Correspondências revelam lado mais sociável de J.D. Salinger

Escritor comenta gosto por hambúrguer e Copa em cartas para amigo

Por Vaguinaldo Marinheiro

J.D. Salinger (1919-2010), autor de “O Apanhador no Campo de Centeio”, foi uma das pessoas mais reclusas da literatura. Teve enorme sucesso, mas não dava entrevistas, parou de publicar nos anos 60 e foi morar num vilarejo de mil pessoas nos EUA.

No entanto, era um prolífico escritor de cartas, que aos poucos são colocadas à disposição de estudiosos e revelam um pouco de sua vida.

Anteontem, 50 das cartas que trocou com um amigo inglês foram divulgadas pela Universidade East Anglia.

Nelas, aparece um homem comum, que gosta de hambúrgueres, dos três tenores (seu preferido era o espanhol José Carreras) e do tenista britânico Tim Henman.

Mostram ainda que ele assistiu à Copa de 1990, que acompanhava o julgamento de O.J. Simpson e que simpatizava com Mikhail Gorbatchov, mas não tinha esperanças em George Bush pai.

As cartas vão de outubro de 1986 a janeiro de 2002 e foram enviadas a Donald Hartog, inglês que Salinger conheceu em 1937, quando os dois, aos 18 anos, estudavam alemão na Áustria.

Eles se corresponderam durante a Segunda Guerra, mas as correspondências mais antigas foram queimadas por Hartog. O inglês voltou a escrever para o amigo em 1986, e é esse segundo lote o doado à universidade.

Segundo Chris Bigsb, professor da East Anglia, a correspondência revela o cotidiano de uma figura sociável.

O escritor descreve as viagens de ônibus pelos Estados Unidos e as idas a restaurantes e galerias de arte.

Os dois amigos se reencontraram em 1989, quando Salinger foi a Londres para a festa de aniversário de 70 anos de Hartog.

Nesta semana, saiu nos EUA “J.D. Salinger, A Life” (J.D. Salinger, uma vida), que ressalta os anos que o autor passou no Exército.

Em 1998, outro livro que tentava ser devastador foi escrito por Joyce Maynard, americana que aos 18 anos teve um caso com Salinger, na época com 53.

Maynard fala de um homem bem diferente do que aparece nas cartas. Diz, por exemplo, que ele só queria comidas naturais e sem gosto, não hambúrgueres.

Descreve ainda as dificuldade do sexo entre eles. Mas, se a história da comida é mentira, é provável que a do sexo também seja.

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