Do cotidiano eu escrevo crônicas – IX. Cascudo e as coisas invisíveis

Por Eduardo Gosson(*)

Toda vez que subia à Torre da igreja matriz o Alvissareiro tinha os olhos molhados de lágrimas e eternidade. Lágrimas pela indiferença da cidade perante seu ofício de orientar navios, barcos e pessoas no eterno movimento de ir e vir, simbolizado no cais.

Câmara Cascudo ao escrever a sua monumental obra – HISTÓRIA DA CIDADE DO NATAL – consegue fazer poesia neste livro de História. Vejamos o que diz o mestre:

“Ninguém nunca perguntou-lhe sobre seu estado de espírito, se era casado ou se tinha filhos”.

Como seria esse humilde servidor público? Ninguém sabe. As cidades são fontes de esquecimento. Só a grandeza de Cascudo para inseri-lo no seu livro. Ao realizar esse ato, Câmara Cascudo revelou-se poeta.

 

(*) é Vice-Presidente da UBE-RN

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