çoneto

(para jota medeiros)

imagino que teus pêlos, girassóis nascidos de solo radioativo,
eriçados imponentemente sobre a carne turva –
tua decomposição solene.

Comments

There are 7 comments for this article
  1. Jarbas Martins 12 de Maio de 2012 10:15

    Sou velho estudioso do soneto, Mombaça, essa invenção que Glauco Mattoso diz ser uma das mais importantes contribuições do Ocidente. Dediquei um antologia (“14 versus 14”, ed. Boágua, 1994) sobre essa forma nada fixa.Há muito se esgotou. O editor Abimael Silva pensa em tirar uma edição facsimilar. Tem a minha autorização. Mas pretendo publicar uma segunda edição da minha antologia, revista e ampliada. O seu antológico antissoneto, parassoneto, soneto pós-canônico, seja lá o que for, terá destaque em minha coletânea. Parabéns, grande poeta !

  2. Jóis Alberto 12 de Maio de 2012 11:52

    Gostei deste poema também! Boa desconstrução do soneto. O título, ‘çoneto’ é ótima decomposição dessa forma poética. Como se sabe, tenho feito algumas desconstruções do soneto. Não vou dizer que Mombaça me imitou nessas desconstruções, porque realmente isso não teria nem cabimento! Desta vez, sinceramente, ele teve um insight muito original, genial mesmo, ao criar o título desse texto.

  3. Jarbas Martins 12 de Maio de 2012 15:46

    Amigo Jóis, suas desconstruções do soneto também terá lugar em minha antologia.

  4. nina rizzi 12 de Maio de 2012 22:41

    o título e o corpo, em desequilíbrio. eu não mereço menos que isso, a mutilação.

  5. Jairo Lima 13 de Maio de 2012 5:51

    Não conheço, desde a invenção da tesoura, construção mais sutil e inteligente do que o soneto, na literatura, e a sonata, na música. E estão descontruindo um terreno baldio perto da Maternidade pra fazer um edifício. E qualquer um pode facilmente chamar mamão de pitomba, sem que isto signifique que a pitomba virou outra coisa que não aquela coisinha azeda que dá no Recife na festa da Conceição.
    As pesquisas comprovam: a semântica tem mil utilidades no lar.

  6. Jarbas Martins 13 de Maio de 2012 5:57

    Corrigindo: Amigo Jóis, tuas desconstruções do soneto terão também lugar em minha antologia.

  7. Jóis Alberto 13 de Maio de 2012 10:43

    Obrigado, Jarbas Martins! Sabia que não precisaria vestir saia, nem baixar a calcinha (!) (rsrsrsrs), nem me mutilar, com piercing, alfinete ou pé quebrado, nem me envergonhar de cacofonia – ‘como amo ela’ ? ‘eu vi ela no beco’? – ou rima pobre, ou, ao contrário, me envaidecer com rima rica, para merecer a láurea de figurar na sua antologia de sonetos tradicionais, construídos com enjambement (!); modernos, do tipo Geração 45, ou pós-modernos, desconstruídos com Derrida, com ‘derrière’ que não dá ou com poesia Dadá!

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