Comunismo e fascismo

A primeira e mais importante diferença entre comunismo e fascismo é que o fascismo já foi testado e o comunismo não.

O fato das ditaduras da União Soviética e China, mais seus satélites, terem adotado impropriamente a denominação de comunistas, não quer dizer que ali se praticou o comunismo.

Da mesma forma que não se pode chamar de democratas as ditaduras latino-americanas, só por que se denominavam democracias e ainda recebiam o beneplácito da democracia norte-americana, sob o véu de protetoras das liberdades democráticas contra o sino-sovietismo.

O império americano sempre protegeu sua democracia interna, a serviço da sua liberdade. Mas bancou ao longo do seu domínio, até hoje, toda forma de ditadura, desde que afinada com seus interesses. A URSS fazia o mesmo, com os seus.

Para consolidar seu domínio imperial, contra a nascente potência soviética, era preciso uma campanha avassaladora de atemorização do resto do planeta contra o “espectro do comunismo”.

Falar mal da China ou da Rússia não faria tremer de pavor o mundo cristão. Era preciso propagar a nomenclatura que os próprios soviéticos haviam incorporado, mesmo impropriamente.

O povo inculto e místico desses países não sabia nem o que era União Soviética. Mas “sabia” o que era comunismo. Essa palavra terrível e assustadora.

Não foi difícil essa mistificação semântica. O próprio Marx contribuiu com esse fenômeno ao dar importância desnecessária ao ateísmo. Não era preciso ter imposto sua descrença pessoal em Deus, direito legítimo das convicções, como parte do programa político a ser implantado por uma revolução.

Duas burradas. Impor a negação de Deus e propagar como resultado da revolução a Ditadura do “proletariado”. Ponho entre aspas, porque o proletariado nunca possuiu nem exerceu ditadura alguma. Toda ditadura é propriedade de tiranos. E em torno deles o “feixe” coletivo, amarrado e sob controle. Feixe é a raiz semântica do fascismo. De fasces, do latim.

Stalin, Mao e ditadores ditos de “esquerda” nunca foram comunistas. Uns fascistões; iguais a Hitler, Mussolini, Franco, Pinochet ou Garrastazu Médici. Iguais a esse fela da puta da Coréia do Norte.

A Igreja católica, nos grotões da sua influência, usou os púlpitos para fazer o serviço sujo. “O comunismo vai devorar crianças, deflorar moças, matar padres, violentar famílias, tomar propriedades, derrubar igrejas”. Isso entrou na alma do povo maciamente. Como colher no pudim.

O resto foi fácil. Todo adversário do regime ditatorial de direita é comunista. E assim sendo, é um inimigo de Deus, da Família e da Pátria. Da mesma forma que o adversário da ditadura de esquerda é um inimigo do povo. Simples assim e cruel como sempre. A ganância é o intestino do capitalismo e o comunismo é a negação da ganância.

Sou comunista, meu Deus é Tupã e Viva a Liberdade! Té mais.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 14 de abril de 2014 22:07

    Socialismo deveria ser poder da maioria, nenhuma relação com partido único nem economia de estado, idem com centralismo democrático – é DESCENTRALISMO. É claro que qualquer energúmeno pode reivindicar a palavra e esvaziá-la de sentido – até o partido nazista o fez. O socialismo está para ser inventado, portanto.

  2. Danclads Andrade 14 de abril de 2014 20:53

    Ditadura (independentemente da ideologia que adote) é violência e violência é sinônimo de fraqueza. Um governo que age assim, demonstra medo e medo do povo que ele governa. Um governo que tem medo do povo, não merece o poder.

    Ah! Lembremos Hannah Arendt:

    “A violência não reconstrói dialeticamente o poder. Paralisa-o e o aniquila” (In: Da Violência).

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