Coletivo CIDA estreia nova obra acessível na Funarte

Na próxima quarta-feira (11), às 20h, o Coletivo CIDA fará parte da programação Nordeste do Festival Acessibilidança – FUNARTE através do canal do YouTube da Funarte (www.youtube.com/funarte) com o espetáculo  “Maré”, seguido do Making Of, ambos com recursos de acessibilidade comunicacional (Libras, Audiodescrição e Legendagem).

“MARÉ em sua nova versão virtual e acessível é a nova produção que investiga, de modo paradoxal, os limites da impermanência e da aderência como motes de elaboração poética em dança”, afirma Ronildo Nóbrega, crítico de artes cênicas na Revista Em Pausa, sobre a nova obra do Coletivo CIDA.

Formado por um elenco de artistas com e sem deficiências, o CIDA, apresenta sua mais nova criação, a remontagem do espetáculo Maré. Desde sua criação, o espetáculo recebeu diferentes roupagens e conta com diversos formatos para exibição: solo, dueto, intervenção urbana, versão compartilhada e, agora, a versão virtual e acessível, que teve uma pré-estreia exclusiva no Palco Virtual do Itaú Cultural.

“Acreditamos na acessibilidade enquanto viés criativo, enquanto via de acesso, enquanto obrigação mínima para/com/da sociedade. Somos, assumidamente, um núcleo artístico formado por pessoas com e sem deficiências, e por isso a acessibilidade é algo que está intrínseco ao nosso trabalho”, pontua René, um dos idealizadores do Coletivo.

Rozeane Oliveira divide a coreografia e a direção com René Loui

Criado em 2017, o protoespetáculo foi remontado em 2021 como uma obra audiovisual em dança acessível. Com coreografia e direção de René Loui e Rozeane Oliveira, a produção discute, pela perspectiva cinematográfica da dança, os diferentes modos de se relacionar, friccionando a dança à linguagem cinematográfica.

Maré é a primeira obra desenvolvida pela parceria entre Coletivo CIDA e a Ilha Deserta Filmes, empresa cinematográfica potiguar que assim como o Coletivo CIDA pensa a acessibilidade enquanto propulsão criativa. A parceria também emplaca outras produções com lançamentos previstos para o segundo semestre de 2021.

Pensada inicialmente para os palcos presenciais, MARÉ, diante da situação de isolamento ocasionada pela pandemia, ganha uma nova produção e discorre de modo sensível e acessível, sobre o amor a partir da frágil situação mundial e da realidade dos cinco artistas em cena, incitando as diferenças de seus corpos e suas vivências.

“Com a chegada da pandemia, tivemos que repensar o nosso modo de trabalho. A gente não tinha intimidade com o audiovisual, mas acabamos nos aproximando de pessoas da área, e estamos agora trabalhando juntos nesse novo modo de pensar a dança”, explica o coreógrafo René Loui.

“Estou muito ansiosa com a estreia oficial no Festival Funarte Acessibilidança. Perceber o nosso trabalho em expansão é muito gratificante, ainda mais nessa perspectiva do audiovisual em dança acessível.” declara Rozeane Oliveira, também coreógrafa.

René e Rozeane integram o elenco de Maré ao lado dos artistas convidados Álvaro Dantas, Jânia Santos e Marconi Araujo.

Tomado por sensações e possibilidades provocadas pelo momento atual, o CIDA compôs o espetáculo tanto com imagens da performance registradas no palco tradicional quanto de frente para o mar. A proposta de mesclar os dois ambientes foi registrar o que eles representam hoje: a vontade de ir para as ruas e de voltar aos palcos.

Terceiro trabalho do núcleo formado por artistas com e sem deficiências, Maré traz, além de interpretação em Libras, uma audiodescrição pensada para o trabalho, que dialoga com a obra como uma espécie de poema.

“Acho que com isso a gente conseguiu criar uma camada a mais para o público vidente e não vidente de uma nova construção em dança”, aposta René Loui, que acrescenta: “Sempre fomos um núcleo que pesquisa a diversidade dos corpos, para a gente, acessibilidade e inclusão sempre estão juntas”.

Palco Virtual Itaú

No último mês o Coletivo CIDA fez parte da programação do Palco Virtual do Itaú Cultural, após a exibição do espetáculo, houve um bate papo entre criadores e público.

“MARÉ tem repercutido muito positivamente desde nossa pré-estreia. Nas redes sociais profissionais com pesquisas relacionadas à dança e/ou à acessibilidade, assim como espectadores com e sem deficiências, têm nos contactado para dizer sobre suas impressões para com a obra. Percebemos uma identificação do público, seja pelas temáticas que MARÉ aborda ou pela possibilidade de fruição para todos. As devolutivas que temos recebido desde a pré-estreia até agora nos impulsiona a continuar pensando e produzindo uma dança acessível e diversa. A iniciativa da Funarte de pensar um festival de dança acessível  é um grande avanço para a inclusão e acessibilidade em nosso país. Acreditamos que seja de grande importância que outras instituições públicas e/ou privadas também percebam a necessidade de desenvolver editais, festivais e políticas que busquem o protagonismo da pessoa com deficiência.” Pontua Arthur Moura, um dos idealizadores do Coletivo CIDA.

Maré foi selecionada pelo Festival Acessibilidança e contou ainda com uma pré-estreia exclusiva, seguida de bate-papo no Palco Virtual do Itaú Cultural. A obra conta ainda com recursos da Lei Aldir Blanc – Natal, através da Prefeitura do Natal.

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