Com a ética e a estética, uma caravana poética

Foto: Evaldo Silva

A caravana de escritores anuncia suas próximas partidas. Entre telas de pinturas e gravuras, a caravana oficializa seu time table, com alguns dead lines, com destinos e escalas previstas; datas e horas de partidas. A estação principal com anuncio dos embarques foi na Pinacoteca do Estado, antiga sede do palácio do governo, hoje instalada na praça dos Três Poderes, a praça Sete de Setembro, lembrando a data da Independência. Naquela praça onde tudo foi dito, tudo pode ser lembrado, passado, presente e futuro.

Fatos e fotos, ali reunidos, gente e atos. Depois de anos com um auto custeio, surgiu uma nova energia para conduzir a caravana. A companhia elétrica do estado, pertencente ao grupo Neoenergia. Diante das caravanas segue Tiago Gonzaga, capitão e piloto da empreitada. definindo e ajustando o curso. A caravana segue cercada de ética, respeitando escritores potiguares. E cada um pode ter uma estética pessoal, seja do texto ou na apresentação pessoal, caracterizando escritores e personagens de histórias.

Tiago Gonzaga é o capitão da expedição de cabeludos e carecas; poetas ou poetisas; leitores ou escritores; atores e artistas. E com microfone na mão Carla Alves anunciava as chegadas e as partidas. A Academia Norte¬rio¬grandense de Letras, estava ancorada, se fez presente com Leide Câmara o o homem dos salvados, Manoel Onofre. Outros fundearam ao largo, aguardando a praticagem e um berço vago.

Nas bibliotecas da vida e das escolas. No Oeste ou no Leste, Central ou Agreste. De Macau ao Seridó. O escritor tem que ir aonde o leitor está, de caravana em uma van…… O Inharé e de Cristo também estavam presentes. Drika e Shirlene representavam as culturas que influenciaram a nossa cultura, e tantos outros e outras que estavam presentes.

José de Castro chegou para temperar a noite, apresentando cominhos de ervas doces, com letras pintadas e coloridas de açafrão e cúrcuma. Em uma noite de anis estrelado. Castro apresentou um romaneio de poetas, escritos e poesias, com suas palavras, seus versos e seus livros. Muitos pousados sobre a mesa.

Nos bastidores as conversas picantes, com pimentas ardidas e coloridas. A falta de acessibilidade foi dada de presente, por um enorme caranguejo na calçada. Enquanto a caravana vai para frente, o poder publico vai para trás. Um escritor amigo de todos, ficou impedido de participar da solenidade no andar superior. Sua condição de mobilidade não permitia enfrentar as escadas, já que não havia uma plataforma que o elevasse para o piso superior da pinacoteca. Está temporariamente debilitado por comprometimentos em seus tarsos e metatarsos. E o amigo escritor, está sempre disposto a limpar a cidade, faz parte dos serviços da Urbana.

Mário Bróis, com seu traje de galã das baladas, mesmo com seu triciclo possante e envenenado, chegou um tanto quanto atrasado. O nome da Bruxa de Emaús foi lembrado na volta. Ela não compareceu ao evento, pode ter tido problemas com a vassoura, ou deve ter feito o trajeto de Ceará Mirim à Emaús sem escalas.

A presença de alguns candidatos a cargos políticos nas próximas eleições, apontam um comprometimento com as letras, sem importar onde e como estão, e estarão escritas. Citando leis ou acordos e até normas; promessas ou poesias. Podem ter certeza que seus nomes, seus rostos, suas promessas e suas presenças serão lembradas.

Comments

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  1. José de Castro 9 de Agosto de 2016 11:12

    Cardoso é o cronista. Consegue analogias insólitas. Caravaneia as palavras como se fossem caravelas soltas no mar das letras… O nosso Pero Vaz que caminha pelos meandros da narrativa bem-humorada e inteligente… E a caravana passa… E seguimos em frente… Uma santa e sua cruz nos esperam… Romarias beletristas nos aguardam… Em frente…

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