Croskill e os 30 anos de um marco no rock potiguar

Ainda criança ficava fascinado pelos músicos de rock, irreverentes, em cima de um palco onde tudo se podia. Admirava bandas como Rush, Queen, Black Sabbath, Os Mutantes e tantas outras.

Nos anos 80 começava a colecionar discos e fitas cassetes gravadas desses artistas que ouvia nas sessions com amigos enquanto empunhava uma air guitar, aquela guitarra imaginária, acredita que tem até competição de melhor performance pra isso? Bom, esses eram meus ídolos naquele tempo, além dos citados, tantos outros, como Iron Maiden, Jethro Tull, Queesryche e Metallica e por aí ia.

Daí vi o ensaio do Fluídos, do saudoso Manoca. Aquilo foi impactante, pensar que eu também poderia tocar, eu queria fazer o que aqueles caras faziam. E começou o caminho para a realização de um sonho.

Este mês de novembro de 2020, faz 30 anos da gravação do disco Escape Into Fantasies da minha banda Croskill. Um marco no rock potiguar, sem dúvida. Ao lado dos amigos e grandes músicos, Marcus Varela, exímio violonista e professor da Escola de Música da UFRN e Jucian Lima, um dos grandes bateristas da nossa terra, vindo de uma família de músicos, filho de Carlão Lima, saudoso contrabaixista da OSRN. Foi um processo difícil pela falta de recursos, apoiado apenas pelo sonho de ter uma banda de rock e de lançar um disco como os nossos ídolos.

Ensaiávamos todos os dias na varanda de casa e, algumas vezes, apenas com violões e almofadas, aquelas músicas rebuscadas e cheias de passagens complexas. Era necessário esse trabalho exaustivo. As gravações foram feitas no estúdio Edu heavy e produzidas por Marcelo Neves, tudo em fita de rolo. Não dava pra errar na gravação, o processo era completamente diferente de hoje em dia e valeu cada minuto nesse projeto.

Lançamento pela Rock Brigade

E colhemos os frutos, a Rock Brigade, que era a maior revista especializada de rock no Brasil na época e também gravadora, que lançou mundialmente o Viper, André Matos, Angra e Shaman, nos abraçou e topou lançar o nosso disco. Nos mudamos para Sampa em 91, ano do lançamento do disco.

Obtivemos um reconhecimento no cenário nacional do metal na época, e também tivemos resenhas excelentes do disco em publicações  especializadas alemãs, japonesas, Sul-americanas entre outras. Tocamos com muita gente boa por aí afora e também sofremos claro, vida de músico nunca foi fácil. Mas tudo valeu a pena.

 A formação atual conta com Júlio Cortez (vc), Flávio Horroroso (gt), Remullo Galvão (gt), Eri Soares (bx) e Jucian Carlos (bt).

No meio dos anos 90, eu, os irmãos André e Ricardo Alves, Edu Santana e Jucian Lima dividíamos uma casa na Vila Madalena em Sampa, onde tínhamos nosso estúdio. Era conhecida aqui como embaixada potiguar pois recebíamos de braços abertos muitos amigos artistas que iam se aventurar por aqueles lados. Olhando para trás agora, passados 30 anos sinto um orgulho imenso do que fizemos, passando por cima de tantas dificuldades.

E preciso dizer que essa é uma conquista que divido com esses caras: Manoca Barreto, Fernando Suassuna, Carito Cavalcanti, Marlon Bob Crazy e Pindoba, que integravam o Fluídos.

E ainda Carlão Lima, Paulo Sarkis, Wlamir Cruz e Cabeças Errantes, Alcateia Maldita, General Lee, Edu Heavy e Sodoma, Marcelo Neves e Detroit, meus comparsas Jucian Lima e Marcus Varela nessa viagem. Esses caras também são meus ídolos e são pessoas que admiro e me espelhei como músico e artista, além de uma leva enorme de músicos e bandas na época.

Hoje, vejo uma cena forte e presente no cenário musical brasileiro, sinto um orgulho imenso de fazer parte dessa construção que tantos frutos rendeu e ainda renderá. Salve a Música Potiguar Brasileira.

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