Comemoração dos 70 anos de Nara Leão tem apenas site

Por Marcus Preto

Morta em 1989, uma das cantoras mais importantes do país ganha no aniversário só página bancada pela filha

“Em 19 de janeiro de 2012, minha mãe faria 70 anos. E esse é o meu presente: compartilhar sua obra para que todos possam se deliciar, ouvir e pesquisar à vontade.”

O recado foi publicado na semana passada por Isabel Diegues, filha mais velha de Nara Leão (1942-1989), em sua página no Facebook.

E, fora o presente da filha, nada de muito representativo está sendo preparado para o aniversário da cantora.

Reeditados em CD em duas caixas -metade em 2002, outra em 2005-, os álbuns de Nara esgotaram nas lojas e nunca mais foram repostos em catálogo. Hoje, estão totalmente indisponíveis e são vendidos a preço de ouro em sebos ou na internet.

Segundo a gravadora Universal, que detém o direito de todos os trabalhos lançados pela cantora entre 1964 e 1989, não há nenhum plano de corrigir isso.

Isabel afirma que, além do site, não sabe de nenhum outro projeto envolvendo sua mãe: documentário, série de TV, show-tributo, nada.

“A única coisa que eu sei que está rolando é uma peça de teatro”, diz Isabel, a respeito do musical “Nara”, que estreou em 2010 e deve voltar a São Paulo em março. “Algumas pessoas me procuraram, mas nada foi fechado.”

É como se Nara não tivesse sido uma artista tão importante para a construção da música do Brasil quanto Elis Regina ou Gal Costa.

Como se não tivesse sido o seu apartamento, em Copacabana, o celeiro criativo de tantos nomes que, na virada para os 1960, fariam acontecer a bossa nova. Até João Gilberto esteve naquela sala.

Como se não fosse ela a responsável por, em 1964, por trazer ao centro da MPB compositores como Cartola, Zé Keti e Nelson Cavaquinho. E por lançar canções fundamentais de gente como Chico Buarque, Carlos Lyra, Edu Lobo, Baden Powell.

Como se não influenciasse, até hoje, uma leva substancial de novas cantoras -de veteranas como Fernanda Takai, que lhe dedicou um álbum em 2007, a estreantes como Nina Becker e Tiê.

Toda a produção do site www.naraleao.com.br foi bancada por Isabel. Ela não revela quanto gastou, mas afirma que foi valor considerável para o bolso de uma pessoa física. Ainda assim, optou por não buscar patrocínio de empresas ou leis.

“Percebi que, seu fosse esperar alguém para colocar dinheiro, não ia acontecer.”

Está (quase) toda a discografia para ser ouvida (mas não para baixar), uma bela cronologia de sua vida e alguns documentos, como cartas e provas escolares.

O resto do acervo da cantora é de propriedade do MIS, para quem foi doado pela família quando Nara morreu.

“É importante que as pessoas voltem a escutá-la para entender a trajetória toda. Que ela é muito mais do que a ‘musa da bossa nova’ ou ‘a intérprete de ‘A Banda’.”

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