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Amigos Alex e Tácito, seria ingênuo de minha parte tomar o cinema americano como referência. Considero, sim, como mau exemplo. E não só o cinema. Mas aí a discussão enveredaria por caminhos outros até chegar ao elogio recebido de “socialista descabido”. Já entrevistei dos maiores críticos do gênero da América Latina, um cubano do qual esqueci o nome. Ele classificou nosso cinema como emergente. Citou boas produções recentes e comparou com outras indústrias daqui mesmo do continente latino. Postou o Brasil atrás de Argentina, por exemplo.

Amadurecemos muito na época da retomada, pós-Collor. Produzimos mais ainda. Estivemos na ante-sala do Oscar e mostramos Central do Brasil, Cidade de Deus e Diários de Motocicleta ao mundo. Temos ainda o Auto da Compadecida, só nosso e de mais ninguém. Mas se já temos tempo e dinheiro para super produções, grande parte num vale o vintém gasto. Exemplos: Zuzu Angel ou Mais Uma Vez Amor. Coisa de cinema imaturo, de experimentalismo, de cinema em desenvolvimento. Outro ponto negativo, ao meu ver, é a carência de bons atores de cinema. Não é à toa a repetição de um mesmo time, composto, entre outros, por Lázaro Ramos, Wagner Moura e Selton Mello.

A Globo Filme é boa contribuinte na produção de filmes descartáveis. Empresta um elenco de talento duvidoso e acostumado às novelas, e produz filmecos como o do Casseta e Planeta ou Os Normais, além de financiar outros mais ousados, mas também de má qualidade. O tal filme de Chorão (que nem pra músico presta), o Magnata, é horrível. Assisto verdadeiras preciosidades do cinema argentino, iraniano e até mexiano. Claro, também aqui. Mas comparando é que opino na imaturidade do cinema brasileiro. Evidente, ele retrata “o olhar da sociedade”, como frisou Alex. E talvez por isso, tamanho desleixo em algumas produções.

E sobre a famigerada discussão da pirataria, o doce do angico não será posto nesta mesa. A discussão é longa, e como frisou Tácito, discuti-la de forma maniqueísta é um atraso. Chamar de hipócrita o leitor é afirmar o óbvio. Hipócritas somos todos. E quem negar está sendo um. DVDs e CDs piratas não são o fim do mundo. Talvez sejam o início de um, que muitos não assimilaram ainda. Como exemplificou uma vez Alex Medeiros, a fita cassete reproduziu o LP de vinil; a fotocópia multiplicou livros de faculdade; a fita VHS copiou o filme da TV. Os tempos são outros!

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