Cultura oportunista

O que escutei hoje foi uma denúncia gravíssima e que merece melhor apuração e providências, se for o caso. A diretora e idealizadora da Casa Talento, Márcia Pires, recebeu informação de um funcionário do setor de tributação da Fundação José Augusto de que 80% dos projetos aprovados pela Lei Câmara Cascudo de incentivo à cultura são destinados a Mossoró, reduto do diretor geral do órgão, Crispiniano Neto.

A Casa Talento recebeu o patrocínio da Lei até ano passado e por oito anos consecutivos. Este ano, inesperadamente, o projeto não foi aprovado. Márcia Pires buscou razões para o veto junto a FJA e obteve essa informação. A Casa Talento é um instrumento de alternativa profissional a quase 500 jovens para o ensino básico da música com a intenção de formar novos talentos. Um trabalho gratuito e valoroso de cidadania que foi brecado.

Digo mais: são oferecidos onze cursos musicais, nos três turnos do dia a crianças e jovens da rede pública de ensino, dos 7 aos 19 anos. Indiretamente são beneficiados 2000 familiares dos aprendizes. A professora violinista Márcia Pires foi piorneira no estado em utilizar o método Suzuki de aprendizado, que beneficia o gosto artístico, a disciplina, a socialização. Em resumo. A professora é uma pessoa séria. A instituição, idem.

O resultado do trabalho pode ser facilmente comprovado. A Casa Talento já foi destaque na capa da revista Veja, em 2001. Recebeu o Prêmio Hangar. Participou de programas globais, como o Altas Horas. Foi premiado com o Prêmio Top Social Nordeste e o Troféu Cultura 2007. E a diretora Márcia foi homenageada como Mulher do Ano (2006) pelo mesmo governo estadual que, inexplicavelmente, talhou o patrocínio oferecido há quase uma década.

Independente da veracidade da informação de que a maioria dos projetos aprovados pela lei estadual de cultura dê preferência tendenciosa a Mossoró, um esclarecimento precisa ser dado sobre este inesperado cancelamento do patrocínio para uma instituição já consolidada e prestigiada no estado. Situação semelhante já aniquilou outro projeto com mais de uma década de sucesso em Natal: o Domingo na Praça, desta, pela lei municipal de cultura Djalma Maranhão. O espaço está aberto e o tapete vermelho espera passagem.

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo