O Rock (in Rio) morreu. Vamos celebrar é os 30 anos do Sebo Vermelho!

Que 30 anos de Rock in Rio que nada. O Rock morreu faz tempo. Em 1985 ele até já vislumbrava isso e aproveitou o clima de fim da ditadura para soltar a franga ao som de, vejam só, ‘Love of my Life’.

Em 1991 veio o último suspiro de vida. Enquanto Axl Rose ainda estava magrinho e com voz para ‘Sweet Child o Mine’ e o Metallica insistia com ‘One’, os pagodes sebosos e o chororô sertanejo largavam os radinhos de pilha da cozinha para invadir os sound and sistem da juvenalha nacional. Era o fim. Nem o batuque guitarrístico de Chico Science salvou.

Mas se o rock morria, o Sebo Vermelho nascia para botar desordem na casa. Desde 1985 que Sr. Abimael Silva larga livro na praça. Incansável na cerveja e na insistência em editar, reeditar e publicar livros.

O último foi um ensaio de José Gonçalves de Medeiros intitulado ‘Castro Alves: amor e revolução’. O próximo deverá ser ‘Impugnação dos Embargos do Ceará pelo Rio Grande do Norte’, que trata da briga entre os dois Estados, relatado por Rui Barbosa, por um pedaço de terra que nem lembro qual é. O livro tem 107 anos e virou domínio público.

Aos 52 anos, Abimael Silva ainda faz verão e outras estações, sozinho. E se orgulha disso, o que é melhor. Ainda tem gasolina no tanque para muito mais, então.

Na próxima edição do Festival Literário de Natal, o tal do Flin, ele lançará duas pérolas: o primeiro livro de Oswaldo Lamartine: ‘ABC da Pescaria de Açude no Seridó’ (1961) e ainda ‘Conservação de Alimentos no Sertão do Seridó’ (1965). Tudo sem a contribuição oficialesca. E quando digo “tudo” são mais de 400 livros! Sempre ganhando dinheiro com livro e reinvestindo em livro.

E vocês querendo ressuscitar os mortos. Abimael Silva é a resistência do rock! Elvis já morreu. Abimael ainda não, apesar das tantas cervejas e de trabalhar ao lado de Zé Reeira e de ter mais ácaros do que amigos.

Então, esqueçam esse festival de mídia. Esqueçam esse tapete gramado, esse palco mundo que se foi, esse “sunset” muito clean, essa reunião de estrelas caídas. O rock reside no passado e nos livros. Abimael é história viva, é rock de ontem e de hoje.

Vamos celebrar é os 30 anos do Sebo Vermelho, sempre vivo, sempre ativo e muito mais trash!

FOTO: Wellington Rocha

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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