Cultura digital para a maioria

TC

A liberdade de expressão, a privacidade, o compartilhamento de arquivos e a livre circulação de informação e conhecimento são os pilares da Internet. São interdependentes. Limitar, reprimir ou censurar qualquer um deles, é mexer em todos e os resultados, acreditem, não serão bons para a sociedade, para os cidadãos, sejam internautas ou não.

São esses pilares que fazem a internet ser o que é, anárquica, subversiva, revoltosa, democrática, em alguns momentos uma grande ágora moderna. Espaço que instiga à participação e que deverá provocar num futuro próximo mudanças na forma como concebemos a Democracia.

Contra isso tem se insurgido governos, conglomerados industriais (grandes detentores de copyright) e autores (jornalistas, cantores, escritores, fotógrafos etc), que vêem na rede ameaça à propriedade intelectual. Contra todos esses estamos nós, blogueiros, hackers, ciberativistas, como o Anonymous, libertários, democratas e que entendem que o acesso gratuito à informação e ao conhecimento deve se sobrepor ao lucro e chegar a maioria.

Embora os interesses particulares desses grupos e governos nem sempre coincidam, no geral desejam a mesma coisa que é controlar de alguma forma a internet.

Por exemplo, para países como China, Cuba e Irã o mais importante é cercear a liberdade de expressão. Para países como EUA e os da União Européia, assegurar que suas empresas continuem lucrando cada vez mais.

Como se a roda não tivesse girado de forma que deixou muitos tontos ou ultrapassados e fosse possível manter a mentalidade, o pensamento, as mesmas condições industriais do tempo de Ford.

O mundo mudou radicalmente e muitos não se deram conta. Soa até irônico que seja Paulo Coelho, escritor não considerado escritor pelos seus pares, a defender a pirataria. Pirateiem meus livros, defende ele, que sacou que não adianta ir contra ao que é inexorável.

A cultura digital se apóia, fundamentalmente, na possibilidade de reutilização, recombinação, remix. Travar esse processo é acabar com a internet. Simples assim.

Até agora, pelo menos nos países onde vigora o estado de direito, foi possível barrar as restrições e criminalização da internet. Não se sabe até quando isso será possível. A pressão é enorme e poderosa e afetará desde um pequeno blog como o nosso, situado nesses cafundós, como portais e sites independentes com milhões de acesso ao redor do mundo.

Tanto lá fora, com SOPA (Stop Online Piracy Act – Lei para Parar a Pirataria Online), PIPA (Protect Intellectual Property Act – Lei para Proteger a Propriedade Intelectual), ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement – Acordo Comercial Anti-Falsificação), quanto no Brasil, Lei Azeredo (AI 5 Digital), as intenções são basicamente as mesmas, reprimir, domesticar e policiar, tornar dócil um espaço democrático e livre e rebelde.

Infelizmente, o Ministério da Cultura, que no Governo Lula, gestões dos ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, se tornou uma trincheira de resistência contra tudo isso e manteve uma política antenada com a nova realidade mundial, recuou de maneira inexplicável e vergonhosa sob Dilma Roussef/Ana de Hollanda, se aliando aos arautos do atraso como o Ecad e a outras vozes que tentam conter, em vão, o futuro.

Não passarão!

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Gustavo de Castro 7 de fevereiro de 2012 11:37

    Tácito, gosto de quando vc diz: A” cultura digital se apóia, fundamentalmente, na possibilidade de reutilização, recombinação, remix.” Eis aí uma pequena síntese da cultura contemporânea. Outra síntese é esta: a era do consumo desenfreado co-produziu a era da pirataria ‘autêntica’.

  2. João da Mata 6 de fevereiro de 2012 20:03

    DanDENAR :

    Aqui tem de tudo. Advogados, jornalistas, professores, físicos, terapeutas, comerciantes, cientistas sociais, artistas plásticos, freelancers. Donas e donos de casas, pais, avós, tios, botequeiros, perfomers, escritores e poetas.

    É com esse que eu vou! E por isso somos plurais. E como já está perto do Carnaval canto com Capiba

    “QUEIRAM OU NÃO QIUEIRAM OS JUÍZES O NOSSO BLOCO É DE FATO CAMPEÃO”…

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