Do concurso de poesia, da festa interrompida da Samba e uns trocados sobre o jornal O Beco

A celebração dos 21 anos da Samba, no último sábado, foi interrompida por Rossana Sudário. Os becodalamenses ficaram indignados. Claro, esperavam a festança com show da Banda Anos 60 e outras canjas habituais. Falam em desavença pessoal da promotora com Neide, comerciante das redondezas cuja celeuma data desde o projeto Beco do Reggae, promovido por Marcelo Veni e suspenso por Sudário uns anos atrás. Mas duvido que a decisão da promotora falte respaldo legal. Ela não é disso. Mas também não é de deixar passar nada. Então, se há um olhar mais atendo da Santa Sudária para o Beco é bom se cercar de todo o aparato de licenças e tudo o mais para os próximos eventos.

Show suspenso, mas o jornal O Beco foi lançado. Li pela net. Gostei muito da diagramação, da editoração e da revisão. Praticamente não vi erros. Mas não entendi uma página dedicada à história de uma banda de música do interior quando o espaço de quatro páginas já é pouco e quando as acontecências do Centro Histórico deveriam ser o foco. Os artigos de Dunga e Serrão se destacaram. E acho que Franklin Nogvaes poderia elaborar uns perfis dos músicos do Beco, para continuar falando de música e com foco no lugar. E o maestro falou do pai sem citar o nome. Penso que poucos sabem que ele é filho do saudoso João de Orestes.

Seções fixas de perfis de figuras conhecidas do Beco ou histórias de cada bar poderiam ser criadas. Tudo para se pensar e analisar possibilidades. Foi só o primeiro número, já com mil tiragens na praça em apenas dois meses de gestão. Então, também achei válidos os espaços panfletários, digamos, que mostra as ações da Samba. São necessários! Mas pode-se voltar o foco do jornal para a rotina do Beco e seus personagens, seus lugares, suas tradições. Assim, o jornal marcaria história na imprensa local sim, e aqui não vai nenhum exagero, como costumo brincar ao falar do maior Beco do mundo. Então, de parabéns a Samba e o editor Cefas Carvalho!

Falar em Cefas é repercutir o resultado do Concurso Luís Carlos Guimarães, criticado incisivamente por aqui. Quando falei em mesmos vencedores não está imbuída nenhuma crítica, mas uma constatação. Como disse, gostei bastante do poema dele. Desconheço a poesia do segundo e terceiro lugares. Sou fã de Maria Maria e Iara Carvalho, selecionadas entre menções honrosas. Então não só pela qualidade dos citados, mas pela homogeneidade da comissão, formada por poetas mais conservadores, poetas contraculturais e até cordelista, não cabe críticas tão ferozes, penso. É muito questão de gosto, mesclado com alguma técnica e estética linguística.

Outra questão fundamental nessa discussão: a comissão não teve acesso aos nomes dos autores! Então, a análise se deu puramente pelos poemas, sem tendências para o amigo tal ou determinado nome mais reconhecido no meio. Tanto que penso ser nomes novos os segundo e terceiros lugares, as curraisnovenses Maria Marcela Freire e Paula Erica de Oliveira, de uma safra de bons poetas seridoenses. Listas, resultados de concursos cuja análise tem bom percentual de subjetividade, recai em decepção ou divergência para alguns, mas a crítica precisa ser mais sóbria e fundamentada, longe dos xingamentos ou do vazio das palavras.

No fim, a Samba se fez samba no palco de paralelepípedos do Beco:

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comments

Be the first to comment on this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP