa, muitas vezes, só vendo do outro lado do quarto, do restaurante, só vendo a pessoa. Foi por aí. Eu não esperava isso. Eu estava fazendo um curso para aprender uma língua que você nunca sabe se vai ser útil, e essa foi a grande descoberta. E foi a partir de Clarice também que eu descobri não só ela, mas a raiz dela. O que me levou pelo Brasil inteiro. Eu fiquei apaixonado por ela e queria saber mais. Quando você faz uma coisa dessas, você também tem que esboçar o mundo ao redor dela. Acontece que a Clarice, embora não fosse de ficar em mesa de café, como foi o caso de muitos escritores homens, ela tinha uma convivência muito importante com outros escritores como Fernando Sabino e Rubem Braga, e com outras figuras da cultura brasileira como Maria Bethânia, Chico Buarque e Caetano Veloso. É uma turma muito representativa do que era esse país e ainda é. Dizer que você pode conhecer o Brasil por uma brasileira soa um pouco complicado, de certa maneira. Tudo isso faz parte do mundo da Clarice e tudo isso ficava me empolgando, porque você acha que você está entrando por uma porta e está entrando em uma mansão. Você está entrando num quartinho que é Clarice, não que Clarice seja um quartinho, ela também é uma mansão. É um luxo poder ficar estudando muito tempo este mundo.

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