Crítica – “o que ‘foi’ bom e o que ‘é” ruim”

Por José Pereira

Assim como Tácito Costa “não comungo das assertivas nostálgicas” de DaMata. Não assumir a miopia do passado e ser hipermetrope ao presente é complicado. Tende-se a ver apenas o que “foi” bom e o que “é” ruim. Tirando os nomes Tarcísio Gurgel, Nelson Patriota, Humberto Hermenegildo, Constância, Diva e Moacy, Natal tem apenas “esboços de críticos”. Fizeram comentários mais que não avançaram.

João, como disse o Marcos Silva, até os grandes críticos cometem erros, mas acima dos erros estão grandes acertos, como o caso do Sílvio Romero. Ainda fazendo referência a fala de Marcos, a crítica de rodapé de fato deixou de existir, porque a Literatura (com L maiúsculo) deixou de ter espaço nos jornais já faz tempo. Esse tipo de crítica foi um dos passos para se chegar a crítica universitária, nela predominava o impressionismo, praticamente apenas as emoções do leitor diante do texto. Faltava à essa crítica os métodos que a Teoria Literária fornece. Brito Broca e até mesmo o Antonio Candido são nomes que valem ser mencionados da crítica de rodapé. Candido avançou para a crítica universitária e produz, realmente, CRÍTICA LITERÁRIA. Mas nem toda crítica produzida na academia é realmente Crítica Literária, pois defender uma dissertação e/ou uma tese lhe concede o título de crítico. Ser Crítico é muito, mais muito mais que isso.

Andreia Braz, o mérito de Tarcísio Gurgel como crítico não é por ter conseguido a reedição de obras fundamentais da nossa cultura, é muito mais que isso. Ele refletiu acerca de nossa produção literária, estão aí o “Informação da Literatura Potiguar” e “Bélle Epóque na esquina” para mostrar.

Jarbas Martins, realmente não concordo com você! Quem realmente faz crítica não faz paródia. A Crítica com “C” maiúsculo revela aquilo que foi velado pelo artista, investiga a obra, penetra nas suas profundezas e traz a tona aquilo que poucos conseguem enxergar. Para isso, faz uso de das ferramentas que a teoria lhe fornece.

Há muito que ser lido sobre a crítica que existiu e que existe: formalistas, estruturalistas, teoria da recepção, só para citar alguns. Utilizando um pouco do Barthes, todo discurso é amoroso, no sentido em que todo discurso é pessoal, subjetivo, mesmo ele sendo uma multiplicidade de vozes como ressaltou o Bakhtin. Mesmo pessoal, há artifícios para maquear o discurso e dizer que ele é objetivo, mas o discurso de cada um de nós reflete a opinião de um só, mesmo tendo sido construída por influência de muitos. Em síntese, na minha concepção em Natal há poucos, mas bons críticos, os demais estão subindo os degraus da escada da CRÍTICA!

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