Conheça o Grupo de Ação Cultural de Itajá

Olá a todas e todos.

Estou migrando para cá, com esta minha primeira colaboração no Substantivo Plural, do site Papo Cultura, no qual tinha uma coluna que tratava principalmente de fatos ocorridos no “meu sertão”: o Vale do Assu e as regiões limítrofes, do Seridó potiguar e paraibano especialmente.

Para este meu artigo de estreia, pensei em falar para vocês de um projeto que, após muita articulação prévia, finalmente foi posto em prática. A ideia sempre foi a de criar um grupo de pessoas de boa vontade e determinação, base fundamental para efetivar algumas boas ações na comunidade, no município e na região.

Na quinta-feira, 13 de agosto de 2020, às 19h, nos reunimos, Flavihian, Jack, Juliana e Ronison para fundar o GRUPO DE AÇÃO CULTURAL de Itajá – RN, uma associação sem fins lucrativos, cujas principais finalidades são o incentivo à leitura e a valorização do patrimônio histórico e cultural da região do Vale do Assu, sertão do Rio Grande do Norte.

Desde o nome que leva, o grupo é um projeto concreto e prático, cujo lema foi escolhido entre os versos de um grande poeta contemporâneo, o pernambucano Chico Science: “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”.

O grupo logo adotou dois projetos já existentes, idealizados respectivamente em 2008 e 2019: a “Bibliotequinha infanto/juvenil do Sítio Araras” e o “Clube da Leitura de Itajá”.

Bibliotequinha

Da bibliotequinha, já tenho muita coisa para contar, mas vou dizer só o essencial. Ela nasceu, espontaneamente, logo que comprei minha casinha no Sítio Araras, em junho de 2008, e com toda a família passamos uma temporada na vila.

O primeiro acervo foi baseado nos livrinhos de minha filha, Marina Luna; junto com a mãe Sobelysse, elas realizaram muita interatividade com meninas e meninos da vila, quase todo dia. Com o passar do tempo, eu fui procurando sempre enriquecer o acervo da bibliotequinha, recebendo algumas doações de livros, revistinhas, papel e lápis coloridos etc; doações vindas de particulares e de alguns editores também, dentre os quais brilhou em passado Carlos Fialho, da Jovens Escribas.

Sandra Almeida, do Book Shop Pipa, também reserva sempre para a nossa bibliotequinha uma porção de livros e livrinhos. Ela bem sabe, fundadora do “Leitura na Praça”, como o acervo literário de uma  ação de incentivo à leitura para com as crianças tenha um desgaste rápido. Dezenas de meninas e meninos do Sítio Araras cresceram lendo os livros e as revistinhas da bibliotequinha. Os primeiros “pequenos leitores” já são jovens adultos e os filhos deles são os que pegam os livros emprestados hoje em dia. A atual responsável pela bibliotequinha, Juliana Coelho, jovem estudante e professora estagiária, também já foi uma pequena leitora da bibliotequinha, quando pequena .

Clube da Leitura

O “Clube da Leitura” é um projeto todo on-line, por enquanto. Todas e todos os leitores da cidade de Itajá e cercanias estão convidados a participar. O intuito fundamental do clube é o incentivo à leitura, principalmente através do empréstimo de livros entre os membros. Outras atividades, como saraus poéticos, rodas de conversa literária, rodas de leitura, lançamento de livros etc. estão dentre as propostas contempladas.

Para participar do clube, cada pessoa deve disponibilizar para o empréstimo aos membros do grupo on-line pelo menos um livro, em boas condições e identificado com o nome completo do proprietário escrito ou carimbado na primeira página. Cada pessoa pode pegar emprestado um livro por vez. Os interessados devem marcar de comum acordo local e hora de entrega e devolução. Um processo simples e muito eficaz para valorizar um livro, que deixa de ficar parado numa estante para ser lido por mais de uma pessoa.

Além disso, o GAC de Itajá está já com uma lista de novas ações para implementar nos próximos meses; algumas ações de pequeno e médio porte, mas já estamos também sonhando e planejando, para um futuro que esperamos ser quanto mais próximo, um festival multicultural, sediado na praça principal da cidade, claro; por que não?!

Dentre as muitas propostas que fazem parte de nossa lista está um profundo mapeamento cultural do município, que gere uma série de curtas-metragens de “memória viva” e a publicação de algum livro de poemas, ou de cordel, de repente.

Outra ideia que temos intenção de realizar é a “Bibliotequinha no distrito”, um projeto de multiplicação de nossa experiência, com a criação de uma pequena biblioteca comunitária em cada distrito afastado da cidade, três ao todo. O processo prevê a identificação de pessoa do local que fique responsável pela ação; capacitação da mesma; arrecadação de livros, revistas etc para formação do acervo; realização planejada ao longo do tempo de ações de incentivo à leitura: oficinas, contação de histórias, teatro etc.

Bom, por hoje é só isso.

Na verdade, alguns meses atrás, pessoas queridas de Pipa, Natal e do meu sertão também, me perguntaram o que ia ser disso e daquilo e eu, que estava pensando somente em me alimentar bem, dar uma pedaladinha por lugares frequentados só por cabras e preás, tomar banho no córrego e dormir na rede por baixo do imbuzeiro, despertei de uma espécie de letargia pandêmica e recomecei a pensar mais.

Recebemos sugestões e doações.
Faça contato conosco pelo email: g.a.c.itaja.rn@gmail.com


Créditos da foto a Tito Rosemberg (2008)

 

Italiano enraizado no Brasil há quase 30 anos, gosta de fazer coisas, ler, escrever, fotografar, jogar xadrez, andar em bicicleta e canoa. Morou por mais de 20 anos na Praia da Pipa e, há algum tempo, mudou-se pro Vale do Assu, sertão do RN. [ Ver todos os artigos ]

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