Crônica a beleza dos noventa anos

Por Flávio José de Oliveira Silva

Voltei, neste final de semana, à fazenda Jangada município de Jucurutu, para participar de uma festa comemorativa aos 90 anos de minha tia Iraci, irmã de meu pai e que descende diretamente de Nicolau Giffoni e Theodora Vieira Torres, que saíram de Caicó na última década do século XIX, e foram residir no Seridó no pé da Serra de Santana, Vila de Flores, protegida por São Sebastião.

Lá tiveram Macária Giffoni que casou com José da Silva de Medeiros e constituíram uma família imensa. Mas, é outra história. O fato é que tia Iraci, casada com Francisco Ovídio, fez noventa anos de vida em uma suntuosa festa oferecida pelos filhos e por seu esposo, conhecido no lugar pelo nome de Chico Ovídio. Meu pai me segredou que os dois se conheceram numa festa na casa da Professora Julita, esposa de Lalá Azevedo, na fazenda Canassu e daí nasceu um amor infindável que gerou onze filhos: Íris, Irene, José Ovídio, Francisco, Ieda, Iran, Ilzene, Ilza, Ari, Chagas e Arol do. Cuidaram com todo esmero da festa, jardins de flores sobre as mesas dos convivas, em contraste ao calor abrasador do sol de Jucurutu, em agosto. A fazenda Jangada estava então contemplada pela presença de amigos e familiares em um encontro de uma beleza singular que aos 90 anos, comemorava suas bodas. De repente, lembrei-me da suntuosidade que era para minha infância aquela casa de fazenda. Um museu vivo de imagens dos antepassados nas paredes e nos aparadores de mesas. Eram imagens da infância de minha avó amada. Marcas de curtas passagens, viagens rápidas por sua casa, e que sempre reencontrei por repetidas vezes nas leituras que mergulhava, seja em Macondo de Garcia Marques ou nas cenas de Ojuara, quando buscava a terra de São Saruê, sobre a fartura dos doces ricos das frutas com queijo fresco, que saboreava por lá. Da beleza desta minha tia, irrito Adorno ou complico Umberto Eco na simetria de suas teses sobre os modelos de beleza que marcaram a história do mundo. Tia Iraci dispensa comentários. Aos 90 anos de idade, uma menina linda flor, de pele acetinada, sorriso faceiro e gestos amáveis. Andanças lentas, também poderia, um corpo quase centenário! Mas que boniteza exalava naquele sábado ao redor de tantos abraços beijados, sorrisos alegrados e esperanças renovadas. flaviojose@fvj.br

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Tânia Maria Dantas Pereira 24 de agosto de 2010 8:45

    Oi, Flávio! Que Bela crônica. É muito bom relembrar momentos marcantes da nossa vida! dá uma saudade…, mas, fazer o quê? recordar é viver. Eu faço parte desta história de trinta anos pra cá, quando casei com Ary e constituimos também uma bela família, graças a Deus. Tenho lembranças muito marcantes daquela casa, onde aos poucos fui conhecendo um a um os integrantes desta família tão maravilhosa e de uma união que é a marca desta família Ovídio;do queijo quente com açucar e da goiabada feita por D. Iraci que só ela sabe fazer. E,olha, que minha avó Bertilde era uma exímia doceira. Muito obrigada pela presença de todos, foi tudo preparado com muito carinho e esperamos ainda poder nos encontrar em outros momentos tão especiais como este. Um grande abraço Tânia

  2. Ilzene 20 de agosto de 2010 0:30

    Flávio,
    Ficamos felizes e agradecidos por esta bela crônica que homenageou a nossa tão querida, doce, amável e acolhedora, mãe. Com a sua singeleza e ternura ela nos ensinou a ver a beleza das flores e o quanto estas lhe fazem bem. Era o nosso sonho que seu jardim estivesse florido de alguma forma, pois, sem dúvida, o seu coração estaria; como bem disse a canção de Ir. Zélia, “É festa no céu é festa na terra Maria também hoje é festa no meu coração”.

    Você também nos levou a reviver a infância e lembrar de nossa tão querida, vovó Macaria; quando nos oferecia um agrado com passos lentos, balançando o corpo, ao rítmo de suas passadas, uma patinha, (tão linda!) revivida hoje por mamãe.

    Ficamos imensamente felizes com a presença de todos que tornaram este encontro caloroso e alegre, compartilhando com a nossa família este momento tão especial, em que colocamos amor em cada detalhe.
    Um abraço,
    Ilzene

  3. iris 12 de agosto de 2010 16:43

    12 de agosto de2010 às 16:25h

    Flávio,
    Agadeço-lhe a crônica dedicada a minha mãe ( Iraci) esta mulher de fibra, dedicada que na sua simplicidade sabe receber e acolher todos que lhe rodeiam.
    Quero através deste agradecer a presença de todos que nos prestigiaram com sua presença, já que não foi possível chegar perto de todos os que se fizeram presentes.

    Um abraço

    Iris

  4. Delza 10 de agosto de 2010 17:17

    Flavio,
    A sua tia Iraci, que também é minha, nos traz sempre à lembrança a nossa avó Macária, tão querida e especial…
    Você descreveu muito bem a beleza da festa, as reminiscências da nossa infância, enfim, toda a emoção que vivemos e revivemos naquele dia de comemoração e alegria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo