Crônica da manifestação contra o golpe nesta sexta em Natal

As manifestações de hoje contra o golpe levaram multidões às ruas em todo o país. Mobilizar tanta gente, numa sexta-feira, sem matérias na mídia uma semana inteira antes, e no dia, chamadas a cada cinco minutos, ao vivo, como bem lembrou a atriz Leandra Leal, no Facebook, referindo-se a Globo News, não é brincadeira. Mas o resultado foi animador e deverá dar algum fôlego ao governo e a Lula.

Aqui em Natal, o ato atraiu muitas pessoas que não iam às ruas protestar contra alguma coisa há muito tempo, como tive oportunidade de constatar conversando com um e outro conhecido ou amigo durante a manifestação. Revi gente que tinha avistado a última vez na eleição que levou Lula à presidência no primeiro mandato. Esquerdistas ainda do tempo da Guerra Fria, em que  “comunista comia criancinha” – muita gente continua acreditando nisso – rs.

Acho que as pessoas perceberam a gravidade do momento, a possibilidade concreta de um golpe, e decidiram retornar às ruas. Não foi por um sanduíche de mortadela e 30 Reais como já espalharam nas redes sociais. Ideologia, coerência e compromisso social  não se compram. Mas é querer demais que babacas, leitores e telespectadores dessa mídia golpista entendam isso.

O que vi aqui relato. Movimentos sociais e populares, militantes jovens e velhos, bom humor, música, ciranda, tudo junto e misturado e um sentimento de estar participando de um momento histórico na vida do país. Não vai ter golpe era o grito que emanava de todas as bocas.

Eu deixei para escrever essas linhas depois do Jornal Nacional da Rede Golpe, digo Rede Globo, que repetiu várias vezes hoje e vai repisar até domingo, no Fantástico, o seu mantra de que domingo passado deu mais gente do que nesta sexta-feira.

Entre os destaques da edição desta noite, os grampos com as gravações de “Deus e do mundo” autorizados por Moro, que desde ontem vem sendo repetidas, de manhã, de tarde, de noite e de madrugada, e certamente serão exibidas até o dia do Juízo Final. O telejornal deixou a cereja do bolo para anunciar no final, de que Gilmar Mendes concedeu liminar suspendendo a posse de Lula e remetendo o processo de volta para os messiânicos de Curitiba.

O cerco implacável ao governo não tem fim e é essa a estratégia golpista, buscar de todas as maneiras e chicanas possíveis impedir a governabilidade, o país que se exploda, contando que o poder seja entregue a Eduardo Cunha, Renan, Temer, o escambau. A velha direita está de volta, comendo muito corda, e com gás para levar o país novamente a um impasse institucional de consequências imprevisíveis.

Uma notícia chamou-me a atenção no Jornal Nacional e nem sei como permitiram que ela fosse ao ar. Críticas duras do ministro do STF Teori Zavascki ao juiz Moro. “O juiz resolve crises do cumprimento da lei. O princípio da imparcialidade pressupõe uma série de outros pré-requisitos. Supõe, por exemplo, que seja discreto, que tenha prudência, que não se deixe se contaminar pelos holofotes e se manifeste no processo depois de ouvir as duas partes”, disse (leia a matéria aqui).

Enfim, uma voz de sensatez nessa politização e parcialidade insanas do Judiciário, que saiu de controle faz tempo no Brasil.

PS. Texto feito às pressas, relevem aí algum erro.

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