Convite – Lançamento

Mais que amor

Do poeta Carlos Gurgel, recebi o seguinte e-mail: Tácito, como vai? nessa quinta (7 de novembro) das 20 às 22hs, lanço no Piazalle Mall, no Midway, meu novo livro “Mais que amor” editado pela Ibis Libris (RJ). Esse texto que te envio, a orelha do livro, foi feito pela Thereza Christina Rocque da Mota, poeta, tradutora, proprietária da Ibis Libris. Tem um espaçozinho no Substantivo Plural que possa postar? E, se puder, vá lá.

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“Dá-me tua mão”. Este foi o primeiro pedido que recebi, quando me propôs fazer seu novo livro Mais que amor. Mais do que poesia, o que ele me propunha era vida, que escoa rapidamente e precisa ser contida de alguma forma. E essa forma é o livro. Mais do que poeta da minha geração, Carlos Gurgel tem ânsia pela palavra desde que se entende por gente, e isso vem num crescendo verborrágico visceral, que transborda por onde ele passa. Quem o conhece sabe de sua forma única de se manifestar. Tantos outros poetas antes de mim travaram conhecimento com ele, e todos são unânimes em sua candura e garra pela poesia. Como voz ancestral e moderna, como grito primevo e futurista. Não há nenhuma parte dela que não aconteça de modo próprio e pessoal, e assim disseram outros antes de mim, também presentes neste livro, que reúne tanto poemas novos quanto publicados, numa reeleição de textos essenciais. O discurso poético é ininterrupto. Começa antes e termina muito depois.

Para falar dele, tive de buscar seus livros anteriores, que só encontrei em sebos em João Pessoa, inflacionando o mercado da desconhecida poesia marginal (pouco e mal estudada entre nós): havia dois exemplares de Deusa do além, de 1984, um a R$ 40,00 e outro a R$ 50,00. O dono do sebo deve considerá-lo um papa da poesia alternativa, pois os livros, feito em papel jornal e sem laminação, já estavam carcomidos. Apaixonada poesia louca (2002) e Dramática gramática(2010) também eram exemplares únicos, ou seja, o poeta esvaiu-se, não há registro dele no mercado, daí a necessidade de se recompor a sua trajetória, tão necessária para se compreender o que vem fazendo há quase 40 anos, desde que lançou o primeiro livro, em 1976, O arquétipo da cloaca 3×4, com Sávio Ximenes, Carlos Paz e Flávio Américo. Depois veio o primeiro livro individual, em 1979, Avisos & apelos, que não existe mais nem em sebo.

A poesia é sempre nova. Não importa se escrita hoje ou há 40 anos. Esta geração não se esgotou. São novos para a visão acadêmica que ainda não a vislumbrou no horizonte. A geração dos anos 70/80 contribuiu de forma decisiva através de seus arautos: Leminski, Ana Cristina Cesar, Cacaso, e repercute entre seus sobreviventes: Chacal, Pedro Lage, Tavinho Paes, Dalmo Saraiva, Tanussi Cardoso. Mais do que conhecer um militante da poesia, é preciso mergulhar em seus poemas e naufragar no que só existe para quem professa essa fé: a poesia é necessária sempre, como em Carlos Gurgel ao dizer: sei que nem sempre sou sal/ restos de iscas e lemes me molham/ simples o convés do navio me leva/ sem nível entrego meus braços ao remo. Entregar seus braços ao remo e remar. Até onde forem suas forças. Até onde houver poesia.

Thereza Christina Rocque da Motta

Poeta e editora

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