“Entre Dedos” entrega o que promete

Por Tácito Costa

Esse “Entre Dedos”, da Caravela Selo Editorial – leia-se José Correia -, que será lançado nesta quarta-feira (03), a partir das 19 horas, no Café Salão Nalva Melo, na Ribeira, é daqueles livros que faz gosto o cara ter em mãos. Sem exagero, mas é um trabalho gráfico/editorial no padrão da Cosac Naify, a editora conhecida pela beleza dos seus livros.

Eu não tenho certeza e nem tive tempo de consultar ninguém – se estiver equivocado me corrijam – mas acho que trata-se da primeira antologia de contos eróticos do Rio Grande do Norte. Organizada pelo editor e escritor José Correia, que também assina dois dos 17 contos, a coletânea traz ilustrações do artista plástico José Clewton do Nascimento e textos introdutórios de Correia, Clewton e do jornalista e escritor Alexis Peixoto.
Velhos e novos conhecidos entre os participantes do livro, como os poetas João Andrade, Jeanne Araújo, Jania Souza, Cefas Carvalho, Maria Maria Gomes, além de José Correia, dos jornalistas Cristiano Félix, Eliade Pimentel e Sheyla Azevedo, e da professora Aparecida Fernandes. Outros conheço-os de vista ou são desconhecidos, casos de Dora Cruz e Lola Santos (pseudônimos), Maria Marcela Freire (Mamafrei) e Fábio DeSilva. Alguns, até onde sei, estão estreando na ficção.

Li “Entre Dedos” ontem (01) à noite. Com um lápis grafite fui marcando cada conto com os sinais +, +-, e – com intuito de facilitar na hora em que fosse escrever. Posteriormente ainda dou uma olhada no material no momento mesmo em que estou escrevendo, pra sentir se mantenho o veredito inicial, feito ali no calor da leitura. Mas considero a primeira impressão a mais verdadeira e honesta por isso raramente mudo-a.
Dos 17 contos seis ganharam o sinalzinho de “mais”, ou seja, agradaram-me; cinco foram marcados como “mais ou menos”; e seis com o sinal de “menos”. Resultado natural em se tratando de coletânea. É raro uma obra dessa natureza ser recebida de forma unânime por leitores díspares. Ainda mais tratando de um assunto tão complexo de ser abordado literariamente, que algumas vezes se mistura com pornografia e a gente não sabe precisar exatamente onde acaba um e começa o outro.

O fato é que um conto que causou viva impressão em mim poderá ter recepção fria ou indiferente noutro leitor. Isso vale para recepção de arte em geral, tenho dito. Tudo dependerá das referências e formações culturais de cada um.

No caso de “Entre Dedos”, eu apreciei mais os contos que tratam o erotismo de forma direta, em linguagem crua, sem eufemismos, sutilezas ou subterfúgios. Como faz, por exemplo, Henry Miller, minha referência nessa área. Logo, o meu olhar sobre a coletânea, como não poderia deixar de ser, está contaminado pela obra desse escritor, que eu tanto gosto e admiro.

No mais é parabenizar José Correia pelo trabalho que vem realizando como editor e reconhecer que algumas das estreias em ficção (pelo menos pra mim) proporcionadas por “Entre Dedos” me causaram viva impressão. Meu desejo é que esse pessoal siga escrevendo porque demonstrou que possui talento literário. Leia o livro e diga-me depois se estou certo ou errado.

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. José Correia 3 de dezembro de 2014 14:56

    Prezado Tácito! Fico lisonjeado pela sua avaliação/crítica inteligente, direta e sem mais nem menos – mesmo utilizando o mais e o menos (trocadilho infame). Esse livro foi construído com muito carinho por todos e foi um experimento muito prazeroso como aprendiz de editor. Espero você e os que fazem o SP nessa noite bela e libidinosa. Abraço forte.

    • Tácito Costa 3 de dezembro de 2014 17:55

      Amigo velho, pode contar comigo, uma noitada dessa eu não perco nem a pau (opa!) – rs. abs. Parabéns mais uma vez pelo trabalho.

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