Concerto trará repertório de Villa Lobos e arrasta um século de tradição da música potiguar

Pautei uma matéria na finada revista Palumbo sobre a identidade da música potiguar. Há divergências. Alguns reputam ao côco de zambê. Outros, ao forró, sempre nordestino. Há até quem acredite no rock, dado o movimento iniciado nos anos 60. Eu sempre acreditei mais na música instrumental e, particularmente, no trabalho de bandas de música. Se puder afunilar ao máximo, eu diria ainda que nossa maior tradição é o violoncelo.

Essa tradição vem do início do século passado, com a chegada do violoncelista italiano Thomaz Babini a Natal, que formou uma das mais representativas classes do instrumento na história da música brasileira. Entre os alunos de Babini figuravam Aldo Parisot – professor catedrático da Yale University. E também Mário Tavares – ex-diretor artístico do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. E ainda Nany Devos – macaibense, ex-violoncelista do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outros.

Pois segunda-feira passada (PENSEI QUE FOSSE NESSA PRÓXIMA SEGUNDA!), o natalense conferiu de pertinho e de graça o que posso chamar de continuidade de toda essa história. O concerto que celebrou o oitavo ano de atividade do grupo UFRN CELLOS, formado por notáveis do instrumento, formados pela UFRN, será realizado às 20h, no Auditório Onofre Lopes com um programa inteiramente dedicado à obra de Villa-Lobos. No repertório foram apresentadas as duas célebres Bachianas (1 e 5) contando com a participação especial da soprano Alzeny Nelo.

O grupo já se apresentou em importantes festivais como a MIMO (Olinda), Festival Música nas Montanhas (Minas Gerais) e Festival Virtuose (Recife). Pelo grupo passaram cerca de 50 violoncelistas, dos cursos regulares de extensão da UFRN, vindo de todas as regiões do Brasil, Argentina, Equador, Alemanha e Dinamarca. Ex-integrantes do UFRN CELLOS hoje ocupam posições de destaque em orquestras brasileiras, como professores universitários e em concursos internacionais.

Em sua composição atual estão presentes violoncelistas do RN, CE, PE, SP, RS, MG, ES e Argentina. Atualmente o grupo se apresenta por volta de 20 vezes por ano, representando a Universidade em eventos oficiais, além de concertos em hospitais, escolas, igrejas e salas de concerto. Um orgulho para a UFRN, para o Estado e para a história da música potiguar. Para uma Natal tão modista e metidinha a cosmopolita, olhar para a tradição é sempre bom. E quando essa tradição é modernizada, melhor ainda.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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