Claude Chabrol…

foi um cineasta que se divertiu com a burguesia

Cena de “Quem matou Leda?”, de 1959

O cineasta francês Claude Chabrol, morto neste domingo aos 80 anos em Paris, descreveu com bom humor, através de sua extensa obra, os defeitos da burguesia provinciana francesa.

Nascido em 24 de junho de 1930 na capital francesa, filho de uma família de farmacêuticos, Chabrol passou a adolescência, vivda em plena Segunda Guerra Mundial, em Creuse, de onde só saiu para cursar as faculdades de Letras e Farmácia em Paris.

Ainda como crítico de cinema, participou do lançamento da “Nouvelle Vague”, escrevendo na revista “Cahiers du Cinéma” (1952-57) junto com François Truffaut e Jacques Rivette.

Em pouco tempo, Claude Chabrol se impôs como autor, realizador e produtor de seus filmes.

“Nas Garras do Vício” (“Le Beau Serge”, 1957), con Jean-Claude Brialy, recebeu o prêmio Jean Vigo e o grande prêmio do Festival de Locarno em 1958. Já “Os Primos” (“Les Cousins”) conquistou em 1959 o Urso de Ouro do Festival de Berlim.

Chabrol se divorciou para casar-se novamente com a atriz Stéphane Audran, sua atriz musa, que interpretou papéis marcantes em filmes como “A Mulher Infiel” (“La femme infidèle”) e “O Açougueiro” (“Le Boucher”) de 1969, além de “Ao Anoitecer” (“Juste avant la nuit”, 1970).

Chabrol pintou com crueldade e sem recato o comportamento e os hábitos da burguesia provinciana, com seus escândalos encobertos por uma fachada de respeitabilidade, sem hesitar na hora de forçar as situações até o limite da queda absoluta.

Com “Violette Nozière” (1978), célebre envenenadora parricida dos anos 30, o cineasta contribuiu para revelar o talento da atriz francesa Isabelle Huppert, a quem escalou para estrelar cinco outros filmes, entre os quais “Um Assunto de Mulheres” (“Une Affaire de femmes”, 1988), “Mulheres Diabólicas” (“La Cérémonie”, 1995) e “A Teia de Chocolate” (“Merci pour le chocolat”, 2000).

Outros filmes mais leves, como “Deleagdo Lavardin” (“Inspecteur Lavardin”, 1986) e “Frango ao vinagrete” (“Poulet au vinaigre”, 1985), que contam histórias policiais estreladas pelo ator Jean Poiret, foram grandes sucessos de bilheteria.

O conjunto de sua obra, com mais de 80 filmes para o cinema e a televisão, foi coroado com o Prêmio René Clair da Academia Francesa (2005) e o Grande Prêmio 2010 de autores e compositores dramáticos.

Chabrol se casou pela terceira vez em 1983 com Aurore Pajot, e era pai de quatro filhos.

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